Francisco: o bispo defende o povo de Deus dos “lobos”

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05 Dezembro 2019

O sacerdote, o bispo, o papa, deve "vigiar" o rebanho: retomando as palavras de São Paulo, no momento de se despedir dos presbíteros de Éfeso, o Papa Francisco assinalou, na audiência geral na Praça São Pedro, que os pastores "devem estar muito próximos do povo" de Deus "para protegê-lo, defendê-lo" dos "lobos".

A reportagem é de Iacoppo Scaramuzzi, publicada por La Stampa, 12-04-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Durante a catequese, Jorge Mario Bergoglio concentrou-se na despedida de São Paulo de Éfeso, e recomendou repetidamente que os fiéis presentes na Praça São Pedro buscassem reler, ao voltarem para casa, “uma das páginas mais lindas do livro dos Atos dos Apóstolos", o capítulo 20, a partir do versículo 17, uma verdadeira "joia": São Paulo "encoraja os líderes da comunidade, que sabe estar vendo pela última vez: ‘Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho’. E isso - explicou ele - é o trabalho do pastor, vigiar, cuidar de si e do rebanho, o pastor deve vigiar, o pároco deve vigia, os presbíteros devem vigiar, os bispos, o papa, devem vigiar, vigiar para cuidar o rebanho, e também vigiar a si mesmo, examinar a consciência e ver como se realiza esse dever de vigiar. No meio do rebanho ‘o Espírito Santo vos constituiu como guardiões para serem pastores da Igreja de Deus, que foi adquirida com o sangue de seu próprio Filho’: pede-se aos bispos que estejam o mais próximo possível do rebanho, redimido pelo precioso sangue de Cristo e a disposição para defendê-lo dos ‘lobos’. Os bispos devem estar muito próximos do povo para protegê-lo, defendê-lo, não afastados do povo”.

Em Éfeso, o Papa disse ainda, com voz rouca devido a um resfriado que carrega desde o retorno da viagem à Tailândia e ao Japão, o poder "invade" e "desmascara aqueles que querem usar o nome de Jesus para realizar exorcismos, mas sem ter a autoridade espiritual para fazê-lo, e revela a fraqueza das artes mágicas, que são abandonadas por um grande número de pessoas que escolhem Cristo. Uma verdadeira inversão para uma cidade, como Éfeso, que era um centro famoso pela prática da magia! Se você escolhe Cristo, não pode recorrer ao mago: a fé é um abandono confiante nas mãos de um Deus confiável que se faz conhecer não por práticas ocultas, mas por revelação e com amor gratuito.

Talvez - acrescentou o papa de improviso - alguns de vocês me dirá que a magia é uma coisa antiga, que hoje com a civilização cristã não acontece, mas tenham cuidado: quantos de vocês vão ler o tarô, quantos de vocês vão ler as mãos com as adivinhas, vão jogar as cartas, inclusive hoje, nas grandes cidades, cristãos práticos, ainda buscam essas coisas. Mas por que se você acredita em Jesus Cristo, você procura o mago, o adivinho? ‘Acredito em Jesus Cristo, mas por acaso também procuro eles’. Por favor – é o convite do Papa - a magia não é cristã, essas coisas que são feitas para adivinhar o futuro ou mudar a situação de vida não são cristãs. A graça de Cristo traz tudo para você: reze e confie-se ao Senhor”. Segundo problema encontrado pelos primeiros cristãos em Éfeso: a propagação do Evangelho prejudica o comércio dos ourives, que fabricavam as estátuas da deusa Ártemis, "tornando a prática religiosa um verdadeiro negócio".

Mas é a despedida de São Paulo que Francisco quis enfatizar: "Estamos nas falas finais do ministério apostólico de Paulo e Lucas apresenta-nos o seu discurso de despedida, uma espécie de testamento espiritual que o Apóstolo dirige àqueles que, após a sua partida, terão que liderar a comunidade de Éfeso”. E recomendando aos fiéis a lê-lo novamente, ele enfatizou: "É uma maneira de entender como o apóstolo se despede e também como os presbíteros hoje devem se despedir e também como todos os cristãos devem se despedir. É uma página muito linda". Depois de confiar essa tarefa aos líderes de Éfeso, disse Jorge Mario Bergoglio, "Paulo os coloca nas mãos de Deus e os confia à ‘palavra de sua graça’ fermento de todo crescimento e caminho de santidade na Igreja, convidando-os a trabalhar com suas próprias mãos, como ele, para não ser um fardo para os outros, ajudar os fracos e experimentar que ‘somos mais abençoados ao dar do que ao receber’".

No momento das saudações finais, o Papa dirigiu-se em particular aos organizadores e participantes de uma conferência na Universidade Urbaniana dedicada ao Beato Padre Jerzy Popieluszko: "Agradeço-vos por manter a memória desse zeloso padre e mártir que, barbaramente assassinado pelos serviços comunistas, deu a vida pelo amor de Cristo, da Igreja e dos homens, especialmente aqueles privados de liberdade e dignidade", disse Francisco, que também lembrou que no próximo domingo na Polônia, celebra-se o dia de Oração e Ajuda à Igreja do Leste: "Recomendo a você essa importante obra e agradeço a todos os poloneses que se empenham com as Igrejas vizinhas, no espírito do amor fraterno".

Antes da audiência na Praça São Pedro, aliás, o papa havia recebido o sindicato polonês Solidanosc por seus 40 anos de fundação: "Quarenta anos atrás, São João Paulo II invocava para seus compatriotas precisamente essa presença de Deus e o sopro do Espírito Santo, exclamando: ‘Desça seu Espírito! E renove a face da terra. Desta terra!’", lembrou Francisco, que depois, citando a própria exortação apostólica Evangelii gaudium, enfatizou: "A palavra ‘solidariedade’ se desgastou um pouco e às vezes é mal interpretada, mas indica muito mais do que algum ato esporádico de generosidade". E "é uma sensibilidade à voz de irmãos e irmãs que foram privados do direito de condições dignas de trabalho, da justa recompensa necessária ao sustento da família, da assistência de saúde ou do descanso".

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