A coalizão fóssil que sabotou o acordo de Paris

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18 Dezembro 2019

"A "coalizão fóssil" buscou, através da discussão sobre os aspectos técnicos, sabotar e efetivamente afundar os Acordos de Paris. Liderando uma verdadeira sabotagem da negociação, sobre o artigo 6, estava o Brasil, país liderado por Bolsonaro promovendo a destruição da Amazônia e dos povos que ali vivem", escreve Giuseppe Onufrio, diretor do Greenpeace Itália, em artigo publicado por Il Manifesto, 17-12-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

A Conferência das Partes do Chile, sediada em Madri, deveria discutir principalmente assuntos técnicos relacionados ao "mercado de emissões de carbono" previsto no art. 6 dos Acordos e, portanto, compartilhar regras para permitir uma "cooperação climática" transparente. A discussão sobre o aumento das metas de redução de emissões era, de fato, e é prevista - de acordo com o mecanismo de revisão quinquenal decidido em 2015 em Paris – no próximo ano. O "fracasso" da Cop25 está em não ter conseguido fechar os aspectos técnicos que, como em qualquer negociação dessa complexidade, são decisivos: o diabo está sempre nos detalhes. Regras pouco claras para transações no comércio de emissões significariam altos riscos de contagens duplas ou de medidas não suficientemente contabilizadas, uma "reciclagem" de créditos já emitidos sob o Protocolo de Kyoto que teriam - essas são as estimativas - diluído em 25 toda ambição decidida no plano formal e, portanto, anulado os Acordos de Paris. A "coalizão fóssil" buscou, através da discussão sobre os aspectos técnicos, sabotar e efetivamente afundar os Acordos de Paris. Liderando uma verdadeira sabotagem da negociação, sobre o artigo 6, estava o Brasil, país liderado por Bolsonaro promovendo a destruição da Amazônia e dos povos que ali vivem.

Então, o que resta após o fracasso da Cop em Madri? Sobre o tema "técnico" – o artigo 6 -, um grupo de países, do qual fazem parte os países europeus e os países mais vulneráveis, como as pequenas ilhas, estabeleceu princípios obrigatórios para regular o mercado de emissões de CO2, que serão retomados no próximo mês de junho em Bonn.

O Acordo de Paris certamente sai mal dessa, mas ainda está de pé. E 2020 se torna o ano crucial para vencer a resistência da frente fóssil: a partida final é jogada entre Bonn em junho, a "pré-cop dos jovens" na Itália e aquela de Glasgow no final do ano. Na ausência de iniciativas dos grandes emissores, será difícil ver progresso no nível político. A "coalizão fóssil" conta além do Brasil, com Austrália, Estados Unidos, Rússia, Arábia Saudita, Índia e China. É preciso lembrar que o Acordo de Paris foi precedido por várias iniciativas, incluindo um acordo de cooperação tecnológica entre os Estados Unidos e China, promovida pelo governo Obama.

Hoje, como sabemos, o contexto internacional mudou profundamente: a "guerra de impostos" promovida por Trump está realmente redesenhando – ou tentando redesenhar – os equilíbrios e, em certo sentido, redefinindo a globalização ou o que resta dela. Embora para enfrentar a questão global mais grave - o aquecimento do planeta – seja necessário um mais alto grau de cooperação internacional.

No curto prazo a única possibilidade, no aguardo para saber como serão as próximas eleições nos EUA, parece estabelecer um eixo de cooperação entre a UE e a China: em setembro próximo está prevista uma cúpula em Leipzig na Alemanha em vista da Cop26 em Glasgow. Será necessário entender se o impulso para a transformação industrial delineado - de modo, no entanto, claudicante - pelo Green New Deal europeu e a revisão das metas de redução de emissões, a serem definidas antes do verão, também pode ser a base de acordos tecnológicos com a China. Que, no entanto, juntamente com o Brasil, a Índia e a África do Sul, pede que os países desenvolvidos cumpram sua promessa de financiar os países mais pobres. E, de fato, seria a hora de manter essa promessa.

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