As transnacionais da alimentação “destroem o planeta”

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20 Fevereiro 2020

Rebelião contra a Extinção: tudo pela vida e contra o “ecocídio”.

Na calma Suíça de meados de fevereiro soou um despertador social. Na segunda-feira, 17, centenas de militantes do movimento Extinction Rebellion (XR) realizaram na mesma manhã quatro protestos contra transnacionais dedicadas ao comércio de produtos básicos e petróleo na Suíça francesa. Concluíram com advertências na sede da Nestlé, em Vevey.

A reportagem é de Sergio Ferrari, publicada por ALAI, 18-02-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Na mira dos militantes ambientalistas, as sedes das empresas de alimento Cargill, assim como as comercializadoras de petróleo Vitol, Mercuria e Ifchor. O objetivo das ocupações: denunciar a responsabilidade dessas transnacionais na mudança climática.

A Cargill, desde Genebra – filial da matriz norte-americana radicada em Minnesota desde 1865 –, dedica-se a operar no comércio de grãos e oleaginosas. A transnacional com 160 mil empregados em 70 países é um dos pesos pesados no setor da alimentação em nível mundial. Opera com serviços agrícolas, grãos e sementes, algodão, óleo de palma e alimentos para animais. Assim como nos setores da carne, azeite, ovos, adoçantes, farinhas, amido, cacau e chocolate, entre outros.

A Extinction Rebellion havia antecipado há algumas semanas a realização de uma ação de desobediência civil contra o setor privado. Na terceira segunda-feira de fevereiro, realizou ações simultâneas em Genebra e Lausana, buscando atrair a atenção midiática sobre a responsabilidade de empresas cujas ações – segundo os manifestantes – contribuem significativamente às emissões de gases de efeito estufa.

Os militantes acusaram tais empresas de “ecocídio”, denunciando os métodos indiscriminados de extração de matérias-primas, assim como de desmatamento massivo para implementar cultivos intensivos. “Essas empresas destroem o planeta. E a Suíça é um dos principais centros rotatórios do comércio de matérias-primas”, enfatizou uma das porta-vozes do movimento, em declarações ao jornal Le Courrier.

Desobediência Civil

A XR tornou-se desde o início, no final de 2018, em Londres, um dos movimentos sociais mais ativos em nível internacional, com grupos nacionais implantados em muitos dos países europeus. Sustenta sua ação direta na gravidade da crise do planeta e pela necessidade de uma mobilização resistente para questionar a inoperância do poder político em relação à degradação ambiental.

Dentro dos princípios e valores em que se define como “rede não violenta” e de desobediência civil, admite uma visão de mudança global, apostando em mobilizar 3,5% da população mundial para consegui-lo. Defende uma “cultura regenerativa”, desafiando autocriticamente o comportamento individual a respeito do clima e aceitando a necessidade de sair de “nossas zonas de conforto para a mudança”. Em nível metodológico e organizativo, opõe-se às hierarquias de poder; e defende a autonomia e descentralização, criando coletivamente as estruturas necessárias para desafiar o poder.

Na Suíça, particularmente ativa na região de fala francesa, desde o ano passado a XR promoveu diversos protestos locais ou regionais, como o repetido bloqueio de pontes e ruas centrais da cidade de Lausana, ou a entrada do aeroporto internacional de Genebra-Cointrin, em novembro. Em junho, um grupo reduzido de militantes da Extinction Rebellion se acorrentou em frente à porta central do Parlamento Nacional, em Berna.

Nova “lógica” jurídica... e política

No último 13 de janeiro, um tribunal reunido na cidade de Renens (na periferia de Lausana) declarou que doze ativistas ambientais não eram culpados por, em novembro de 2019, realizar um protesto na sucursal do banco Credit Suisse, na capital do Cantão de Vaud.

Improvisaram no hall de entrada da entidade uma partida de tênis com o objetivo de denunciar a relação de patrocínio que o banco mantém com Roger Federer. Os ativistas responsabilizaram a entidade por sua ação antiecológica ao promover certos investimentos especulativos.

Em vista de uma “inegável” emergência climática, a sentença anunciada pelo Tribunal considerou que os jovens ativistas haviam levado a cabo uma operação “necessária e proporcionada”, reconhecendo que a mudança climática representa um “perigo real”. Os juízes destacaram o caráter não violento do protesto, sem danos colaterais, e o tempo curto que durou.

Essa decisão jurídica criou um precedente importante no direito suíço. Priorizar a emergência climática acima dos argumentos de respeito à propriedade privada, esgrimida pela justiça tradicional, muda um sacrossanto paradigma interpretativo.

Por outro lado, nas recentes eleições de 09 de fevereiro para renovar um dos sete assentos do Conselho de Estado do Cantão de Vaud, uma jovem militante ambientalista escolhida por sorteio pelo seu coletivo, obteve 23% dos votos, o que, mesmo que insuficiente para vencer, representou um recorde para uma candidata contestatória, ambientalista e sem partido político.

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