5º Domingo da Páscoa - Ano A - Jesus, o Caminho, nos encoraja em nossa caminhada

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Por: MpvM | 08 Mai 2020

"Embora estejamos num momento difícil, atípico, e distanciadas fisicamente pela Pandemia, a Palavra de Deus nos aproxima e nos une. Neste 5º domingo da Páscoa, num tempo em que urge a esperança, pela fé somos chamadas a refletir a nossa caminhada cristã e nela o nosso ministério e a nossa organização. Como discípulos e discípulas de Jesus, preocupados com este momento difícil em que atravessamos, com muitas vidas diariamente sendo ceifadas pela COVID-19, vamos refletir aqui em qual caminho encontramos novos horizontes. A Palavra vem nos questionar: Diante do contexto atual, em quem estamos alicerçados? Qual o tipo de pedra que nos sustenta: a angular, o Cristo, ou as de tropeço que, em nome de Deus, incoerentemente nos confundem, nos tiram o chão e distorcem reais valores cristãos nas comunidades?

Leituras do dia
1ª leitura (Atos dos Apóstolos 6,1-7)
Salmo: Sl 32
2ª Leitura: 1ª Pedro, 2,4-9
Evangelho: João, 14,1–12

A reflexão é de Ivenise Santinon. Ela possui doutorado em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (2009), mestrado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003) e Graduação em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1999). Atua como professora da Faculdade de Teologia, na PUC-Campinas, com atividade docente nas áreas da teologia, com ênfase na pastoral e na antropologia teológica. Estuda temas de teologia, ciências da religião, relações de gênero e da humanização.

Embora estejamos num momento difícil, atípico, e distanciadas fisicamente pela Pandemia, a Palavra de Deus nos aproxima e nos une. Neste 5o domingo da Páscoa, num tempo em que urge a esperança, pela fé somos chamadas a refletir a nossa caminhada cristã e nela o nosso ministério e a nossa organização. Como discípulos e discípulas de Jesus, preocupados com este momento difícil em que atravessamos, com muitas vidas diariamente sendo ceifadas pela COVID-19, vamos refletir aqui em qual caminho encontramos novos horizontes. A Palavra vem nos questionar: Diante do contexto atual, em quem estamos alicerçados? Qual o tipo de pedra que nos sustenta: a angular, o Cristo, ou as de tropeço que, em nome de Deus, incoerentemente nos confundem, nos tiram o chão e distorcem reais valores cristãos nas comunidades?

A primeira leitura (Atos 6,1-7) nos mostra fundamentalmente a perspectiva de uma nova estruturação ministerial nas comunidades nascentes, num contexto de grupos inseridos de diversas formas na Igreja de Jerusalém. Nesse escrito de Lucas, aparecem os helenistas”, um grupo importante na expansão do cristianismo. Diferentemente dos “hebreus”, cristãos também convertidos e muitos zelosos com o cumprimento da Lei, os “helenistas”, eram judaicos originários da “diáspora” e estavam espalhados, dentro e fora do império Romano. Por residirem em vários lugares eles se mostravam mais abertos a outras realidades e novas configurações de Igreja. Nesse contexto, inspirados pela Palavra de Deus, foi convocada uma assembleia para eleição de novas pessoas que dirigiriam aquela comunidade. Eles buscariam novos rumos, novos caminhos para o povo cristão.

Nessa leitura existem outros detalhes importantes, que precisamos interpretar para não incorrermos em equívocos próprios de uma leitura fundamentalista, feita de forma literal, o que geraria distorções. Lemos que Deus chama sete homens de boa reputação e constitui Estevão o diácono da Igreja. Há um sentido maior para esta reflexão: houve uma convocação da assembleia com a participação de todo o Povo de Deus, onde todos são respeitados e compreendidos na sua integralidade. Assim, em uma Igreja formada por homens e mulheres, indistintamente, todos são apóstolos e apóstolas de Jesus Cristo, na sua total representatividade. A resposta esperançosa a essa importante decisão que vem de Deus e cantada no Salmo 32 (33):“a nossa esperança está calcada na justiça e na retidão que vem de Deus, pois só ele nos dirige em nossa caminhada”.

