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14 Agosto 2019

Silvio Pedrosa

"Por que nos causa desconforto a sensação de estar caindo? A gente não fez outra coisa nos últimos tempos senão despencar. Cair, cair, cair. Então por que estamos grilados agora com a queda?

(...)

Em 2018, quando estávamos na iminência de ser assaltados por uma situação nova no Brasil, me perguntaram: 'Como os índios vão fazer diante de tudo isso?'. Eu falei: 'Tem quinhentos anos que os índios estão resistindo, eu estou preocupado é com os brancos, como que vão fazer para escapar dessa?'. A gente resistiu expandindo a nossa subjetividade, não aceitando essa ideia de que somos todos iguais. Ainda existem aproximadamente 250 etnias que querem ser diferentes das outras no Brasil, que falam mais de 150 línguas e dialetos.

(...)

Cantar, dançar e viver a experiência mágica de suspender o céu é comum em muitas tradições. Suspender o céu é ampliar o nosso horizonte; não o horizonte prospectivo, mas um existencial. É enriquecer as nossas subjetividades, que é a matéria que este tempo em que nós vivemos quer consumir. Se existe uma ânsia por consumir a natureza, existe também uma por consumir subjetividades - as nossas subjetividades. Então vamos vivê-las com a liberdade que formos capazes de inventar, não botar ela no mercado. Já que a natureza está sendo assaltada de uma maneira tão indefensável, vamos, pelo menos ser capazes de manter nossas poéticas sobre a existência. Definitivamente não somos iguais, e é maravilhoso saber que cada um de nós que está aqui é diferente do outro, como constelações. O fato de podermos compartilhar esse espaço, de estarmos juntos viajando não significa que somos iguais; significa exatamente que somos capazes de atrair uns aos outros pelas nossas diferenças, que deveriam guiar nosso roteiro de vida. Não isso de uma humanidade com o mesmo protocolo. Porque isso até agora foi só uma maneira de homogeneizar e tirar nossa alegria de estar vivos."

Ailton Krenak, Ideias para adiar o fim do mundo, 2019, pp. 30-33.

 

Caio Almendra

Com a saída de Alexandre Frota do PSL e a reconstrução do PSDB pelo Dória, começa um dos movimentos mais naturais e abomináveis do pós-eleição de Bolsonaro: a formação da "extrema-direita moderada".

Se a extrema-direita está no poder, o centro político mudou de lugar. Logo, surge espaço para críticas aos "excessos" do governo. Essa posição política e muitíssimo parecida com a do Bolsonaro, na verdade, mas busca fingir-se menos radical.

Se está ruim agora, imagina quando chegar aquela eleição onde um segundo turno "Dória vs Bolsonaro" seja possível, um dizendo que tem que torturar suspeitos de tráfico e outro dizendo que tem que torturar, só que mais devagarinho?

Uma coisa, porém, não mudará: alguém irá para sua timeline dizer "precisamos votar no mal menor".

 

Erick Felinto

Não adianta, gente. Desistam. Bolsonaro pode destruir completamente a cultura, a educação, os povos indígenas, o meio ambiente, a reputação internacional do país - como, aliás, está fazendo com grande competência - que esses caras vão continuar acreditando que estamos vivendo no melhor dos mundos possíveis. Se você achava que petista fanático era chato e cego, experimenta bolsonarista raiz...

 

Caio Almendra

A coluna de hoje do Pablo Ortellado tem uma crítica importante, "não devemos constranger os arrependidos da base de apoio (aqui, é BASE DE APOIO e não figurões...)".

Mas ela nasce de três erros de concepção. O primeiro é não perceber que essa disputa de identidades é um jogo de dois lados, ou seja, que o bolsonarismo também se fortalece a partir de um reforço de identidade. E, aí, fica a pergunta: por que Bolsonaro vence?

A outra questão é uma que já debati: Bolsonaro conseguirá governar com uma base de apoio pequena e mais radical, quer por haver uma abertura política, quer por haver uma abertura técnica a essa possibilidade. Sobre o tema, tem um texto meu nos comentários.

Por fim, e mais relevante, a tese central é de que há uma hipertrofia da identidade... e, para quem lê, parece que Ortellado a considera fenômeno espontâneo, sem causa. Ora, a hipertrofia da identidade é relativa a um ponto determinado. Para mim, está claro que a identidade está ou parece hipertrofiada porque algo está atrofiado. No caso, a atrofia é do programa político da esquerda, encurralado dentro do possibilismo em um mundo onde cada vez mais tudo é impossível.

