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Por: MpvM | 23 Agosto 2019

"Hoje vivemos também um momento de incertezas e conflitos. A pergunta que todos devemos fazer é: Que resposta nossa religião nos leva a dar? Vamos nos fechar em ritos e devoções ou vamos assumir um compromisso na prática? Quais nossas atitudes diante de problemas concretos: esperamos uma solução espiritual ou nossa fé nos leva a agir?

"O evangelho de hoje nos ajuda a aprofundar este questionamento. Durante sua atividade missionária e catequética, Jesus encontrou alguém que lhe fez a seguinte pergunta: “São poucos os que se salvam”?

Para responder isso, é necessário, antes, refletir sobre o que significa “salvação”. 

A reflexão é de Rita de Cácia Ló.  Ela é leiga, graduada em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana (2006) e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (2006). Atualmente é professora de estudos bíblicos na Escola de Teologia e Espiritualidade Franciscana – ESTEF, de Porto Alegre/RS.

Referências bíblicas
1ª Leitura - Is 66,18-21
Salmo - Sl 116,1.2 (R.Mc 16,15)
2ª Leitura - Hb 12,5-7.11-13
Evangelho - Lc 13,22-30

1a leitura: Isaías 66, 18-21

A primeira leitura é tirada da terceira parte do livro de Isaías. A terceira parte deste livro não é original do profeta Isaías, mas traz uma coleção de profecias anônimas, que foram colocadas naquele livro para que não se perdessem. Que bom, não é mesmo?

Então, o profeta que proclamou e escreveu o trecho que escutamos viveu mais ou menos 500 anos antes de Jesus, em Jerusalém. Foi o período chamado de pós-exílio. Para entender isso, é preciso voltar ainda mais no tempo. Em 587 antes de Cristo, o país de Judá foi invadido pelos exércitos da Babilônia e uma parte da população foi deportada para a cidade da Babilônia, ou como às vezes dizemos, Babel. Esta situação só mudou 50 anos depois, quando a Pérsia derrotou a Babilônia e o imperador Ciro autorizou os deportados a voltar a Jerusalém.

A volta poderia ter sido causa de grande alegria, mas foi dolorosa: os judeus que tinham ficado em Jerusalém não aceitaram nada bem os deportados que voltaram. A comunidade judaica começou a viver conflitos internos, isto é, conflitos entre os membros da própria sociedade. Os conflitos basicamente são dois: um econômico e outro religioso. O conflito de razão econômica tem a seguinte causa: quem ficou na terra teve uma vida muito dura e permaneceu pobre, mas quem foi para a Babilônia enriqueceu e voltou com dinheiro no bolso. O conflito religioso aconteceu porque cada um dos lados achava que era ele o verdadeiro povo de Deus e que o outro lado tinha deixado de ser. Ninguém sabia como lidar com esses conflitos e o medo de errar fez com que escolhessem um caminho que consideraram o mais simples e seguro, isto é, retomar as antigas práticas religiosas: os sacrifícios e as devoções. O medo era tanto que levou a um fechamento religioso e ao mesmo comportamento que os antigos profetas já haviam condenado: excesso de ritos, mas falta de solidariedade; muita atenção às prescrições do culto, mas, na vida do dia a dia, opressão, discriminação e injustiças. Isso gerou na comunidade judaica a ideia de que os judeus eram os únicos amados por Deus e que só eles receberiam as bênçãos e a salvação.

Hoje vivemos também um momento de incertezas e conflitos. A pergunta que todos devemos fazer é: Que resposta nossa religião nos leva a dar? Vamos nos fechar em ritos e devoções ou vamos assumir um compromisso na prática? Quais nossas atitudes diante de problemas concretos: esperamos uma solução espiritual ou nossa fé nos leva a agir?

Evangelho: Lucas 13,22-30

O evangelho de hoje nos ajuda a aprofundar este questionamento. Durante sua atividade missionária e catequética, Jesus encontrou alguém que lhe fez a seguinte pergunta: “São poucos os que se salvam”?

Para responder isso, é necessário, antes, refletir sobre o que significa “salvação”. No evangelho de Lucas, salvação não é simplesmente ir para o céu depois de morto. A salvação começa já aqui neste mundo, quando vivemos a paz, a vida, a esperança. Tudo o que queremos viver lá no reino do céu, somos convidados a fazer acontecer já aqui neste mundo. Podemos dizer que emprego, salário justo, moradia, saúde e educação são sinais de que a salvação começou a acontecer entre nós. Quando essas coisas não acontecem, é porque a salvação está longe. O perigo, então, é cada um querer se salvar sozinho.

Por isso, Jesus, ao invés de dar uma resposta pronta ou de falar de quantidades, ele dá uma resposta que faz pensar. Ele usa imagens conhecidas: porta estreita, comer e beber, dono da casa. O dono da casa é Deus; comer e beber são ações ligadas à religião judaica nos tempos de Jesus; a porta estreita é a atitude de quem não tem uma religião acomodada.

Jesus começa sua resposta exatamente alertando contra a tentação de cada um garantir sua própria vantagem. É o que ele afirma quando diz “Fazei todo esforço para entrar pela porta estreita”. Jesus sabe que a maioria das pessoas prefere a porta larga, isto é, o que é mais cômodo, prático e lucrativo. A porta estreita é a porta do compromisso com o próximo e com a sociedade. Sem isso, é impossível estar verdadeiramente comprometido com Deus. Por isso, Jesus alerta contra o engano de pensar que é possível amar diretamente a Deus sem a necessidade de amar ao próximo. Jesus fala de gente que “comeu e bebeu na presença de Deus”, mas que Deus rejeita dizendo “Não sei quem vocês são”. Mais ainda, Jesus diz que as pessoas que têm uma religião fechada em si mesma e preocupada com ritos e devoções, mas que não se abrem para o próximo, são “praticantes da injustiça”.

Hoje celebramos o “dia do catequista”. Os catequistas têm uma grande missão na Igreja: educar de forma continuada e sempre mais profunda aqueles que se sentem atraídos pela proposta de Jesus. Como o profeta anônimo da primeira leitura, os catequistas têm a importante tarefa de indicar o caminho de Deus para crianças, jovens e adultos que vivem as inquietações da vida cotidiana. É deles que o profeta fala quando escreve que muitos irão para ilhas distantes e países desconhecidos para anunciar a glória de Deus? Onde é esta ilha distante? Onde é este país desconhecido? É a nossa paróquia. E quem são esses que vão até lá, com entusiasmo, anunciando a glória de Deus? Os nossos catequistas!

Mas os catequistas são também continuadores do anúncio que Jesus fez. Como Jesus, os catequistas são chamados a questionar os que buscam uma religião de comodismo e com respostas simples e imediatas; a fidelidade à missão pode levar os catequistas a incomodar cristãos que desejam uma religião interessada somente em milagres. Por isso, muitas vezes os catequistas sofrem oposição e recusa. Para muitos homens e muitas mulheres, o compromisso com a catequese é a porta estreita de que Jesus fala.

Que neste dia dos catequistas, rezemos para que os catequistas de nossas paróquias não se cansem nem desanimem, e que tenhamos atitudes positivas de encorajamento e gratidão. Que nossas paróquias e comunidades sejam reconhecidas e agradecidas a tantos cristãos leigos e leigas que dedicam parte de seu tempo e de suas energias para a catequese.

A todos e todas catequistas, que Deus abençoe e recompense todo o tempo e a dedicação ao anúncio do Reino de Deus.

Coragem, catequistas... Vamos em frente com a força de Jesus ressuscitado!

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