4º domingo da Quaresma - Ano C - Deus Pai-Mãe nos ama incondicionalmente

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Por: MpvM | 29 Março 2019

"Jesus, com esta parábola, nos apresenta Deus como um pai que não guarda para si sua herança, que não está obcecado com a moralidade de seus filhos, que não pauta sua justiça pela lógica humana, e busca para eles uma vida feliz.

Há melhor imagem para Deus do que esta que nos é apresentada na Parábola do Pai Misericordioso? Um Pai-Mãe de Ternura e Bondade que respeita as decisões de seus filhos, por mais loucas que sejam, e mesmo quando abandonam a casa paterna se mantém fiel aguardando ansiosamente seu retorno? Um Pai-Mãe que deseja que todos os seus filhos que se mantiveram fiéis em sua casa saibam acolher e participar da mesa da alegria com seus irmãos que retornam depois de viverem uma vida desregrada?"

A reflexão é de Sonia Cosentino, leiga. Ela possui graduação em teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio (2005) e mestrado tem teologia pela mesma Universidade (2008).

Referências bíblicas
1ª Leitura: Js 5,9a.10-12
Salmo: Sl 33(34),2-7 (R/.9a)
2ª Leitura: 2Cor 5,17-21
Evangelho: Lc 15,1-3.11-32

A grande virada da minha experiência de Deus se deu quando me foi apresentada a imagem de Deus como um Pai-Mãe que nos ama incondicionalmente. Que alegria e libertação senti!

As leituras do Quarto Domingo da Quaresma têm esse tom de alegria e libertação, e dentro da caminhada quaresmal é chamado de “Domingo da Alegria”, em que a cor litúrgica passa do roxo para o rosa representando a alegria dos cristãos pela proximidade da Páscoa.

A primeira leitura da liturgia deste domingo, tirada do Livro de Josué (Js 5, 9a. 10-12) mostra-nos o Povo de Deus celebrando com alegria a primeira Páscoa na Terra Prometida. A partir deste momento não terão mais o maná, pois já vivem num país de cultura e a cessação do maná significa o fim do período do deserto. Vivem agora uma vida nova deixando para trás a desonra do Egito, quando viviam como escravos.

A segunda leitura é um pequeno texto da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios (2 Cor 5, 17-21) no qual aparece o verbo “reconciliar” e o substantivo “reconciliação” cinco vezes, devido à necessidade que Paulo sente de refazer a comunhão com esta comunidade. Para isto é preciso que haja, em primeiro lugar, uma reconciliação com Deus, e posteriormente, a reconciliação com os irmãos. Somente a partir desta conversão de atitude serão criaturas novas. É grande, então, a alegria do apóstolo quando a comunhão é restabelecida entre ele e os coríntios.

O Evangelho  (Lc 15, 1-3. 11-32) narra a Parábola mais bela, comovedora e cativante que saiu dos lábios de Jesus e é a mais conhecida entre todas elas. Ela encontra-se no Evangelho de Lucas, no contexto denominado as “Três Parábolas da Misericórdia”. Atualmente, muitos estudiosos preferem denominá-la como “Parábola do Pai Misericordioso”, pois sua figura central é a de um pai bondoso que ama seus filhos com amor gratuito e incondicional.

Jesus conta essa parábola porque aos olhos dos fariseus e escribas ele tem um comportamento escandaloso, que é o de acolher os publicanos e pecadores, e criar laços com estes à volta da mesa. A partir daí Jesus quer mostrar-lhes como é a imagem do Deus que experimenta em sua vida.

