A marca teológica da Declaração Universal dos Direitos Humanos

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05 Março 2019

“O humanismo cristão de Charles Malik mudou a discussão sobre os direitos humanos, tornando-a intelectualmente coerente. Ele deu forma filosoficamente à declaração e conectou o projeto sobre os direitos humanos com correntes culturais de renovação mais amplas.”

A opinião é de Peter Petkoff, diretor de um programa de estudos sobre religião e direito no Regent’s Park College, em Oxford, e professor da Brunel University, em Londres, em artigo publicado por Corriere dela Sera, 03-03-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada há 70 anos pelas Nações Unidas, foi modelada por ilustres redatores. Mas o verdadeiro herói intelectual (e principalmente ignorado) da obra foi Charles Malik, um jovem e desconhecido professor greco-ortodoxo de filosofia da Universidade Americana de Beirute, que aceitou relutantemente se tornar o primeiro embaixador libanês na ONU.

Filósofo existencialista, aluno de Heidegger e Whitehead, Malik entendeu muito bem que a criação dos direitos humanos modernos não requer simplesmente um consenso político, mas sim uma síntese filosófica. E logo deixou a sua marca integrando as ideias, muitas vezes em competição, que emergiam dentro do comitê de redação.

As suas intuições filosóficas eram inspiradas por uma complexa rede de ideias e amizades que vão desde a cristologia calcedônica, a teologia litúrgica, Agostinho, João Crisóstomo, Heidegger, Maritain, através dos emigrantes russos ortodoxos como Schmemann, Florovsky, até Küng, Barth, Nolde, Rahner e J. C. Murray.

No curso das discussões, essas trajetórias intelectuais produziram uma visão muito sólida da pessoa humana na sua profunda complexidade e um afastamento da ideia mais convencional e mais banal de humanidade. Foi Malik quem pôs à prova os limites da zona de segurança intelectual dos membros do comitê, foi ele que os convenceu a se confrontarem com uma noção complexa da pessoa humana e do seu potencial de “tornar-se”, não apenas de “ser”. Por fim, foi ele quem obteve a acolhida completa da declaração.

O humanismo cristão de Malik mudou a discussão sobre os direitos humanos, tornando-a intelectualmente coerente. Ele deu forma filosoficamente à declaração e conectou o projeto sobre os direitos humanos com correntes culturais de renovação mais amplas.

Malik descreveu a declaração como o produto de três revoluções – a Revolução Francesa, a Revolução Americana e a Revolução Russa. É mais do que isso: é um produto da revolução greco-romana e judaico-cristã que Karl Jaspers, no seu ensaio “O espírito europeu”, define como a capacidade única de obter harmonia da dissonância, síntese das contradições. E Malik foi o verdadeiro profeta dessa revolução durante a redação da declaração.

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