Ordenado o primeiro diácono permanente do povo Tikuna em Belém do Solimões

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17 Março 2020

Os pequenos passos que estão sendo dados nos ajudam a fazer realidade os novos caminhos para a Igreja, tornar realidade os sonhos e todo o trabalho realizado ao longo de anos. Este 15 de março foi um dia histórico, um momento de imensa alegria na vida da diocese de Alto Solimões, localizada na parte brasileira da tríplice fronteira que o país faz com a Colômbia e o Peru.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

O diácono permanente Antelmo Pereira Ângelo, um dos líderes do povo Tikuna, que tradicionalmente habita essa região, foi ordenado diácono permanente nesta diocese, especificamente na paróquia de São Francisco de Assis, em Belém do Solimões. O povo Tikuna se espalha atualmente nos três países, sendo um dos povos mais numerosos que atualmente habitam a região amazônica.

Foto: Luis Miguel Modino

O novo diácono é pai de nove filhos e professor. Quem o conhece o define como um homem fervoroso, movido por um grande impulso missionário. Mensalmente, junto com sua esposa e outros missionários, visitam as comunidades da região. Nesse sentido, podemos dizer que a vocação diaconal tem sido algo adotado na família, que amadureceu ao longo de 4 anos de formação.

No final da celebração, o próprio Antelmo reconheceu que sempre sonhara realizar algo de bom em sua vida. Ele próprio disse que alguém havia lhe dito para ser vereador, o que ele rapidamente percebeu que não era o que ele queria. Somente depois de muitos anos essa possibilidade de ser diácono apareceu e ele abraçou essa vocação como uma maneira de fazer o bem, de se dedicar à vida da Igreja e de seu povo.

A ordenação não foi algo isolado na vida da paróquia, que há anos tenta fazer realidade uma Igreja com rosto amazônico e rosto indígena, uma realidade na qual o Papa Francisco tem insistido tanto em todo o processo sinodal. De fato, a ordenação fez parte da celebração de encerramento de uma formação sobre leitura orante do povo Tikuna, bem como de diferentes ministérios e da Campanha da Fraternidade, que este ano reflete sobre o cuidado da vida, uma urgência nestes tempos difíceis que estamos vivendo em nosso planeta. 130 líderes tikuna participaram desta reunião por 4 dias, e estiveram presentes na ordenação diaconal de seu parente, em quem, sem dúvida, muitos podem ver um exemplo a seguir.

Foto: Luis Miguel Modino

Neste encontro de formação, um pequeno grupo foi criado para a inculturação do Evangelho na cultura tikuna. Algumas medidas já foram tomadas nesse sentido, como a tradução da Bíblia para crianças e várias músicas foram criadas pelos cantores das próprias comunidades. Essas não são músicas traduzidas de outros idiomas, mas músicas nas quais a letra e a música são locais, incluindo textos da Bíblia traduzidos para o tikuna.

Numa paróquia com rosto indígena, como a de Belém do Solimões, na noite anterior à ordenação foi realizada uma vigília na qual foi introduzida a leitura de um mito tikuna e cada um foi se pintando de acordo com o povoe a que pertence. Junto com isso, a ornamentação da Igreja foi um momento para entender mais uma vez a capacidade que os povos originários têm de trazer para a Igreja toda a beleza da natureza, usando plantas da região e elementos da cultura. local.

Foto: Luis Miguel Modino

Na própria ordenação, foi visto que a interculturalidade é algo que pode ser realizado na vida da Igreja. A celebração começou ao lado de um igarapé, ao lado da Igreja, com uma dança tradicional que é realizada na festa da menina moça, em que as adolescentes passam para a idade adulta, acompanhados de instrumentos tradicionais. De lá, a dança os acompanhou até a entrada na Igreja, momento em que o bispo, Dom Adolfo Zon, que tem assumido concretizar tudo o que tem sido vivido durante o processo sinodal, vestiu as roupas litúrgicas para o diácono que ia ser ordenado, estando ele acompanhado por sua esposa e filhos.

Esta liturgia inculturada é uma prática habitual nas celebrações da Paróquia de São Francisco de Assis, em Belém do Solimões. De fato, as missas geralmente começam com um ministro da Palavra presidindo, que faz a liturgia da Palavra. Juntamente com o bispo local, alguns padres da diocese, que participaram do processo de formação do novo diácono, estiveram presentes na celebração.

No momento da prostração, teve dois gestos indígenas muito significativos. Entrou uma esteira, feita de palha de buriti, tecida pelas mulheres, exatamente como as feitas para a festa da menina moça, na qual ele se prostrou. Junto com isso, outro tapete, em formato circular, típico da mesma festa e símbolo de proteção de todas as forças da natureza.

Foto: Luis Miguel Modino

O novo diácono, que trabalha como agente pastoral há muitos anos, segundo Dom Adolfo Zon, assumindo seu novo serviço, "continuará esse trabalho de acompanhamento às comunidades que estão no beiradão". O bispo local insiste em que "ele ajudará as comunidades a se organizarem e também a criar as condições para que eles possam ter os ministérios do leitorado, acolitado ou líder da comunidade". De fato, o bispo destaca que os próprios indígenas são os que melhor podem realizar esse trabalho.

Nesse sentido, a ordenação de Antelmo possibilitará, segundo Dom Adolfo Zon, uma maior proximidade com as comunidades e uma ajuda ao trabalho que o padre da paróquia já vem realizando. O bispo destaca que o trabalho que o novo diácono deve realizar, em sua própria língua, possibilitará "uma ministerialidade cada vez mais inculturada".

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