Síria. "O Ocidente destruiu nosso país por interesse"

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16 Outubro 2019

"Se a Europa desistir de vender armas já será uma coisa boa, mas não é suficiente. Infelizmente, os EUA já venderam armas suficientes para anos; será uma catástrofe", assim falou D. Jacques Behnan Hindo, arcebispo emérito sírio-católico de Hassakeh-Nisibi, no nordeste da Síria, contatado graças à fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

A entrevista é de Paolo Rodari, publicada por la Repubblica, 13-10-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

O que a Europa deve fazer?

Itália, França, Alemanha e muitos outros países são dominados pelos Estados Unidos. Essa é a verdade. E os EUA só querem desestabilizar a região e deixar que ela se torne território do Daesh para ter acesso livre a tudo. A Europa tem medo, essas suas manobras me parecem pouco incisivas.

Os países europeus apoiam apenas os interesses dos EUA?

Eles cuidam de seus interesses sem se importar com os ideais de liberdade e democracia. O resultado é que a Síria é um país no limite. A população não aguenta mais e já foge. Desde o início da guerra na Síria, 25% dos católicos de Qamishli e 50% dos fiéis de Hassakeh deixaram o país, o mesmo ocorreu com 50% dos ortodoxos. Um êxodo destinado a aumentar.

Várias vezes você se encontrou com os líderes do Partido Democrata Curdo. Com que resultados?

Infelizmente, poucos. 10% dos curdos, aqueles que estão no comando, acreditam que podem criar uma região autônoma assim como no Curdistão iraquiano e turco. Mas nunca conseguirão, serão derrotados pela Turquia.

Vocês estão com medo?

Quando o Daesh chegou a 300 metros do arcebispado, fiquei no meu lugar e sempre o farei. Esta é a nossa terra, não temos medo, mas sentimos muita dor pelo desastre que caiu sobre nós por interesses alheios.

O que a Turquia fará?

Acredito que só queira libertar as forças do Daesh e fazer da Síria um país para os milicianos.

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