O difícil diálogo sobre a Síria

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Por: Jonas | 30 Janeiro 2014

O mediador no processo de paz para a Síria, Lakhdar Brahimi (foto), informou, ontem, que ainda não se “conquistou nenhum avanço importante”, embora tenha destacado que ao menos as negociações na Suíça continuam, após um novo dia marcado por desacordos e acusações cruzadas. Ao final do quinto dia de diálogo direto entre o governo e a oposição sírios, na cidade suíça de Genebra, Brahimi participou de uma coletiva de imprensa na qual enfatizou que “as negociações não são fáceis”.

 
Fonte: http://goo.gl/jsd4Lm  

A reportagem é publicada por Página/12, 29-01-2013. A tradução é do Cepat.

“Não aconteceu hoje, nem nos dias que passaram, nem provavelmente ocorrerá nos próximos dias”, diagnosticou o veterano mediador. Em um tom tranquilo, explicou que foi ele quem decidiu suspender a reunião da tarde de ontem para preparar a sessão da manhã, que espera que seja “melhor”. “Não se deve culpar nenhuma parte dessa posição”, pediu o mediador, que tenta alcançar um cessar-fogo em uma guerra civil que já tem quase três anos e que provocou mais de 130.000 mortes e mais de 6,5 milhões de refugiados e removidos.

Na segunda-feira, Brahimi também havia cancelado a reunião da manhã para tentar destravar o clima de confronto que havia entre a delegação do governo sírio e da oposição, representada unicamente pela Coalizão Nacional Síria. Os opositores sustentaram que o principal problema foi que a delegação governamental compareceu com uma lista de princípios para guiar as conversações, o que incomodou a oposição por considerá-la uma tentativa de impor condições e desviar o processo de seus objetivos.

Para a oposição, a principal aspiração desse processo é a criação de um órgão de governo transitório que substitua o atual governo de Bashar al-Assad, cujo partido governa a Síria há mais de meio século.

No entanto, esse objetivo, que o governo questiona ao não contemplar a saída de Bashar al-Assad, parece muito distante de se alcançar quando, além disso, a própria oposição aparece dividida e o único acordo alcançado com o governo, de viés humanitário, ainda não pôde ser realizado. Há três dias, o governo sírio se comprometeu, na mesa de negociações, em permitir a saída de mulheres e crianças da zona antiga da cidade síria de Homs - sob cerco militar -, assim como com a entrada de assistência de emergência por parte da ONU.

Brahimi garantiu, ontem, diante das câmaras de televisão, que o carregamento humanitário da ONU com alimentos e remédios para 2.500 pessoas continua esperando autorização para entrar na zona da antiga cidade do sul da Síria, perto da fronteira com o Líbano. “O comboio está pronto, continua esperando autorização para entrar. Não nos damos por vencidos e temo que é tudo o que posso dizer a respeito”, afirmou Brahimi.

A delegação síria voltou a rejeitar qualquer responsabilidade pelo bloqueio em Homs e sua crescente crise humanitária, e pediu garantias à ONU de que o comboio humanitário não cairá nas mãos das milícias insurgentes que controlam o centro da cidade. “Ainda estamos esperando garantias de que essa ajuda não irá cair nas mãos de grupos armados e grupos terroristas, mas que será para os civis, as crianças e as mulheres que estão ali”, disse o vice-chanceler sírio Faisal Makdad, após saber que Brahimi havia cancelado a reunião de ontem.

Apesar de Brahimi informar que a decisão de cancelar a segunda reunião do dia foi dele, fontes da oposição síria disseram que a quarta intervenção foi pedida pela delegação de Damasco, para analisar as propostas referentes ao futuro político do país árabe. Outras fontes próximas à negociação disseram que o diálogo foi rompido após o governo sírio divulgar um texto no qual acusou os Estados Unidos, um aliado da oposição síria, de fornecer armas aos insurgentes que combate contra Damasco.

Antes do início do quinto dia de negociações, a Frente Islâmica, uma das principais alianças da oposição armada da Síria, fez um convite aos opositores que dialogam com o governo para que abandonem a cúpula na Suíça, conhecida como Genebra II. Hasan Abud, líder da Frente Islâmica, pediu à delegação da Coalizão Nacional Síria que está na Suíça que retornem, porque os tiranos, liderados por Bashar al-Assad, não entendem outro idioma a não ser o dos bombardeios e dos disparos”. É “uma falta de respeito à vida” manter conversações como se fosse o caso de um mercado “para vender o sangue dos mártires e negociar com os massacres” dos sírios, disse Abud, em uma mensagem de áudio divulgada pela Internet.

Na semana passada, antes do início da conferência, a Frente Islâmica havia rejeitado qualquer solução política, enquanto não se cumprir uma série de condições. Esses requisitos são a libertação de prisioneiros, a interrupção do bloqueio das áreas assediadas, o fim dos bombardeios do exército, a retirada do governo, a saída do país de todas “as milícias sectárias” e garantias para que não haja intervenções estrangeiras após a derrubada de Bashar al-Assad. Exceto o acordo humanitário preliminar em Homs, as negociações em Genebra não conseguiram avançar em nenhuma destas reivindicações.

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