Pequim continua a expansão na África: 60 bilhões de novos financiamentos estão a caminho

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04 Setembro 2018

O anúncio do presidente Xi Jinping no Fórum de Cooperação África-China. No novo pacote, que é um bis depois daquele anunciado há três anos, empréstimos a juros zero, novas linhas de crédito, um fundo para o desenvolvimento e fundos ligados a importações e projetos de empresas privadas. O avanço no continente continua enquanto os EUA e a Europa ficam olhando

A reportagem é de Filippo Santelli, publicada por la Repubblica, 03-09-2018. A tradução é de Luisa Rabolini

No Grande Salão do Povo, em Pequim, estavam presentes todos, mais de 50 chefes de Estado e de Governos dos países africanos. De cima do palco, o anfitrião Xi Jinping reservou-lhes a recepção mais calorosa possível. O presidente chinês, em seu discurso inaugural do Fórum de Cooperação África-China transmitido ao vivo na televisão, prometeu financiamento para o continente no montante de US$ 60 bilhões, entre empréstimos e investimentos para infraestrutura. De fato, uma réplica exata do valor que Xi havia destinado três anos atrás, ao último encontro bilateral, e que, no meio tempo, tornou Pequim, com crescentes preocupações do Ocidente, o principal parceiro comercial e um dos principais aliados financeiros e militares do continente.

Uma diplomacia que começa com as finanças, mas vai muito além. Se existe um lugar no mundo onde essa estratégia de Xi está funcionando é justamente a África, como o demonstra a presença em massa dos líderes africanos em Pequim (falta apenas eSwatini, a ex-Suazilândia, que ainda mantém relações diplomáticas com Taiwan). Dos 60 bilhões prometidos para os próximos três anos, 15 serão de ajuda e empréstimos a juros zero, 20 em linhas de crédito, 10 para um fundo especial para o desenvolvimento, 5 para as importações da África e outros 10 para projetos privados de empresas chinesas. O foco é, obviamente, nas infraestruturas: um trilho e um cais após o outro, Pequim está integrando o continente no grande projeto da Nova Rota da Seda, a rota comercial, tanto marinha como terrestre, que da China viaja para o Ocidente. Plantando bandeiras vermelhas e abrindo canteiros de obras por toda a África, do porto de Djibuti à ferrovia entre Mombasa e Nairóbi.

A ofensiva chinesa pegou no contrapé o Ocidente, com os Estados Unidos de Trump que de fato esqueceram a África e a Europa que a vê principalmente como uma fonte de problemas (migratórios). Alguns comentaristas denunciam a estratégia de Pequim como "neocolonialismo", a tentativa de atrair os parceiros para uma armadilha de dívidas, tornando-os assim dependentes e chantageáveis. Sem dúvida, por trás do projeto "africano" de Xi existem especialmente motivações internas: dar trabalho para suas empresas (que são responsáveis pela maioria das obras), e garantir o fluxo de matérias-primas de que a África é rica. Mas para os parceiros africanos em busca de desenvolvimento, seus bilhões são bem-vindos, por opção ou necessidade. Sem mencionar que a China jamais se envolve em questões de política interna.

Nos últimos dias, os jornais do partido chinês enviaram de volta ao remetente as críticas ocidentais. Em seu discurso de hoje, no entanto, Xi enfatizou que a cooperação entre a China e a África "deve trazer aos dois povos benefícios e sucessos tangíveis", evitando catedrais no deserto. O presidente também anunciou que parte da dívida dos países mais pobres será cancelada. A África, unida, agradece.

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