Deus é um pai que respeita a decisão de seu filho, mesmo absurda, e não se ofende quando ele o considera “morto” e lhe pede sua parte da herança. Este filho parte, então, da casa paterna e o pai continua amando-o. Quando um dia o filho retorna faminto e humilhado, depois de dissipar seus bens, o pai “se comove” e com uma alegria profunda sai correndo a seu encontro. Esquece sua dignidade de “senhor” da família, e cheio de compaixão abraça-o e beija-o efusivamente como uma mãe. Mais ainda, interrompe a confissão do filho, pois não há necessidade de explicações, e não lhe impõe nenhum castigo ou purificação. Nada disso é necessário porque nunca deixou de amá-lo. Alegra-se tanto com o regresso do filho que lhe prepara uma festa. Junto ao pai o filho há de conhecer a festa boa da vida, e não a diversão falsa da vida libertina que havia vivido.

Para os ouvintes de Jesus, o pai havia perdido sua autoridade e dignidade, pois não agia como o patriarca da família. Que pai é esse que Jesus lhes apresenta como sendo a imagem de Deus? Um pai com gestos de uma mãe que procura proteger e defender seu filho da desonra e da vergonha? Que loucura!

Precisamos agora olhar para o filho mais velho que ficou na casa paterna o tempo todo e que se sente lesado. Ele é o “filho certinho” que sempre fez o que o pai mandou. Agora não aceita que o pai queira agir com misericórdia e acolha na alegria o filho rebelde. Apesar de o filho mais velho não se ter perdido num país distante, encontra-se perdido em seu próprio ressentimento e dureza de coração. Mesmo assim, o pai sai ao encontro deste filho, ouve com paciência suas acusações e lhe responde com ternura especial convidando-o para a festa. O que o pai deseja é ver os filhos sentados à mesma mesa, compartilhando um banquete festivo!

Jesus, com esta parábola, nos apresenta Deus como um pai que não guarda para si sua herança, que não está obcecado com a moralidade de seus filhos, que não pauta sua justiça pela lógica humana, e busca para eles uma vida feliz.

Há melhor imagem para Deus do que esta que nos é apresentada na Parábola do Pai Misericordioso? Um Pai-Mãe de Ternura e Bondade que respeita as decisões de seus filhos, por mais loucas que sejam, e mesmo quando abandonam a casa paterna se mantém fiel aguardando ansiosamente seu retorno? Um Pai-Mãe que deseja que todos os seus filhos que se mantiveram fiéis em sua casa saibam acolher e participar da mesa da alegria com seus irmãos que retornam depois de viverem uma vida desregrada?

Esse Deus que Jesus nos apresenta como sendo seu Pai e nosso Pai não foi aceito e compreendido por seus contemporâneos, mas, mesmo depois de dois milênios de Cristianismo, ainda é muito difícil de ser aceito por muitos dos cristãos de hoje: um Deus que ama a todos sem impor nenhuma condição!

Que neste quarto domingo da quaresma alegremo-nos como Novo Povo de Deus com a proximidade da Páscoa (Js 5, 9a. 10-12); alegremo-nos, sobretudo, pela possibilidade de nossa conversão que passa pela reconciliação com Deus e com os irmãos, tornando-nos novas criaturas (2 Cor 5,17-21); e, alegremo-nos ainda pela bondade de Deus e por seu Amor incondicional!

Que esta Páscoa seja para nós a verdadeira mesa da partilha do Amor de Deus entre irmãos!

Lembremo-nos que sempre que tivermos a atitude do filho ingrato, orgulhoso e autossuficiente, e nos afastarmos do convívio do Pai, sejamos capazes de, com humildade, refazer o caminho de volta para casa, porque sabemos do Amor Gratuito e Incondicional do Pai que nos receberá de braços abertos.

Não esqueçamos ainda que sempre que tivermos a atitude do filho “certinho” que tem a lógica da justiça humana e não da misericórdia, nos deixemos inundar pelo Amor do Pai, que nos convida a sentar à mesa da partilha e do amor, e aceitemos nossos irmãos sem nos considerarmos superiores a eles, só porque estivemos o tempo todo na casa do Pai (Lc 15, 1-3. 11-32).

Que assim seja!

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