Jesuíta é assassinado na selva peruana

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13 Agosto 2018

O jesuíta Carlos Riudavets trabalhou 38 anos no colégio mais importante para as comunidades indígenas awajun e wampis. Foi encontrado apunhalado.

A informação é publicada por El País, 11-08-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

Carlos Riudavets à frente (Foto: Revista Ecclesia)

Carlos Riudavets Montes, de 73 anos, sacerdote espanhol que fez no Peru a maior parte de sua formação e serviço como religioso jesuíta, foi encontrado morto nesta sexta-feira pela manhã na cozinha do colégio onde trabalhou na selva peruana, durante três décadas, primeiro como professor, depois como diretor e atualmente como promotor, representante da Companhia de Jesus.

O padre era natural de Sanlúcar de Guadiana (Huelva), Espanha, e começou seu trabalho na região amazônica, na selva norte do Peru, em 1980, no colégio Valentín Salegui, cujos estudantes pertencem às etnias awajun e wampis, segundo informou o porta-voz da Cúria Provincial da Companhia de Jesus no Peru, Víctor Hugo Miranda.

"Chegou bastante jovem aqui (na capital) como estudante jesuíta na etapa de preparação prévia ao sacerdócio; estudou Teologia em Lima, teve experiência no magistério em Piura (costa norte) e, uma vez ordenado sacerdote, foi destinado em 1980 à missão jesuíta do Vicariato San Francisco Javier de Alto Marañón, uma área que abarca parte de Jaén (na região de Cajamarca) até a fronteira com o Equador, ou seja, a nação awajun-wampis", acrescentou.

Miranda destaca que Riudavets começou a trabalhar no colégio interno Valentín Salegui, fundado pelos jesuítas na comunidade de Chiriaco há mais de 50 anos. Tempos depois, a escola se mudou para a comunidade Yamakentsa, a cerca de duas horas dali, um povoado acessível somente por via fluvial, porém mais próximo das comunidades amazônicas isoladas. Há dez anos, o centro educativo passou a fazer parte da rede Fé e Alegria, uma aliança internacional de escolas de boa qualidade para alunos pobres ou marginalizados.

"Valentín Salegui era o lugar para onde levavam as crianças dos colégios dos rios Santiago, Cenepa, Chiriaco, Marañón, Nieva, os que vinham dos lugares mais distantes, para ter acesso a uma melhor formação. Muitos dos líderes em diversos espaços e organizações awajun e wampis passaram pelo colégio", descreve o porta-voz dos jesuítas.

O assassinato

"A senhora que trabalha na cozinha do colégio o encontrou morto esta manhã, imobilizado, com golpes na cabeça", afirmou Miranda nesta sexta-feira por telefone. Um comunicado publicado pelos jesuítas horas antes manifestava "a perplexidade e a dor" dessa comunidade, assim como sua "recusa a toda forma de violência". "Confiamos que as autoridades possam esclarecer as causas de sua morte e as circunstâncias em que ela ocorreu".

A rádio de notícias Radioprogramas informou que possivelmente o assassino seja um ex-aluno que foi expulso por Riudavets e que estava o ameaçando, no entanto, os colegas e superiores do sacerdote não foram avisados sobre esse suposto risco.

"Carlos vivia na casa do colégio, ao lado da capela. Esteve até segunda ou terça-feira passada em Jaén (a cidade comercial mais próxima, a cerca de três horas) fazendo compras porque na segunda-feira, dia 13, os alunos já voltariam para as aulas. Não temos informações de que o teriam ameaçado, mas sempre há tensões porque as crianças vivem ali", acrescentou Miranda.

Riudavets "será enterrado no Vicariato de Jaén, lugar ao qual dedicou sua vida". "Foi um homem muito comprometido com sua missão, em uma área difícil. Às vezes as pessoas vão entusiasmadas, mas nem sempre resistem. Não é sempre fácil encontrar pessoas que possam estar muito tempo em uma área selvagem, e ele foi sempre muito disponível, por isso permaneceu ali tanto tempo", destacou o sacerdote.

No Amazonas, região onde o padre assassinado viveu e trabalhou, a pobreza afeta cerca de 35% da população. Além disso, há uma grande quantidade de casos de transmissão de HIV, violência sexual contra meninas, derramamento de petróleo em rios que abastecem as comunidades e, também, mineração ilegal.

Segundo Religión Digital, de 11 de agosto de 2018, a REPAM reconhece o trabalho do Pe. Riudavets e destaca que a vida do Pe. Carlos na missão jesuíta amazônica nos deixa um legado de entrega, compromisso e responsabilidade.

A Companhia de Jesus no Peru comunicou nesta manhã de 10 de agosto que o jesuíta espanhol Pe. Carlos Riudavets SJ foi encontrado morto com sinais de violência em sua residência no Colégio Valentín Salegui, localizado em Yamakai-éntsa, distrito de Chiriaco, Província de Bagua.

Tinha 73 anos de idade e 38 anos trabalhando naquele território. Os jesuítas do Peru manifestaram sua perplexidade e dor, assim como a recusa a toda forma de violência; e esperam que as autoridades possam esclarecer as causas de sua morte e as circunstâncias nas quais ela aconteceu.

Pe. Carlos Riudavets entrou para a Companhia de Jesus na então província de Toledo e foi aluno do colégio de San José de Villafranca de los Barros, em Badajoz. Atualmente era diretor de um colégio da rede Fé e Alegria em uma área da selva peruana, na comunidade nativa Yamakaientsa em Imaza.

A Rede Eclesial Pan Amazônica - REPAM também expressou, em um comunicado, seu profundo pesar diante do falecimento do sacerdote jesuíta. Pe. Riudavets chegou a Alto Marañon em 1980 e era muito querido pelos moradores do local, especialmente entre os membros das comunidades awajun e wampis. Há 40 anos sua missão estava a serviço da Amazônia peruana com os povos originários.

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