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02 Junho 2020

Igrejas dos Estados Unidos e organismos ecumênicos condenaram em uníssono, embora em declarações distintas, o assassinato do trabalhador negro George Floyd, 46 anos, sufocado pelo policial Derek Chauvin, de Minneapolis, em 25 de maio, depois de mantê-lo algemado, imóvel no chão com o joelho no pescoço por oito minutos. A súplica do Floyd ao policial branco– “não consigo respirar”- foi filmada por transeuntes.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

“O racismo infectou este país desde o início e esse vírus penetrou em todos os aspectos da vida americana”, disse o presidente e secretario-geral do Conselho Nacional de Igrejas dos Estados Unidos (NCC). “Ainda não existe uma vacina contra o racismo e a supremacia branca tão difundida em nossa sociedade. Ainda não há cura. Como pessoas de fé, nossa luta contra esse mal ao qual todos nós estamos vinculados continua”, asseverou.

A bispa presidente da Igreja Evangélica Luterana da América (ELCA), pastora Elizabeth A. Eaton, lembrou que a morte de Floyd soma-se a uma sequência de assassinatos de negr@s ocorridos no decorrer do ano. Ela listou: Ahmaud Arbery, Breonna Taylos, Dreasjon Red e Floyd.

Arbery foi perseguido, baleado e morto por um policial aposentado em 23 de fevereiro. A médica Breonna Taylos, 26 anos, foi atingida por oito tiros disparados por agentes do Departamento de Polícia de Louisville, que entraram no apartamento dela enquanto cumpriam um “mandado de segurança”, em 13 de março. Dreasjon, 21 anos, de Indianápolis, morreu após ser baleado por um oficial da polícia local, em 6 de maio.

Em mensagem gravada em vídeo, o secretário da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, reverendo Dr. Herbert Nelson II, mencionou os nomes de Ahmaud, Arbery, Bronna Taylos e George Floyd. “Talvez vocês tenham ouvido esses nomes”, disse. “São indivíduos afro-americanos que foram mortos por fanatismo e ódio”.

A bispa luterana admoestou: “Como igreja, devemos trabalhar juntos para condenar a supremacia branca em todas as formas e nos comprometer a enfrentar e exorcizar os pecados da injustiça, do racismo e da supremacia branca na igreja e na sociedade, também dentro de nós mesmos como indivíduos e famílias”.

Bispos católicos se manifestaram com o “coração partido e indignados” ao assistir em outro vídeo de um homem afro-americano sendo morto “diante de nossos olhos”. O racismo, afirmaram, “não é coisa do passado ou simplesmente uma questão política descartável a ser discutida quando conveniente. É um perigo real e presente, que deve ser enfrentado de frente”.

Corajosamente, eles demarcaram posição: ˜Embora se espere que imploremos por protestos pacíficos e não violentos, e certamente o fazemos, também apoiamos apaixonadamente as comunidades que estão compreensivelmente indignadas. Muitas comunidades em todo o país sentem que suas vozes não estão sendo ouvidas, suas queixas sobre o tratamento racista não são ouvidas e não estamos fazendo o suficiente para apontar que esse tratamento mortal é antiético ao Evangelho da Vida”.

Pelo menos em 30 cidades dos Estados Unidos eclodiram protestos de grupos que sofrem opressão da supremacia branca. A morte de George Floyd “causou muita dor, raiva, protestos e violência em Minneapolis e nos Estados Unidos”, admitiu o secretário geral interino das Igrejas Batistas Americanas, Dr. C. Jeff Woods.

A morte de George Floyd abriu muitas feridas e foi recebida “com um grande senso de indignação e raiva por todos os que amam a justiça”, reconheceu o metropolita Mar Nicholovos, da Diocese do Nordeste da Igreja Síria Ortodoxa Malankara. “Oramos para que os líderes civis tenham a coragem de agir de acordo com as injustiças que acontecem nesta cidade e na nação como um todo”, afirmou.

Lideranças da Igreja Unida de Cristo condenaram o “linchamento” de um negro nas ruas de Minneapolis. “Enquanto os colegas observaram, lembrando os linchamentos públicos do passado, George Floyd pediu fôlego por mais de cinco minutos, mas as ações insensíveis e vigilantes de quatro policiais encapuzados em azul ignoravam o seu apelo”, denunciaram.

“Quantos mais devem morrer antes que haja uma afirmação coletiva de que vidas negras são importantes e que sejam implementadas reformas fundamentais de raiz na cultura e nas práticas de agentes policiais?” – indaga a manifestação do Conselho Mundial de Igrejas (CMI).

Medidas superficiais não serão mais suficientes. “Deve haver uma conversão (metanoia), reflexão, arrependimento e rejeição de todas as formas de racismo e discriminação racial, e um reconhecimento verdadeiro e genuíno da dignidade e valor iguais dados por Deus a todos os seres humanos, independentemente de cor ou etnia”, apontaram líderes do CMI.

“A mancha de racismo que permeia nossos sistemas e estruturas continua a ser terrivelmente expressa em assassinatos e abusos sancionados pelo Estado”, identificou a secretária geral de Ação e Advocacia do NCC, reverenda Aundreia Alexander. Está na hora de “pormos um fim à brutalidade policial dirigida ao povo negro. Já tivemos o suficiente e todos nós temos a responsabilidade de falar, agir e trabalhar pela justiça das pessoas que perderam suas vidas brutal e desnecessariamente”, defendeu.

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