O muro de Trump e o aplauso das mídias

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30 Julho 2019

Primeiro a desviou para a direita com a nomeação de dois juízes amigos e depois, como resultado, ele twittou como sempre: “Uau! Uma grande vitória". Donald Trump inaugura a campanha eleitoral para as próximas eleições presidenciais, aproveitando o sim da Suprema Corte para o uso dos fundos do Pentágono para a construção do muro anti-imigrantes ao longo da fronteira mexicana. Cinco juízes a favor, quatro contra, mas o que importa é o consenso das mídias sociais que supera a realidade com um vocabulário pouco elaborado, zero de aprofundamentos e análises mais pífias ainda. Dois bilhões de dólares do Pentágono servirão para "apenas" 160 quilômetros de muro dos milhares prometidos.

O comentário é de Alberto Bobbio, publicado por Eco di Bergamo, 29-07-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

E, no entanto, as mídias sociais enlouqueceram assim como o presidente queria, à procura constante do consentimento irracional, enraivecido e incorreto. A política é puro instinto, continua a repetir Trump. O fato de que tenham se alinhado cinco dos nove "doutos" da Suprema Corte também não depõe a favor da democracia nos Estados Unidos. Mas basta um "uau" para derrotar todo raciocínio. O Muro de Trump substitui o Muro de Berlim, trinta anos depois, com o mesmo impacto visual. São as trágicas reviravoltas da história, das quais ninguém nunca aprende nada. Da mesma forma que se morria em Berlim para passar pelo Muro, as pessoas continuarão morrendo ao longo da fronteira mexicana. Muros que se levantam, navios que são bloqueados, slogans simplórios demais como aquele vamos-ajudá-los-na-casa-deles, repetidos como um mantra enquanto são zerados os fundos para a cooperação, são escolhidas políticas inspiradas pelo princípio da dissuasão, bastante popular e decisiva na formação do consenso. E um “uau” é suficiente, naturalmente apresentado nas várias línguas, para justificar a ênfase no controle e esconder todas as outras atrocidades humanas e institucionais.

A ninguém importa que com os muros e os navios parados a hecatombe não será interrompida. Lembram-se de Oscar, o pai e Valeria, a filha, com o rosto na lama? Lembram-se do pequeno Alan na areia de uma ilha grega? A indignação, nem mesmo de todos, durou um instante. Naufrágios e desaparecidos são o dano colateral normal do custo da dissuasão. Porque os traficantes de seres humanos não tiram férias nem fazem uma pausa se os Estados cancelam o socorro no mar. Mas os números desmentem o "uau" planetário.

Dois anos atrás com missões organizadas e navios de ONGs a taxa de mortalidade no Mediterrâneo era de 1 para 38. No ano passado, com quase todos parados, subiu para 1 para 14 e este ano já 904 foram mortos no mar, número destinado a subir. A Comunidade de Sant'Egidio, que elaborou dados de várias fontes, contabiliza 38.000 mortes no Mediterrâneo nos últimos trinta anos. Ninguém jamais irá parar as migrações, porque a mobilidade humana, interna e externa, é o único verdadeiro fator de desenvolvimento em cada país. A história italiana, mas também a história norte-americana, prova isso. As leis sobre a imigração deveriam regular a liberdade de migrar, facilitando-a com corredores específicos e seguros.

Hoje, em vez disso, o consenso vai para as políticas de fechamento de fronteiras e expulsão sistemática, políticas suicidas, mas com alto aplauso nas mídias sociais. As opiniões públicas nos países ricos acreditam que uma política "bem administrada" é aquela que bloqueia mulheres e homens, mas não restringe o movimento de capitais e mercadorias. E não importa como devam ser bloqueados, se for com um muro ou com o desrespeito pela lei do mar. A indignação e a piedade desapareceram porque os estrategistas de consenso conseguiram despersonalizar o contexto e anular qualquer reflexão sobre as próprias ações e os próprios pensamentos. Apenas Bergoglio convida à resistência. Mas para quase todos os imigrantes não são seres humanos, mas um problema e eu naturalmente não sou racista: "Uau!".

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