Argentina. Alerta sobre pobreza: uma criança em cada três não consegue suprir as necessidades básicas

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Manifesto do Laicato em apoio aos bispos que subscreveram a “Carta ao Povo de Deus” com 1440 assinaturas no primeiro dia

    LER MAIS
  • Com mais de 1.500 assinaturas, Padres da Caminhada relançam mensagem de apoio à Carta ao Povo de Deus dos bispos

    LER MAIS
  • “A pandemia viral é o resultado da pandemia psicológica e espiritual”, afirma Gastón Soublette

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


10 Junho 2019

O relatório aborda a infância e a desigualdade. Os dados fotografam uma situação de deterioração em comparação com os levantamentos anteriores. Em alguns casos, os números são os mais negativos da série "histórica" das avaliações realizadas pelo Observatório. Uma situação preocupante por duas razões: porque as crianças são uma parte frágil e valiosa da sociedade; e porque resulta com clareza que menores pobres são a consequência de famílias pobres. Um desastre social, que vê "os menores como as principais vítimas", do qual "os políticos devem assumir a responsabilidade", alertou o coordenador do Observatório, o sociólogo Agustín Salvia.

A reportagem é de Bruno Desidera, publicada por AgenSir, 07-06-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Mais de uma criança em cada duas na Argentina pode ser considerada pobre. Quase uma em cada três não consegue suprir às necessidades básicas. Uma em cada dez vive na pobreza. 13% passam fome e vão para a cama à noite sem jantar. Estes são os números apresentados pelos especialistas do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA). O relatório apresentado na quinta-feira diz respeito à infância e à desigualdade. Os dados fotografam uma situação de deterioração em comparação com os levantamentos anteriores. Em alguns casos, os números são os mais negativos da série "histórica" de avaliações realizadas pelo Observatório. Uma situação preocupante por duas razões: porque as crianças são uma parte frágil e valiosa da sociedade; e porque resulta com clareza que os menores pobres são a consequência de famílias pobres. Um desastre social, que vê "os menores como as principais vítimas", do qual "os políticos devem assumir a responsabilidade", alertou o coordenador do Observatório, o sociólogo Agustín Salvia.

Aumentam a indigência, fome e violação dos direitos. O estudo, coordenado pela pesquisadora Ianina Tuñon, examina a situação de oito direitos das crianças: nutrição, saúde, vida em um ambiente digno, subsistência, espaços e processos de educação e socialização, informação, instrução, proteção contra o trabalho infantil. O risco de carências alimentares aumentou 35% nos últimos dois anos, 29,3% não vê atendidas às necessidades alimentares devido a problemas econômicos, 13% vivem diretamente a experiência da fome. Estes são os piores números da década.

Duas em cada dez crianças ou adolescentes não tiveram acesso a consultas médicas, mais de 40% não puderam ter uma consulta odontológica. Quatro em cada dez crianças (quase seis na área de Buenos Aires) moram em casas sem água potável ou esgoto.

Quase 4 em cada 10 crianças abaixo dos 12 anos nunca ouviram contar uma história ou ler uma fábula, 6 de 10 não podem praticar esportes, mais de 8 não têm chance de cultivar uma expressão artística. Quase metade dos menores não tem acesso à internet na própria moradia. Em contraste, mais de quatro milhões de crianças, de um total de seis milhões e meio, estão diante da TV ou dos videogames por mais de duas horas por dia, sem fazer atividade física. 15% realizam trabalhos domésticos intensivos, comparáveis a trabalho infantil. Em resumo, comentou Ianina Tuñon, "a situação de crise mais uma vez afeta principalmente os menores" e isso deve ser levado ao conhecimento "daqueles que elaboram as políticas públicas".

Nas "villas" de Buenos Aires a presença da Igreja. A situação é ainda pior nas grandes periferias urbanas, especialmente de Buenos Aires, nas chamadas "villas miserias", onde a pobreza monetária envolve 63% dos menores e o nível de indigência é superior a 15%. Um fato que não surpreende o padre Adrián Bennardis, responsável pela infância e adolescência em risco da Arquidiocese de Buenos Aires, cura villero, ou seja, sacerdote em serviço pastoral nas vilas, os bairros pobres periféricos de Buenos Aires. Pároco da Imaculada Conceição na Villa Soldati, na imensa periferia da capital, o padre Adrián não precisa de pesquisas sociológicas para saber que a situação está piorando. É só olhar de seu "observatório" na linha de frente. "Há dois anos - explica ele ao SIR - a crise está ficando cada vez maior. O número daqueles que nos procuram por alimentos aumenta. Na minha pequena paróquia ajudamos 170 famílias". A situação dos menores tem um forte impacto em áreas onde os menores de 17 anos representam 47% da população. O padre fica impressionado com um dos dados relatados pela UCA:

"Na periferia de Buenos Aires, 13,8% dos menores vão para a cama sem jantar. Mas não devemos esquecer que, se a criança não pode comer, já há tempo nem mesmo seus pais podiam comer. Enfrentar o problema dos menores significa enfrentar o problema da família, que por sua vez depende da trágica falta de trabalho. Portanto, se quisermos mudar essa situação, devemos fazer escolhas econômicas que ajudem na criação de empregos".

Diante dessa situação, destaca-se positivamente a atividade dos curas villeros. Um trabalho pastoral e de promoção humana que parte precisamente daqueles direitos tantas vezes negados, que o relatório do Observatório delineia. "Nós exemplificamos nossa atividade com um triplo 'C', ao qual um quarto foi adicionado. As três palavras são Capela, Clube e Colégio. Capela como paróquia e atividade pastoral e educacional tradicional; Clube como atividade esportiva e recreativa: temos 600 crianças inscritas que praticam oito esportes gratuitamente. Colégio como escola, uma presença garantida, inclusive neste caso gratuitamente, pela Igreja". Em suma, sem a Igreja nessas áreas, haveria um deserto. Mas, infelizmente, prevenir com os três 'C' não é suficiente. Também devemos "curar". Eis, então, a presença dos Centros barriais Hogar de Cristo, "onde hospedamos jovens que têm problemas de dependências. Uma escolha feita há 11 anos, dentro de uma pastoral que quer ser de escuta e proximidade”.

O apelo de Nobel Pérez Esquivel. Como aconteceu no último sábado, quando mais de mil pessoas participaram do dia #NoMásChicosDescartbles, "Nunca mais crianças descartáveis", em coincidência com o segundo Festival de arte juvenil dos bairros. O b foi um dos organizadores. Nesta ocasião, o vencedor do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, disse: "Para mudar esta situação de violação dos direitos das crianças e jovens, falta de respeito pelos tratados internacionais, devemos ser rebeldes diante da injustiça, rebeldes para mudar a realidade. Precisamos de uma rebelião de consciências".

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Argentina. Alerta sobre pobreza: uma criança em cada três não consegue suprir as necessidades básicas - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV