Carne servida ao Exército britânico veio de fazendeiros multados no Brasil, mostra investigação

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29 Mai 2020

Carne servida a militares do Reino Unido no Oriente Médio veio de uma empresa brasileira cujos fornecedores desmataram ilegalmente mais de 8 mil hectares de terra, aponta uma investigação das ONGs Earthsight e Repórter Brasil.

A empresa terceirizada, contratada pelo Ministério da Defesa britânico para fornecer alimento a militares no Bahrein, comprou milhares de bois de fazendeiros que foram multados num total de R$ 33,5 milhões por várias autoridades devido a irregularidades como desmatamento ilegal, falsificação de documentos e poluição.

Cerca de 5.800 km² de floresta são perdidos anualmente para a indústria da pecuária no Brasil, enquanto os incêndios florestais crescentes registrados no ano passado foram relacionados a fazendas de gado de grande escala e à grilagem de terras associada. A “lavagem” de gado no Brasil vem passando por um maior escrutínio nos últimos anos e é um grande problema para os frigoríficos, uma vez que os sistemas de monitoramento das cadeias de produção permanecem fracos.

A reportagem é publicada por Mongabay, 27-05-2020.

A carne servida a militares do Reino Unido no Oriente Médio teve como fonte uma empresa brasileira cujos fornecedores desmataram ilegalmente mais de 8 mil hectares de terra, inclusive na Amazônia e no Cerrado, revelou uma investigação da Earthsight e da Repórter Brasil.

Usando a lei de acesso à informação e analisando dados de pecuaristas multados, transações de matadouros e registros de envio de mercadorias, os pesquisadores mostraram que os fornecedores do Ministério da Defesa do Reino Unido no Bahrein receberam carne do Frigorífico Sul Ltda. (Frigosul), que faz parte do Grupo Fuga Couros, um dos maiores produtores de couro do Brasil.

A empresa terceirizada que cuida da alimentação dos militares no Bahrein comprou milhares de cabeças de gado de fazendeiros que foram multados num total de R$ 33,5 milhões por várias autoridades devido a irregularidades como desmatamento ilegal, falsificação de documentos e poluição.

A companhia de alimentação Overseas Supply Services Limited, operada pela Kellogg Brown Root (KBR), assinou um contrato de US$ 48 milhões (R$ 266,7 milhões) com o Ministério da Defesa britânico em 2017, de acordo com a investigação. Assim como a Frigosul, a empresa brasileira Minerva e a Premier Foods da Arábia Saudita também foram indicadas como fornecedoras dos militares no Bahrein.

Vários carregamentos de carne foram fornecidos por unidades da Frigosul no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, os mesmos matadouros cujos fornecedores foram multados em R$ 33,5 milhões.

A Frigosul disse à Earthsight que monitora seus fornecedores por meio de uma empresa terceirizada e que, por isso, não é possível que compre de fornecedores multados pelo Ibama. “A Frigosul, por convicção e princípios, não compra gado de propriedades rurais que estão em listas de embargos, uma vez que a empresa não concorda com as atitudes daqueles que estão nas listas de embargos”, disse à ONG.

Contudo, apesar de dizer aos investigadores que tem “os métodos de controle mais rigorosos, sabendo a origem dos animais que serão mortos”, a Earthsight e a Repórter Brasil descobriram evidências de que a empresa recebeu carne de fornecedores que tinham desmatado quase 9 mil hectares de terras. Dois terços dos cerca de R$ 33,5 milhões em multas aplicadas nas últimas duas décadas aos fornecedores ainda estão sem pagamento, disseram as ONGs.


Gráfico: Mongabay

A Earthsight afirma que as evidências que coletou apontam para um possível esquema de “lavagem de gado” – quando os fazendeiros transferem o gado de uma fazenda embargada para uma “limpa” para evitar a regulação – dentro da rede de fornecimento da Frigosul.

Cerca de 5.800 quilômetros quadrados de floresta são perdidos anualmente para a pecuária no Brasil, enquanto os incêndios crescentes do ano passado foram relacionados à criação extensiva de gado e associados à grilagem de terras. A lavagem de gado no Brasil vem passando por um maior escrutínio nos últimos anos e é um grande problema para os frigoríficos brasileiros, já que os sistemas de monitoramento das redes de fornecedores permanecem fracos.

A Minerva, segundo maior frigorífico do Brasil, não investiga seus fornecedores indiretos e, embora mantenha uma política de desmatamento zero, a ONG Imazon estima que a empresa corre o risco de comprar gado proveniente dos 200 mil hectares de terras embargadas da Amazônia. À Earthsight, a companhia negou que comprasse carne de fazendas não monitoradas da Amazônia e diz que bloqueou fornecedores que não atendiam a esse critério, embora tenha admitido que “não tem meios efetivos para verificar e rastrear fornecedores indiretos”.

Dados de recebimento de mercadorias da Premier Foods analisados pela Earthsight e pela Repórter Brasil mostram que cerca de um terço da carne que ela comprou do Brasil veio da Mataboi Alimentos, uma empresa administrada por José Batista Júnior, irmão dos donos da maior companhia de frigoríficos do mundo, a JBS, que recentemente foi acusada de pagar propinas para inspetores de matadouros.

Não se sabe se o gado que a Frigosul comprou de fazendeiros multados foi fornecido para o Ministério da Defesa britânico, ou se a carne comprada pela Fine Foods de fornecedores brasileiros teve origem em fazendas embargadas.

A Mongabay entrou em contato com o Ministério da Defesa britânico, mas não obteve resposta.

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