30º Domingo do Tempo Comum - Ano B - Colocar-se a caminho, crescer na fé

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26 Outubro 2018

"Jesus chama um cego mendigo. O forte contraste com o homem rico que se oferece (Mc 10,17-31) reforça a ideia de que entrar para a comunidade dos discípulos e, consequentemente, para o Reino de Deus e receber a salvação não é fruto do mérito, mas algo reservado aos que foram chamados, quem quer que eles sejam.

No Antigo Testamento Deus conduziu o “ resto de Israel” da terra da escravidão para a terra prometida aos pais e portanto herança/direito dos filhos. Situação semelhante o que vivemos hoje, na qual ‘coxos, cegos, gravidas e crianças” atravessam mares para fugir da escravidão. Como nos tempos de Jeremias, vivemos num cenário em que a política internacional e nacional está agitada e turbulenta. Como comunidade, qual é nosso papel neste panorama?

O evangelho convoca-nos a nos colocar a caminho e a crescer na fé iluminadas/os pela luz de Cristo.

Jesus dá autoridade à comunidade de fé para chamar, acolher, agir com misericórdia com aqueles que estão à beira do caminho.

A reflexão é de Rita de Cácia Ló, teóloga leiga, biblista. Ela é graduada em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana (2006) e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (2006). Atualmente é professora de estudos bíblicos na Escola de Teologia e Espiritualidade Franciscana – ESTEF, de Porto Alegre/RS.

Referências bíblicas
Jr 42, 31,7-9
Sl Sl 1,1-2. 3. 4.6
Hb 5,1-6
Mc 10,46-52

A primeira leitura (Jr 31,7-9) é uma leitura tirada do “livro das consolações”, mais especificamente dos capítulos referentes à renovação da Aliança (30-31).

No Antigo Testamento, JAVÉ fez várias Alianças com o homem: com Noé, com Abraão. Após a saída do Egito, JAVÉ fez com Moisés a Aliança no Sinai. Após a conquista da Terra Prometida, uma Aliança com Josué. Muito tempo depois, fez uma Aliança com Davi. Sem houve necessidade de se fazer uma “nova” aliança, é porque houve uma grande mudança na situação do povo e a “antiga” já não respondia mais. Se Jeremias diz que é necessário “uma nova aliança”, é porque alguma grande mudança aconteceu.

Mensagens de fundo

JAVÉ anuncia não só a libertação, mas também a reunificação de Israel e Judá. A promessa de uma “nova aliança” é a promessa de reunificação e de restauração de todo o país: os dois reinos voltarão a ser um só.

O “resto de Israel” é expressão profética para designar a esperança de que as tribulações históricas jamais destruirão o povo eleito: haverá sempre uma parte, um “resto” purificado pelo sofrimento, que se manterá fiel a JAVÉ ou que retornará a ele com a conversão. Após a destruição de Jerusalém, o “resto” se encontra no exílio. A volta do resto à terra de Israel garante a continuidade da história da salvação.

A descrição dos que retornam é emblemática: cegos, coxos, grávidas, parturientes. Não são os fortes, mas os fracos e indefesos, a quem é impossível empreender uma viagem de retorno da Babilônia (“o país do norte”) a Jerusalém: a distância é de aproximadamente 1.200 km. Com isso, indica-se que o retorno não é obra humana, mas uma ação de JAVÉ : ele em pessoa conduzirá o “resto”.

A segunda leitura (Hb 5,1-6) apresenta alguns elementos importantes:

- Hb 5,1-10: desenvolvimento do tema “Cristo, sumo sacerdote misericordioso”.

