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06 Setembro 2019

Grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele disse: «Se alguém vem a mim, e não dá preferência mais a mim que ao seu pai, à sua mãe, à mulher, aos filhos, aos irmãos, às irmãs, e até mesmo à sua própria vida, esse não pode ser meu discípulo. Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo.

De fato, se alguém de vocês quer construir uma torre, será que não vai primeiro sentar-se e calcular os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, lançará o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso, começarão a caçoar, dizendo: ‘Esse homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’

Ou ainda: Se um rei pretende sair para guerrear contra outro, será que não vai sentar-se primeiro e examinar bem, se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? Se ele vê que não pode, envia mensageiros para negociar as condições de paz, enquanto o outro rei ainda está longe.

Do mesmo modo, portanto, qualquer de vocês, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo.

Leitura do Evangelho segundo Lucas 14,25-33 (Correspondente ao 23º Domingo do Tempo Comum, ciclo C do Ano Litúrgico).

 

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado. 

Uma decisão pessoal

Jesus continua ensinando as pessoas que o acompanham e apresentando assim as condições para segui-lo e ser seu discípulo. Ele não minimiza as condições necessárias para seu seguimento, pelo contrário, as apresenta com total sinceridade e clareza.

O trecho do Evangelho sobre o qual se medita hoje começa com um grande grupo de pessoas que acompanham Jesus. Ele olha o grupo e diz: “Se alguém vem a mim...” e assim continua expressando as condições para estar junto dele. Ele não quer que as pessoas estejam ao seu lado simplesmente pelo fato de seguir a multidão ou pela busca de ver ou experimentar um milagre. Ele procura que as pessoas não se enganem ou fiquem decepcionadas. Por isso seu projeto é apresentado com muita honestidade. Escolher o Reino não é optar por um caminho de facilidade, mas sim aceitar percorrer um caminho de entrega e dom da própria vida.

Assim ele coloca três condições fundamentais para seu seguimento. Num primeiro momento ele disse que para segui-lo é preciso dar preferência a ele mais do que aos vínculos familiares, seja o pai, a mãe, os irmãos, as irmãs, filhos e filhas.

Jesus acrescenta: “até mesmo à sua própria vida”. A mensagem do Reino que ele apresenta deve ter a primazia sobre as pessoas que amamos, sejam familiares, amigos/as, e sobre os nossos interesses pessoais e egoístas. A prioridade está no Reino e em todas as pessoas sem distinção, priorizando os mais pobres e necessitados. Em função delas somos convidados a viver e disponibilizar nossa vida ao serviço do Reino. Fazer, assim, da vida um dom de amor, imitando o caminho que viveu Jesus.

Jesus conclui esta segunda condição com uma frase que, para os cristãos a quem se dirige Lucas no seu evangelho, tinha um importante significado: Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. No contexto social da época de Jesus o castigo da crucifixão era visto com profundo horror. O condenado devia carregar sua própria cruz, combinando assim elementos de vergonha e desonra, como aconteceu com Jesus no seu caminho ao calvário onde foi condenado. A morte na cruz era considerada pelos romanos a morte mais cruel e indigna que estava prevista para os grandes delitos contra a sociedade e o império. Jesus fala da necessidade de carregar cada dia a cruz, que significa estar disposto a suportar, se necessário, o desprezo ou a vergonha pelo fato de ser cristão, e inclusive a morte!

Que pensaria cada uma das pessoas que escutava Jesus falar dessa forma? Jesus convida a segui-los, mas as condições que ele apresenta são bastante exigentes. É preciso ter uma profunda decisão pessoal para segui-lo sendo conscientes do final ao qual podemos ser chamados a viver. É uma eleição que exige toda nossa atenção e decisão. Para ser cristãos é preciso fazer uma opção pessoal! Jesus recomenda pesar bem as consequências da opção pelo Reino!

Como disse o Papa Francisco, “Jesus veio para colocar em crise – mas de modo saudável – a vida dos seus discípulos, desfazendo as fáceis ilusões daqueles que acreditam poder conjugar vida cristã e mundanidade, vida cristã e acordos de todo gênero, práticas religiosas e atitudes contra o próximo”. E continua, “É bom dizer-se cristãos, mas é preciso antes de tudo ser cristãos nas situações concretas, testemunhando o Evangelho, que é, essencialmente, amor por Deus e pelos irmãos”. 'Dizer-se cristão não é o mesmo que ser cristão, é preciso coerência', afirma o Papa Francisco.

Ainda que possa parecer quase impossível, são muitas as pessoas que hoje vivem entregando sua vida em favor dos mais pobres, sem se preocupar com o sofrimento que isto pode trazer. Como acontece com tantos e tantas ativistas em defesa dos direitos humanos, como foi Rosane Santiago Silveira, lutadora das causas ambientais, culturais e de direitos humanos, brutalmente torturada e assassinada no sul da Bahia, na cidade de Nova Viçosa, no dia 29 de janeiro. Ativista de causas ambientais é brutalmente torturada e assassinada em Nova Viçosa (BA) 

A proposta de Jesus foi muitas vezes proclamada como uma contínua renúncia a tudo aquilo que uma pessoa ama, como se fosse necessário dar sempre preferência ao sacrifício, ao sofrimento, às dificuldades. Mas Jesus propõe vida e uma Vida em abundância!  Isto somente é possível se há uma profunda liberdade interior e não ficamos amarrados nos nossos mesquinhos projetos que só procuram escassos objetivos.

Neste domingo somos convidados, pessoal e comunitariamente, a repensar nossa opção no seguimento de Jesus e quais são as condições que hoje Ele nos apresenta para segui-lo e ser seu discípulo/a.

Oração

Cruz

Uma meta a longo prazo 
nos exige esforço
duro e prolongado.
Mas um cálculo 
nos dá a confiança de que vale a pena.
talvez a cruz 
seja somente um investimento.

Por amor a outra pessoa,
sacrificamos com gosto
tempo, força e dinheiro.
A cruz se chama
solidariedade com o outro
que sinto de algum modo
parte de mim mesmo.

Um golpe repentino,
pode fulminar-nos em um instante,
e nossa existência
fica ferida sem remédio.
Perde-se a saúde,
um ser querido,
ou a estima pública.
Arranca-se um galho verde,
uma parte viva do eu.
Quando esta mutilação
encontra seu repouso,
a cruz se chama
aceitação

Existe a cruz livre
a que escolho
aquela da qual não fujo.
Mas uma vez nela pregado
já não posso descer
quando quero.
Entregam-se
os projetos aos cravos
a fantasia aos espinhos
o nome aos rumores
os lábios ao vinagre
e os bens à partilha.
Aqui a cruz se chama
fidelidade ao amor no amor,
que é canto e fortaleza
ressuscitando pela ferida.

Benjamin González Buelta
Salmos para sentir e saborear internamente as coisas 

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