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16 Julho 2019

“A impressão 3D é uma das tendências tecnológicas com maior projeção de impacto econômico-produtivo. Sua capacidade de nos permitir traduzir nossas ideias e projetos em objetos concretos, independentemente de sua complexidade, revela grandes mudanças no futuro em praticamente todos os ambientes sociais, culturais e de trabalho”, escreve Mario Ramón Duarte, colaborador do Centro de Estudos em Geopolítica e Relações Internacionais - CENEGRI, em artigo publicado por Alai, 08-07-2019. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Ultimamente, nos meios de comunicação, se fala muito sobre o potencial das tecnologias de impressão 3D: desde a impressão de próteses e casas até a impressão de drones e órgãos para transplantes, as possibilidades dessas tecnologias parecem cada vez maiores. E enquanto muitos desses desenvolvimentos ainda estão em fase experimental e muito incipientes, ninguém duvida que algum dia, nas próximas décadas, a impressão 3D terá enormes impactos na economia, geopolítica, cultura e outras áreas. A essa altura, pode parecer muito irracional perguntar por que precisamos de impressoras 3D?

No entanto, por que precisamos delas? Por que não podemos simplesmente pedir para que a madeira se monte em uma mesa ou que os tijolos se fixem em um prédio? Por que sempre precisamos de fábricas, ferramentas, máquinas ou impressoras 3D para transformar a matéria-prima em produtos que queremos ter? Por que a matéria-prima não se transforma sozinha?

Essa pergunta pode parecer louca ou impossível, mas se pensarmos sobre como a natureza funciona, vemos que isso não é algo raro, mas algo totalmente natural e comum. Após o momento de concepção de um ser vivo, as células embriogênicas se conectam e se formam por si mesmas. A matéria-prima universal, as células-tronco, se diferenciam e se interconectam automaticamente, formando órgãos, tecidos e outros elementos do corpo. Cada célula sabe exatamente para onde ir, o que fazer e como se interconectar, sem ter uma impressora 3D que a posicione em uma configuração necessária. Por que nossa tecnologia não pode funcionar assim? Por que não podemos dizer a uma bolsa de insumos para que forme uma mesa?

Não podemos fazer isso porque nossa tecnologia ainda é muito primitiva, até mesmo as impressoras 3D mais avançadas movem a matéria-prima em pedaços de trilhões de átomos. No que diz respeito aos blocos da natureza, nossa tecnologia é muito maior. Diferentes dos materiais de construção biológicos, as células, nossos materiais são mortos ou estúpidos. O tijolo não sabe onde está ou o que está acontecendo ao seu redor. A madeira é uma árvore que em algum momento perdeu sua vida para ser um insumo para nossa indústria. E se olharmos para os nossos produtos com um microscópio eletrônico, veremos que nada acontece no seu interior, apenas trilhões de moléculas mortas vibrando em silêncio.

A impressão 3D é uma das tendências tecnológicas com maior projeção de impacto econômico-produtivo. Sua capacidade de nos permitir traduzir nossas ideias e projetos em objetos concretos, independentemente de sua complexidade, revela grandes mudanças no futuro em praticamente todos os ambientes sociais, culturais e de trabalho.

A impressão 3D é um grupo de tecnologias de fabricação por adição, onde um objeto tridimensional é criado pela sobreposição de camadas sucessivas de material. Impressoras 3D são geralmente mais rápidas, mais baratas e mais fáceis de usar do que outras tecnologias de fabricação por adição, mas como qualquer processo industrial, estarão sujeitas a um compromisso entre seu preço de aquisição e a tolerância nas medições de objetos produzidos.

As impressoras 3D oferecem aos desenvolvedores de produtos a capacidade de imprimir peças e montagens feitas de diferentes materiais, com diferentes propriedades físicas e mecânicas, geralmente com um processo de montagem simples. As tecnologias avançadas de impressão 3D podem até oferecer modelos que podem servir como protótipos de produtos.

Desde 2003, tem havido um grande crescimento na venda de impressoras 3D. Por outro lado, o custo das mesmas foi reduzido. Essa tecnologia também se encontra em uso em campos como o de joias, calçados, design industrial, arquitetura, engenharia e construção, indústria automotiva e aeroespacial, indústrias médicas, educação, sistemas de informações geográficas, engenharia civil e muitos outros.

Já se passaram alguns anos desde que a tecnologia de impressão 3D foi incorporada como uma forma a mais de fabricar objetos, desde pequenas peças até grandes construções. Junto com os avanços em maquinário, suprimentos e software necessários para imprimir em 3D, há um notável crescimento de postos de trabalhos efetivos vinculados com essa tecnologia.

Não há um título específico que habilite para manejar todo o processo. São muitas as carreiras e conhecimentos associados que permitiriam que uma pessoa se dedicasse a um dos muitos elos da cadeia que engloba a impressão 3D. Mas, além do que se estude, para chegar efetivamente a trabalhar em um deles, o essencial será a curiosidade, a experiência acumulada, a capacidade de aprendizado contínuo e a capacidade de adaptação às rápidas mudanças tecnológicas.

Por um lado, se requer pessoas capacitadas que forneçam o serviço de impressão 3D das peças desenhadas por outras pessoas e que são baixadas dos sites on-line. Além do bom manuseio de máquinas e materiais, esse trabalho requer conhecimento de desenhos por computador, já que os modelos precisam ser adaptados e preparados para cada impressão em particular.

Por outro lado, sendo essencialmente fundamental, deve haver pessoas que criam as impressões 3D. Além do grau universitário que essas pessoas têm, seu sucesso dependerá de sua capacidade de vislumbrar, criar, testar e aperfeiçoar cada pequena parte que integra o conjunto de uma máquina.

