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14 Janeiro 2019

O ano de 2019 começou com força para a República Popular da China: aterrissou na parte escura da Lua, aquela que não é visível da Terra, algo que ninguém havia conseguido anteriormente. É um fato sem precedentes para um país que entrou quatro décadas mais tarde na corrida espacial mundial e que os Estados Unidos impediram de participar da Estação Espacial Internacional. Foi apenas em 2003, depois da já então extinta União Soviética e dos próprios Estados Unidos, que a China mandou um homem para o espaço. Agora, pouco mais de três lustros depois, chutou o tabuleiro, a ponto de a agência Bloomberg descrever a chegada da sonda Chang'e-4 como “um feito, um salto gigantesco para um país que durante muito tempo era considerado um jogador menor na corrida espacial”.

A reportagem é de Juan Manuel Karg, publicada por Página/12, 11-01-2019. A tradução é de André Langer.

Neste campo, anteriormente alheio, a China liderou em 2018 a classificação mundial de lançamentos, com 37 missões orbitais das 112 realizadas. E as demais? Estados Unidos, com 31; Rússia, 16; a Agência Espacial Europeia, 11; Índia, 7, e Japão, 6, entre os postos mais importantes. Como se vê, a evolução de Pequim é quantitativa e qualitativa: daí as palavras de Donald Trump, em novembro passado, ao dizer que “não queremos que a China e a Rússia e outros países nos ultrapassem” no domínio espacial, reafirmando que “para defender os Estados Unidos não basta ter presença no espaço: é preciso ter o domínio do espaço”.

A escalada chinesa nesta área soma-se a outras importantes iniciativas geopolíticas que demonstram o novo peso de Pequim a nível global: a Nova Rota da Seda (OBOR), imenso sistema de infraestrutura na Ásia, Europa e África, e o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB), que com quase cem países membros é considerado como uma real alternativa de financiamento ao esquema pós-Bretton Woods (FMI-Banco Mundial, instâncias hegemonizadas pelos Estados Unidos). Também a criação do Brics, onde compartilha espaço com países como Rússia, Índia, China, África do Sul e Brasil.

Nesse cenário de disputa com um Estados Unidos que, pela primeira vez, reconhece o surgimento estelar chinês (o “Make América Great Again” de Trump apoiou-se nessa ideia, da deterioração do poder americano e a ascensão do gigante asiático), a guerra comercial e tarifária tem um fundo cada vez mais nítido: Xi Jinping procura ser um ator global em todas as áreas possíveis, particularmente no plano científico. Assim, a China produz produtos de alto valor agregado, como telefones celulares e computadores já comercializados em grande escala e está investindo cada vez mais dinheiro em ciência e tecnologia.

Como podemos ver, a República Popular da China continua a sua evolução – sigilosa, mas ao mesmo tempo pretensiosa – nas mais diversas áreas, configurando um novo cenário global, diante de um Estados Unidos que continua a resistir ao seu declínio hegemônico. E isso acontece sob um governo que neste ano de 2019 celebrará o 70º aniversário da Revolução de 1949 comandada por Mao Tsé-Tung.

Não é por acaso que o pensamento de Xi Jinping tenha sido comparado ao do fundador da República Popular na própria Constituição: estamos no período de maior legitimidade internacional do governo chinês nas últimas sete décadas e diante dos atos concretos que provocam mudanças no médio prazo no cenário geopolítico.

Mas toda ação tem sua reação. E, como disse o diretor do Observatório de Política Chinesa, Xulio Ríos, “o sonho de Xi Jinping é o pesadelo de Donald Trump”. O ano que começa, então, nos trará notícias sobre essa disputa a céu aberto entre a potência emergente que quer ser e a potência hegemônica que pode deixar de existir.

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