Diante da maior crise desde 1929, o FMI muda a orientação: 'Estados devem gastar o que for necessário'

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Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 15 Abril 2020

O Fundo Monetário Internacional revisou seu prognóstico para a economia mundial no ano de 2020 devido à crise econômica e à pandemia do coronavírus. Na atualização da World Economic Outlook, publicada nesta terça-feira, 14-04-2020, o organismo prevê uma queda de 3% no PIB mundial, uma diferença de 6 pontos da projeção divulgada em janeiro. Para a América Latina e Caribe a recessão deve ser ainda maior que a mundial: perda de -5,2%, em relação ao crescimento do ano passado. Para o FMI essa será “uma crise como nunca vista antes”, e defende que os países “gastem o que for necessário” para salvar vidas.

A análise do FMI revela que a pandemia do coronavírus está aglomerada a outras crises: sanitária, financeira e a queda dos preços das commodities, capitaneada pelo petróleo, mas prevista também em matérias não-energéticas. Em apenas três meses, as mudanças no cenário econômico e o colapso dos sistemas de saúde em todo o mundo reformularam não apenas os números, como também as orientações da economia política.

No relatório constata-se que “a crise de 2020 será muito pior que a crise de 2009”, pois, para além da bola de neve que se formou, não há previsão certa de quando a pandemia pode parar. Assim, apresenta-se uma projeção de retomada do crescimento para 2021 caso haja uma retomada da atividade produtiva e da capacidade de compra dos consumidores e de investimento com o fim da pandemia no segundo semestre de 2020. Para isso, a expectativa da entidade vai “na contramão” dos seus históricos pressupostos liberalizantes: os investimentos dos Estados em saúde pública e esforços na limitação da atividade econômica devem ser eficazes.

De acordo com as recomendações do FMI, os Estados devem ter como prioridade máxima “a disponibilização de recursos para os sistemas de saúde” e a “ajuda internacional para os países que mais necessitem”. Em segundo lugar o FMI aponta a necessidade de os Estados participarem ativamente para proteção da população e empresas.

Na opinião de Gita Gopinath, economista-chefe e diretora do Departamento de Estudos do FMI, “não existe dilema entre salvar vidas e salvar meios de subsistência. Os países deveriam continuar a gastar o que for necessário com seus sistemas de saúde, testar amplamente a população e abster-se de restrições ao comércio de suprimentos médicos”. Segundo Gopinath a paralisação das atividades econômicas é necessária e para isso “as autoridades precisarão zelar para que as pessoas consigam suprir suas necessidades e para que as empresas possam retomar suas atividades assim que as fases agudas da pandemia tenham sido superadas”.

O organismo reforça a necessidade de cooperação multilateral, um conceito que tem sido desprezado por líderes nacionalistas de nações que há décadas o defendiam. O FMI reforça que não deve haver restrições no comércio de suprimentos médicos e que remédios e vacinas desenvolvidos para o combate à covid-19 devem ser de acesso imediato a qualquer país.

A crise nas grandes economias da América Latina

As disparidades políticas e econômicas entre os países são consideradas nesta projeção assumidamente incertas. Os países dependentes ainda devem sofrer na recuperação da economia com o baixo preço das commodities. O cenário mais otimista, com a contenção da pandemia no segundo semestre de 2020, apresenta uma perda de 1% no PIB dos países dependentes neste ano, sendo que China e Índia capitaneiam essas economias e mesmo com uma vertiginosa desaceleração podem crescer 1% e 1,9%, respectivamente. Os demais países do BRICS, por exemplo, devem perder 5,3% (Brasil), 5,5% (Rússia) e 5,8% (África do Sul).

Com perspectivas piores que a brasileira, o outro gigante latino-americano e segunda maior economia da região, o México, deve ter uma recessão de 6,6%. Dentre os produtos de exportação da economia mexicana, dois estão entre os que tiveram a maior queda nos preços, o petróleo -60% e a prata -25%, aproximadamente.

Os dois países, junto à Argentina (-5,7%) e à Venezuela (-15%), puxam para baixo a variação no PIB da região, que sofrerá uma retração de 5,2%.

 

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