Como um bispo deve ser, segundo Francisco

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13 Novembro 2018

"Quando se fazem pesquisas para a eleição dos bispos" deve ser seguido o critério sugerido por Paulo em sua carta a Tito: "que sejam administradores de Deus, irrepreensíveis, servos humildes", e pouco importa se “são hábeis com os planos pastorais ou são simpáticos”. Ressaltando que as indicações remontam justamente a São Paulo - portanto, bem antes do Concílio Vaticano II - o Papa Francisco, na missa celebrada na segunda-feira, 12 novembro, em Santa Marta, pediu para rezar para que todos os bispos se reconheçam no perfil traçado pelo apóstolo "para colocar em ordem a igreja".

A reportagem é publicada por L'Osservatore Romano, 12 a 13-11-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

"No livro dos Atos dos Apóstolos lemos como a Igreja nasceu", sugeriu o Papa. "A Igreja - explicou - nasceu em confusão, na confusão, em desordem; com fervor, mas em na desordem, a ponto que as pessoas que ouviam falar os apóstolos, diziam: "estão embriagados".

“Confusão e assim nasceu a Igreja” relançou Francisco. "E esta confusão - continuou ele - aparece, por exemplo, quando Pedro visita Cornélio: logo uma confusão e Pedro entende que é o Espírito que está ali e batiza, mas sem confusão, aliás, com coisas admiráveis." E, então, o papa acrescentou: "por exemplo, vamos pensar no ministro da economia da rainha Candace, uma coisa estranha: até mesmo este homem leva a Igreja ao seu país". Mas "sempre há confusão, a força do Espírito, desordem e não devemos nos assustar". A Igreja "nasceu assim: é um belo sinal aquele".

“A Igreja jamais nasceu completamente ordenada, tudo certo, sem confusão», reafirmou o Papa. "Sempre - ele continuou - nasceu assim e esta confusão, esta desordem, deve ser arrumada: é verdade, porque as coisas devem ser colocadas no lugar; vamos pensar, por exemplo, no primeiro Concílio de Jerusalém: havia uma luta entre os judaizantes e os não-judaizantes; pensemos bem: eles fazem o concílio e arrumam as coisas".

"Isso acontece toda vez que a Igreja é anunciada pela primeira vez", apontou o Papa, referindo-se à passagem da carta a Tito (1, 1-9) proposta pela liturgia como primeira leitura. "Isto é o que Paulo deixa nas mãos de Tito: ‘Para esta missão te deixei em Creta: para que pusesses em ordem o que ainda faltava". Na prática, para que Tito "coloque ordem na Igreja". Mas Paulo "lembrou-lhe" que "a primeira coisa é a fé, dá-lhe tesouro, dá-lhe a transmissão de uma forte fé: ‘Paulo, servo de Deus, apóstolo de Jesus Cristo para levar a fé àqueles que Deus escolheu e fazer-lhe conhecer a verdade que está em conformidade com uma religiosidade autêntica, na esperança da vida eterna - prometida desde a eternidade por Deus, que não mente, e manifestada na hora marcada em sua palavra, mediante a pregação que me foi confiada por ordem de Deus, nosso salvador - a Tito, meu verdadeiro filho na mesma fé: graça e paz de Deus Pai’".

Paulo "transmite todo este ‘pacote de experiências de fé’" para Tito, explicou o pontífice. E "depois ele diz: nessa Igreja você coloca ‘ordem’ e você ‘estabeleça alguns sacerdotes em cada cidade, de acordo com as instruções que eu te dei’". Na prática, ele pede que "estabeleça os bispos e coloque ordem nos laicos e fala - isso iremos lê-lo amanhã - dos jovens, dos idosos, das viúvas, das mulheres: cada um, como se deve colocar em ordem". Em essência, Paulo "dá os critérios para colocar ordem".

"Hoje - ressaltou Francisco - vou me deter no perfil do bispo, como Tito deve colocar ordem com os bispos, e com tantos padres que estão aqui, isso parece uma escola presbiteral!" Então, ele continuou, "falamos do bispo, de fato, como administrador de Deus: a definição que dá do bispo é um "administrador de Deus", não de bens, do poder, dos acordos, não: de Deus". Por essa razão, disse o Papa, o bispo "sempre deve corrigir a si mesmo e se perguntar:" Eu sou um administrador de Deus ou um negociante?’". Porque "o bispo é administrador de Deus, ele deve ser irrepreensível: esta palavra é a mesma que Deus pediu a Abraão: ‘Ande na minha presença e seja irrepreensível’. É uma palavra fundamental de um líder”.

São Paulo, sempre na carta a Tito, "diz o que um bispo não deve ser e depois o que deve ser", afirmou o pontífice. O bispo, portanto, "não deve ser arrogante, ou seja, soberbo, nem colérico - que briga sempre - nem dado ao vinho - podemos dizer não dado aos vícios; o vinho era bastante comum naquela época, porque até mesmo às viúvas ele recomenda que não se deem ao vinho. Parece que era um dos vícios mais próximos - não violento - pensamos em um bispo colérico, arrogante, dado ao vinho, violento”.

É "uma calamidade para a Igreja um bispo assim, mesmo que tivesse apenas um desses defeitos", esclareceu Francisco. Ele também não deve ser "ganancioso por lucros desonestos: que não seja um negociante, que não seja apegado ao dinheiro". E "é isso que o bispo não deve ser".

"O que deve ser o bispo", então, perguntou-se o Papa. E sua resposta foi: "Hospitaleiro - oferecer hospitalidade - um amante do bem, ponderado, justo, santo, dono de si, fiel à palavra digna de fé que lhe foi ensinada". E "todas essas virtudes ‘para poder exortar com sua sã doutrina e refutar seus oponentes’”, como escreve São Paulo a Tito.

"Assim é o bispo, este é o perfil do bispo", relembrou o papa. "E quando se fizerem as pesquisas para a eleição dos bispos", acrescentou ele, "seria bom fazer essas perguntas no início para descobrir se podemos prosseguir com outras investigações". Mas "sobretudo, vemos que o bispo deve ser humilde, manso, servidor, não príncipe". E "esta é a palavra de Deus:" Ah, sim, padre, isso é verdade, isso depois do Vaticano II isso deve ser feito!" - "Não, depois de Paulo!". Porque "esta não é uma novidade pós-conciliar, isso é desde o início, quando a Igreja percebeu que tinha que colocar ordem com bispos assim".

"Aqui somos apenas dois - continuou o Papa - mas isso é para todos, para orar por nossos bispos que sejam assim: não que sejam simpáticos, não que tenham habilidades nos métodos pastorais - sim, isso tudo é bom! - mas que sejam humildes, mansos, servidores, com todas essas qualidades e não com os vícios que Paulo nomeou". E "na Igreja não podemos colocar ordem sem esta atitude dos bispos: também com aquela dos padres e leigos, mas vamos pensar nos bispos". E “Paulo deixa Tito para colocar ordem em Creta, escolhendo bispos desse gênero”.

"Um bispo conta diante de Deus não se é simpático, se prega bem, mas se é humilde, se ele é manso, se é servidor, com todas essas virtudes" concluiu o Papa, que confidenciou ter proposto esta meditação porque "hoje: celebramos um bispo na liturgia": São Giosafat Kuncewicz. E ele pediu para retomar "esta passagem e orar pelos bispos: que sejam assim, que nós sejamos assim, como Paulo nos pede para sermos".

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