Amazônia, os pecados ecológicos são pecados graves. “O papel da mulher deve ser reconhecido concretamente”

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11 Outubro 2019

“Como podemos pensar que esse golpe ao ecossistema, que violou a vida das pessoas que vivem lá, para a construção de uma usina hidrelétrica, da qual não precisamos, pode ser apresentado como desenvolvimento e energia limpa?”.

A reportagem é de Stefania Falasca, jornalista, que trabalha no jornal italiano Avvenire, e co-autora, juntamente com Lucia Capuzzi, do livro Frontiera Amazzonia. Viaggio nel cuore della terra ferita (Fronteira Amazônia. Viagem ao coração da terra ferida, em tradução livre), publicada por Avvenire, 10-10-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eleva-se clara e forte a voz de Erwin Kräutler, bispo prelado emérito de Xingu, quando fala da tragédia que atingiu sua diocese: a da barragem de Belo Monte no rio Xingu, a segunda maior usina hidrelétrica do Brasil e a quarta maior no mundo pela capacidade instalada, que transformou e destruiu para sempre o meio ambiente e as populações indígenas e fluviais que ali viviam. O bispo brasileiro fala em termos inequívocos de "ecocídio", de "pecados ecológicos", em detrimento da Criação, no briefing de ontem sobre o Sínodo sobre a Amazônia.

"Sim, conversamos sobre esses pecados", relata o prefeito do Dicastério da Comunicação, Paolo Ruffini, referindo-se aos temas abordados durante a quarta Congregação Geral do Sínodo. "Pecados graves porque ofendem a Deus e ao homem", disse o prefeito, referindo-se ao que emergiu da assembleia sinodal: "Que a Igreja faça ouvir a sua voz em defesa dos povos indígenas oprimidos da Amazônia e, ao mesmo tempo, faça com que se compreenda a importância dos chamados pecados ecológicos, entre os quais o ecocídio”.

De fato, os Padres sinodais pediram "uma conversão ecológica que faça perceber a gravidade do pecado contra o meio ambiente como pecado contra Deus, contra o próximo e as gerações futuras". Disso deriva a proposta de aprofundar e disseminar uma literatura teológica que inclua, junto com os pecados tradicionalmente conhecidos, os "pecados ecológicos". Os Padres sinodais, entre outros temas, abordaram também a questão da saúde integral da Amazônia, lembrando as idolatrias colonialistas do passado e do presente, de um modelo de desenvolvimento capitalista que está destruindo a região e de um desenvolvimento eco sustentável de como a tecnologia possa ser uma possibilidade para novos modelos de desenvolvimento, porque interessa a todos "superar a cultura da irresponsabilidade e não viver como donos, mas como hóspedes em respeito à nossa casa comum" - disse Ruffini.

O famoso cientista brasileiro Carlos Alfonso Nobre, por sua vez, reiterou como a Amazônia tenha "um papel determinante para o futuro da sustentabilidade do nosso planeta, mas infelizmente estamos muito próximos de um colapso". Um fato, acrescentou, sobre o qual a comunidade científica agora concorda. "O ciclo de decomposição da floresta, destinada a se tornar uma savana, é irreversível - continuou Nobre -. Agora estamos em 20% de desmatamento, ou seja, próximos ao ponto de não retorno, com as taxas de desmatamento e queimadas aumentando, como também vimos recentemente”. Diante desse quadro da ciência, para Nobre a tecnologia, se não se tornar tecnocracia, pode ser de grande ajuda. Devemos implementar conhecimentos de acordo com um novo modelo de economia sustentável descentralizada que possa ajudar as populações locais. É nossa contribuição científica para o Sínodo", afirmou, mostrando o documento ad hoc distribuído na assembleia.

Nobre definiu o "negacionismo científico" como uma “grave ameaça, mas não vem da maioria da população do mundo, que respeita a voz da ciência. É uma cota muito pequena, não da população, mas dos representantes daqueles interesses econômicos que dominaram nesses anos”.

Quanto à presença da Igreja, o bispo Kräutler disse que havia encontrado o papa antes da redação de Laudato Si' e lhe havia proposto três pontos: as ameaças à Amazônia, as suas possibilidades de destruição; as condições das populações indígenas; a questão da Eucaristia, isto é, o fato de existirem milhares e milhares de comunidades na Amazônia que não tem a Eucaristia, a não ser uma, duas ou três vezes por ano. "É um povo excluído do contexto da Igreja Católica. João Paulo II dizia que a Igreja não existe a não ser perto de um altar. Esse povo não tem altar: queremos que ele tenha não apenas a mesa da Palavra, mas também a mesa da Eucaristia. Que possibilidades existem para chegar ao sacerdócio? Até hoje, apenas para um homem celibatário”. "Dois terços das comunidades amazônicas que estão sem sacerdotes são dirigidas e coordenadas por mulheres - destacou o prelado -. Fala-se muito sobre a valorização das mulheres, mas o que isso significa? Elas precisam de reconhecimento concreto".

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