Em outras palavras, como faltam propostas cuja defesa sejam negativo-positivo para o "ser esquerda", ou seja, coisas que ao defender estamos na esquerda e ao sermos contra estamos na direita, o que resta é a autodeclaração e a identidade. Isso acontece, entre outras, porque o campo das propostas de esquerda está assombrado pelas impossibilidades("é impossível aumentar impostos sobre os mais ricos", "é impossível não fazer uma reforma da previdência", "é impossível defender os direitos das minorias em um país tão conservador" e etc, etc, etc).

Tem algo de certo ali, algo que ele notou e que tem todo sentido de ser criticado. Mas ele olhou o sintoma, beliscou um tratamento sintomático e errou completamente as causas.

P.S.: Se alguém quiser ver uma obra verdadeiramente boa sobre esse tema, vale assistir ao episódio Doubling Down de South Park. E, sim, estou comparando uma coluna política com um episódio de desenho animado.

 

Gustavo Gindre

No auge da disputa sobre a digitalização da TV aberta, quando o governo Lula deu indícios de que iria comprar essa briga (o que depois não ocorreu), várias vezes o então vice-presidente de relações institucionais da Globo, Evandro Guimarães, me provocava dizendo: um dia vocês ainda vão defender a Globo contra o capital estrangeiro.

Obviamente era uma provocação, mas ele sabia o que estava falando.

Em alguns anos não haverá mais Abril, Folha, Estadão, SBT, Bandeirantes, RedeTV e RBS. E a Record estará lutando para sobreviver com o dinheiro da IURD.

Nós teremos os grandes grupos de mídia dos Estados Unidos: Disney, Warner, Universal, Sony e Viacom.

A galera da Internet: Netflix, Google, Amazon, Facebook e Apple.

E a Globo, que será a única de capital nacional.

 

André Aroeira

"Os produtores estão enganados. Os produtores estão alegres hoje e poderão chorar amanhã. (...) Eu tinha um discurso radical, para o lado dos meus. Tenho muito orgulho de ter evoluído. Meu pensamento estava dentro de uma caixinha: ‘isso é ambientalista que quer destruir a agricultura brasileira, que já destruiu suas matas’. Aquela coisa decorada. E não tem nada a ver. Abri meus olhos e aprendi o quanto a Amazônia era importante para garantir as chuvas no sul e centro do Brasil. Aprendi sobre a importância das Áreas de Preservação Permanente (APPs), que são vitais para manter as nascentes dos rios. Como é que você vai cobrar de uma Europa, que é milenar, que passou por duas guerras, fome e tudo mais e dizer que destruíram o meio ambiente? É um pouco forte demais. Isso é passado

(...)Bolsonaro está se comportando como antimercado. Hoje, as empresas mais valorizadas na bolsa tem um componente fortíssimo tecnológico e de sustentabilidade. Todo mundo já incorporou isso como necessidade, e não como uma coisa de politicamente correto. Quem é que não está vendo, mais do que nós, agricultores, que as chuvas mudaram, a temperatura mudou, rios que não secavam antes, que eram perenes, e hoje secam? Quem nega isso está fora da realidade. O presidente precisa entender que meio ambiente e agronegócio não são uma questão gastrointestinal.."

Estou absolutamente embasbacado com a última entrevista da Kátia Abreu, dizendo o óbvio: nós, cientistas e ambientalistas, sempre estivemos certos.

Uma pena ela ter descoberto isso uns 7,10 anos depois de ter tornado a bancada ruralista o monstro que é e de ter contribuído decisivamente para destruir o código florestal, que tantas consequências nefastas está e continuará trazendo.

 

Gustavo Gindre

Tem uma coisa que me irrita muito em uma parte considerável das análises de esquerda: misturar análise factual com o desejo moral.

Por exemplo, outro dia eu escrevi que não tenho dúvidas de que haverá um dia onde as grandes potências virão aqui intervir na questão ambiental.

Ai teve gente dizendo que isso é injusto porque elas destruíram seu próprio meio-ambiente e colaboram, inclusive, para a própria crise ambiental do Brasil.

Mas quem falou que é justo? E desde quando algo precisa ser justo pra acontecer?

Ou quando as vezes eu falo sobre o futuro da Globo vejo gente dizendo que ela vai quebrar. Por que? Porque a pessoa não concorda com a Globo, então a Globo TEM que quebrar.

Esse tipo de análise acaba nos desarmando para entender a realidade que nos cerca. Foi isso, por exemplo, que fez muita gente bem intencionada brigar comigo achando que Lula seria mesmo o candidato em 2018. Por que? Porque essas pessoas achavam que isso era o correto a ser feito. E aí misturam a sua crença no correto com a realidade dos fatos.

Essas análises são boas para acalmar os nervos, mas são péssimas como análises.

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