Outro elo é destinado aos engenheiros com experiência em desenho e fabricação aditiva para aplicar a impressão 3D em distintas áreas de fabricação, vinculadas com a indústria automotiva, da construção, da medicina e da aeronáutica, entre outras.

Também é fundamental o trabalho de químicos e físicos capazes de desenvolver e melhorar materiais adequados para impressão 3D. A expansão dessa tecnologia está abrindo cada vez mais campos de aplicação, por isso é necessário criar, testar e consolidar novos materiais de impressão.

Sem dúvida, a docência é outro campo que também requer pessoas capacitadas na temática. As novas gerações de estudantes necessitam de um professor que saiba transmitir seus conhecimentos em cada uma das áreas ligadas à impressão 3D.

No que se refere a essa tecnologia na América Latina, assim como em várias partes do mundo, essa tecnologia, ao facilitar seu uso e seu baixo custo, faz com que vá se mudando seus conceitos gerais sobre ela, obtendo como resultado a facilitação do desenvolvimento econômico e na América Latina essa tecnologia tem a possibilidade de transformar a maneira como as empresas fazem negócios e comércio.

Em nível global, as notícias relacionadas à impressão 3D se multiplicaram neste ano. De pontes e casas de dois andares no noroeste da China até o implante de uma caixa torácica feita no hospital universitário de Salamanca, na Espanha, bem como bioimpressão para obtenção de células humanas, até o uso desta máquina em coleções de moda.

As impressoras 3D são capazes de fundir material modelável - plástico, resina, titânio, carne e pó de metal, entre outros materiais - para depositar camada por camada em um suporte, até conseguir um objeto. Pela primeira vez na história, estão sendo distribuídos modelos físicos pela Internet. Agora, em vez de enviar um vaso de forma física dos Estados Unidos para a Colômbia, por exemplo, escaneio o vaso, envio por e-mail, o destinatário faz o download do arquivo, imprime e imediatamente tem o mesmo vaso, diz um especialista Uruguaio em impressoras 3D.

O colombiano Carlos Camargo é considerado quase um apóstolo da chamada revolução Maker (pessoas que projetam e produzem seus próprios produtos) e viaja todas as semanas pelo país sul-americano para explicar os benefícios da terceira dimensão. "Vamos deixar de ser consumidores para sermos criadores de nossos próprios bens de consumo. Será uma revolução social, que nos dará a capacidade de criar", disse com entusiasmo durante uma aula prática, de fim de semana, em que os alunos criam sua própria impressora. O poder transformador que tem essa tecnologia foi comprovado por oito cidadãos guatemaltecos que, desde julho deste ano, desfrutam de uma prótese com gancho na mão amputada, graças à impressão 3D.

Na verdade, é inumerável o que está sendo alcançado com essa tecnologia 3D, como dissemos, desde pequenos objetos físicos, até peças de carros, turbinas de avião, casas e ferramentas cotidianas. No Chile, são construídas casas por meio de um processo que combina robótica e impressão 3D, embora alguns ofícios possam ser substituídos por essa tecnologia, a mesma criará muitos outros que ainda não são conhecidos. Este é um grande desafio para o nosso país, embora na Argentina também exista, em Jujuy, um jovem, de Quiaca mais precisamente, que fez uma impressora caseira que hoje é vendida para todas as partes do mundo sob o nome de uma pequena empresa chamada AXIUN.

A impressão 3D foi democratizada nos últimos anos. Constantemente vemos notícias ressaltando novas maravilhas desta tecnologia emergente. Mas além do lado bom, também é necessário analisar e regular seu funcionamento em nível profissional, pois todos os seus benefícios poderiam ser destruídos em um instante por aqueles que usam novas tecnologias para cometer crimes. O impacto da impressão 3D vai muito mais além do que a fabricação. Vai impactar nossa economia e nossa sociedade como poucos tem entendido. É por isso que repetimos que na ausência de regulamentação, podemos permitir que os terroristas imprimam armas sem ter que transportá-las através das fronteiras, isso desencadeará a pirataria (como tem sido há anos com produtos digitais).

Não se deve entender mal essa avaliação, não acredito em nada que a impressão 3D seja ruim. Pelo contrário, acredito que temos um futuro muito melhor, com produtos melhores, com preços mais baixos. Um futuro em que o one-size-fits-all não exista e onde todos os produtos podem ser personalizados para o estilo, necessidades e dimensões de cada um dos clientes.

Um futuro com dispositivos mais inteligentes e ecológicos, menos poluição e menos desperdício. Um futuro com novos materiais e novas soluções. Um futuro muito melhor. Mas é importante entender que nem tudo será perfeito, até que se estabeleçam regras éticas claras onde o público e o privado construam os mecanismos necessários para continuar avançando no bem-estar da sociedade e de nosso ambiente global.

Referências

LA REVOLUCION DE LA IMPRESIÓN 3D. HOD LIPSON, MELBA KURMAN. Ed. ANAYA MULTIMEDIA. ESPAÑA (2014).

3D PRINTING: Legal, Philosophical and Economic Dimensions. BIBI VAN DEN BERG, SIMONE VAN DER HOF, ELENI KOSTA. Ed. SPRINGER. HOLANDA (2015).

THE 3D PRINTING HANDBOOK: Technologies, Design and Applications. BEN REDWOOD, FILEMON SCHOFFER, BRIAN GARRET, TONY FADELL. Ed. UNKNOWN PUBLISHER. EEUU (2018).

IMPRESION 3D. SERGIO GOMEZ GONZALEZ. Ed. MARCOMBO. ESPAÑA (2016).

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