4º domingo do Tempo Comum - Ano C - O projeto inclusivo do Deus da Vida

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Por: MpvM | 01 Fevereiro 2019

“Ao sermos embebecidos pelas leituras desse domingo, somos provocados à profecia, de acordo com o Projeto de Jesus. E esse projeto, todo ele, é caracterizado pela doação aos mais pobres e pelo cumprimento de uma profecia que não se acanha e que é capaz de atordoar autoridades que tenham esquecido os valores humanos universais. Que tenhamos a coragem profética e sejamos cúmplices de uma salvação para todos, sem exclusão. Não esqueçamos: ‘mas, a maior delas é a Caridade’ ”.

A reflexão é de Gisele Canário, leiga. Ela possui graduação em teologia pelo Instituto São Paulo de Estudos Superiores e é mestra em teologia com ênfase em exegese bíblica (Antigo Testamento) pelo Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Atualmente é assessora no Centro Bíblico Verbo, onde atua na confecção de materiais para estudos bíblicos, formação em comunidades eclesiais e cursos bíblicos online - plataforma moodle. É analista de pastoral na rede Marista de colégios. Ela também desenvolve materiais didáticos para cursos de Teologia - UNIASSELVI e participa do grupo de pesquisa “Tradução e Interpretação do Antigo Testamento” (TIAT).

Referências bíblicas
1ª Leitura: Jr 1,4-5.17-19
Salmo: 70(71),1-4a.5-6ab.15ab.17
2ª Leitura: 1Cor 12,31–13,13
Evangelho: Lc 4,21-30

 

 

Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações”. É com esse tom carismático e tão conhecido nosso, que escutamos as leituras deste domingo, envolvidos com uma tática profética toda especial. Pois bem, Jeremias é originário de uma pequena aldeia levita da tribo de Benjamim. De acordo com a primeira leitura (Jr 1,4-5.17-19) é possível logo perceber que se trata de uma profecia que defende os interesses da população camponesa contra qualquer tipo de injustiça provocada pela monarquia. Mesmo diante dos poderosos de seu tempo, o profeta não se esquivou de sua missão dada pelo Deus da vida.

A segunda leitura (1Cor 12,31–13,13) exalta em alto e bom tom a caridade. A leitura nos antecipa, bem no início, as aspirações pelas coisas do alto. Os dons mais elevados são portadores de misericórdia, interpretado, de acordo com o apóstolo Paulo, como o maior de todos os dons. No fundo, essa carta apresenta uma comunidade cheia de vigor e imbuída de valores cristãos, formada por pessoas humildes, oprimidas e com inúmeros problemas. Problemas existiam, e muitos, no entanto a carta propõe soluções. Jesus, o Cristo, não pode ser dividido e se torna a fonte de todo o amor, em concretude com a plena caridade.

É dessa forma que chegamos ao ápice da liturgia da palavra com a leitura do Evangelho (Lc 4,21-30), que nos mostra declaradamente para quem Jesus veio. Numa sociedade onde o ser mulher poderia se tornar uma provocação aos valores ditos próprios para homens, Jesus mostra que essa diferença não existe, ao mencionar que o profeta Elias é enviado a uma viúva em Serepta. Essa indicação deixa claro que o Projeto do Deus da vida não é restrito para um único povo, mas devia abarcar a todos, a começar pelos mais excluídos como é o caso das mulheres e estrangeiros.

Ao sermos embebecidos pelas leituras desse domingo, somos provocados à profecia, de acordo com o Projeto de Jesus. E esse projeto, todo ele, é caracterizado pela doação aos mais pobres e pelo cumprimento de uma profecia que não se acanha e que é capaz de atordoar autoridades que tenham esquecido os valores humanos universais. Que tenhamos a coragem profética e sejamos cúmplices de uma salvação para todos, sem exclusão. Não esqueçamos: “mas, a maior delas é a Caridade”.

E assim, essas leituras nos recordam da nossa missão particular como interessados dessa proposta protagonizada por Jesus.

Apesar do cansaço e das incertezas atuais, o nosso desejo por um mundo melhor rompe com qualquer tipo de tirania e desenvolvimento do mal que atinja as pessoas e as silenciem por conta do egoísmo voluntário de um pequeno grupo marcado pela tirania e incapacidade de diálogo.

Nesse dia do Senhor, tenhamos a certeza de que mulheres, estrangeiros e minorias em geral não são apenas as vítimas de genocídios constantes, mas são os escolhidos para o exercício de uma profecia inquieta e libertadora. Embora tenhamos dúvidas a respeito do futuro incerto, temos a plena convicção de que o Deus da vida não se esquiva por nos alcançar e nos propor dias melhores.

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