- Características deste sumo sacerdote:

  • natureza humana (v. 1): para poder ter compaixão da fraqueza humana;
  • caráter de mediador (vv. 1-3): serve de ponte (pontífice) entre Deus e os homens;
  • vocação (v. 4): chamado por Deus, e não alguém oferecido;

O Evangelho: Marcos 10,46-52

Em Marcos, há dezenove relatos de milagres realizados por Jesus. Destes, apenas dois acontecem após a confissão de Pedro: o epilético endemoninhado (9,14-29) e o cego Bartimeu (10,46-52). Ou seja, os relatos de milagre estão concentrados na primeira parte do evangelho, isto é, antes de Pedro afirmar “Tu és o Messias” (8,29).

A cura de Bartimeu é o último milagre de Jesus, e acontece antes da entrada triunfal em Jerusalém. Depois de entrar na cidade, fará ainda um ato profético, muitas vezes considerado também um milagre: ele fará secar a figueira (Mc 11,12-14.20-25). Ambos os relatos terminam com um ensinamento sobre a fé:

  • “Tua fé te salvou” : Mc 10,52;
  • “Tende fé em Deus” : Mc 11,22-25.

Deste modo, percebe-se como Marcos utiliza os milagres para orientar o leitor a chegar à mesma conclusão de Pedro: Jesus não é um simples milagreiro; Jesus é o Messias. Mas os milagres não são provas de que Jesus é o Messias; antes, são atos de poder que proclamam a chegada do Reino de Deus. Por isso, os milagres querem nos fazer refletir, querem nos levar à fé e à conversão.

Este é um dos raros milagres de Jesus em que se conhece o nome do miraculado. É o único em Marcos. A preservação do nome de Bartimeu significa que talvez ele fosse conhecido pela primitiva comunidade cristã.

Bartimeu invoca Jesus com o título “Filho de Davi”. É a única vez que alguém chama Jesus com este título. Sem dúvida, equivale a afirmar que Jesus cumpre as promessas messiânicas.

Mensagens de fundo

Relato pode ser lido de modo simbólico: o batismo é o “banho da iluminação”; ser cego equivale a não ter a luz.

No vocabulário da comunidade primitiva, “caminho” é palavra equivalente a “igreja” ou “comunidade”. Deve-se então notar: quando cego, Bartimeu pedia esmolas “à beira do caminho”; depois de curado (= iluminado), ele segue Jesus “pelo caminho”. Em outras palavras:

  • ser cego = não pertencer à comunidade cristã;
  • ser iluminado = pertencer à comunidade cristã.

Mc 10,46-52 funde dois gêneros literários: o relato de milagre e o relato de vocação. Narra-se uma cura, mas o curado torna-se discípulo.

É importante o detalhe: Jesus não chama pessoalmente, e sim ordena que o chamem. Talvez seja um modo de dizer que Jesus continua chamando por meio da igreja; a aceitação deste chamado leva à luz da fé.

Outro detalhe importante: Jesus diz “tua fé te salvou”, e não “curou”. O grupo dos discípulos é o grupo dos destinados à salvação.

Jesus chama um cego mendigo. O forte contraste com o homem rico que se oferece (Mc 10,17-31) reforça a ideia de que entrar para a comunidade dos discípulos e, consequentemente, para o Reino de Deus e receber a salvação não é fruto do mérito, mas algo reservado aos que foram chamados, quem quer que eles sejam.

No Antigo Testamento Deus conduziu o “ resto de Israel” da terra da escravidão para a terra prometida aos pais e portanto herança/direito dos filhos. Situação semelhante o que vivemos hoje, na qual ‘coxos, cegos, gravidas e crianças” atravessam mares para fugir da escravidão. Como nos tempos de Jeremias, vivemos num cenário em que a política internacional e nacional está agitada turbulenta. Como comunidade, qual é nosso papel neste panorama?

O evangelho convoca-nos a nos colocar a caminho e a crescer na fé iluminadas/os pela luz de Cristo.

Jesus dá autoridade à comunidade de fé para chamar, acolher, agir com misericórdia com aqueles que estão à beira do caminho.

“Somos trabalhadores, não mestres de obras, servidores, não messias.
Somos profetas de um futuro que não nos pertence”
(São Romero das Américas)

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