Na segunda leitura (1ª Pedro 2,4-9) mostra um ambiente que há algumas semanas acompanha a nossa caminhada litúrgica. Nesse trecho, acontece a fase final da caminhada histórica do “Messias”. Até este momento, Jesus cumpriu a sua missão em confronto aberto com os dirigentes judeus. Ela se destina a comunidades cristãs de zonas rurais na Ásia Menor; comunidades majoritariamente formadas por cristãos de classes sociais baixas que, como hoje no Brasil, são as pessoas mais vulneráveis às hostilidades. Nessa carta vemos Pedro indicando Jesus como ‘pedra viva rejeitada’. E em seguida ele se constitui a pedra angular que nos sustentará na nossa missão de pessoas batizadas, diferentes e unidas como sujeitos eclesiais. Também nos juntemos, nesse sentido, na mesma fé com pessoas de outras denominações religiosas que coerentemente professam o mesmo Cristo. Somos mulheres e homens sujeitos a quedas nas pedras de tropeço, mas recebemos de Deus oportunidades únicas de ‘reconversão’ que nos abrem novos caminhos de Vida.

E o Evangelho (João, 14, 1–12) vem nos dar as respostas. Temos um trecho fundamental para entender a nossa real dimensão eclesiológica e missiológica. Como apontam alguns exegetas, temos aí um contexto de preocupação e medo por parte das comunidades, tanto que este trecho é uma pequena parte do chamado ‘discurso do adeus’. As palavras de Jesus são esclarecedoras e encorajadoras tanto que seus discípulos tratariam como sendo a sua despedida. Jesus para lhes abrir caminho traça a meta final ao se referir a ‘muitas moradas’, um lugar para todos. E nos vers. 6-9, Jesus diz que Ele é o ‘Caminho’ não apenas pelos seus ensinamentos e exemplos, mas porque Ele também é a ‘Verdade e a Vida’. Por tal afirmação nessa tríplice autodenominação, acontece a nossa essência de vida cristã. Quem não foi tocado verdadeiramente pela fé na Ressurreição, vai ficar paralisado e descomprometido com o próximo. O lugar que Jesus prepara nessa espécie de testamento nos encoraja na nossa caminhada, pois ela não é determinada apenas por critérios humanos, estes que muitas vezes se apoiam no poder, no status, na influência social, no dinheiro. Mas somos sustentados pela rocha angular, o Cristo. E diante de incrédulos, como Felipe, o texto nos mostra que nada deve se constituir em motivo de desânimo, pois todos nós somos imperfeitos, mas podemos buscar a retidão e a justiça em Deus que, por seu Filho Jesus, nos mostra o caminho e a pedra angular.

A primeira comunidade de Jerusalém passou por percalços, mas conseguiu ultrapassá-los, como ouvimos na primeira leitura. Os apóstolos, cientes das dificuldades encontradas, sentem a necessidade de se agregarem ao seu ministério, a sua profissão, na sua função sacerdotal, na comunidade ministerial. Ali aparece uma nova configuração de trabalho em prol da construção do Reino: o serviço dos diáconos, um ministério que conforme Paulo também foi exercido por mulheres na Igreja primitiva, ou seja, unidos no Espírito de Deus, nas mais diferentes funções presentes na Igreja e no mundo, a nossa vocação batismal propõe que tenhamos uma nova atitude: a de não desistirmos diante de tropeços, muito menos nos calarmos diante de injustiças. Pois como o Concílio Vaticano II nos lembra, a nossa missão de Povo de Deus se apresenta de uma forma incisiva e clara pelos nossos valores cristãos, indistintamente vividos com coerência ao Evangelho por todas as pessoas, ao exercerem o seu sacerdócio comum em Cristo recebido pelo Batismo e colocado a serviço na comunidade e no mundo.

 

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