A Heterodoxia do Pseudo-Dionísio: hierarquia e burocracia na Teologia Medieval

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Por: Rafael Francisco Hiller | 16 Maio 2018

“Dizemos, portanto, que a causa de todas as coisas e que está além de todas as coisas não é absolutamente razão, nem inteligência. Entretanto, não é absolutamente um corpo, nem uma figura, nem uma forma e não tem quantidade ou qualidade ou peso; não está em algum lugar, não vê, não tem um tato sensível, não sente, nem cai debaixo da sensibilidade; não conhece desordem e perturbação para ser agitado pelas paixões naturais ... Portanto, começando a subir, dizemos que não é alma nem inteligência; não possui imaginação ou opinião ou razão ou pensamento; não é Palavra nem pensamento; não se pode exprimir nem pensar; não é número nem ordem; nem grandeza nem pequenez ... e está acima de toda a negação a excelência de quem é livre absolutamente de tudo e que está acima do universo” (Dionísio Areopagita).

Dionísio Areopagita ou Pseudo-Dionísio era detentor de grande estima no decorrer de toda a Idade Média, pois o identificam como contemporâneo dos primeiros cristãos. Pseudo-Dionísio, supostamente, teria vivido na Síria e era, como tudo indica, detentor do título de bispo por causa da forma de o mesmo se dirigir aos dirigentes da igreja. Seus escritos fornecem uma excelente contribuição no que tange aos estudos de filosofia da religião. Tal autor destaca-se por sua superioridade de pensamento entre os pensadores cristãos; de orientação neoplatônica, porém sem nunca citar a mesma.

A estrutura de pensamento elaborada por Pseudo-Dionísio se tornou basilar para a espiritualidade ocidental, principalmente no que se refere à ideia de ascensão à divindade. Dionísio é considerado um dos principais autores da então chamada teologia apofática; tanto para ele como para os demais autores desta escola, Deus apresenta-se como um ser incognoscível e inatingível. Seu pensamento é também conhecido por reconhecer a completa espiritualidade dos anjos, contrariando, desta forma, o agostianismo, bem como os platônicos cristãos que consideravam que os mesmos eram formados por uma matéria de características sutis. 

Na sua obra O Reino e a Glória, Agamben utiliza de seus estudos em teologia para elaborar o seu pensamento filosófico. Segundo o autor, a angelologia é basilar no desenvolvimento das reflexões em torno do Estado Moderno. Agamben acaba por desenvolver uma visão extremamente problematizada de Pseudo-Dionísio, pois trata o mesmo como um “mistificador”. Segundo o professor Alan Gignac, “Agamben  buscou fazer da hierarquia angélica o modelo e por consequência a legitimação da hierarquia eclesiástica”. Gignac também afirma que “Agamben me fez descobrir uma acepção da palavra hierarquia, a partir de sua etimologia, um significado tão evidente que a gente esquece: hiera – archie significa ‘poder sagrado’. É o que faz Pseudo-Dionísio, e é o que Agamben lhe reprocha: ele sacraliza o poder. O poder se torna sagrado”.

Gerson Leite de Moraes e Daniel Nagao Menezes, no Cadernos Teologia Pública número 131, “descrevem o papel essencial dos escritos do Pseudo-Dionísio, o Areopagita, na organização da Teologia Política medieval e, posteriormente, demonstram que a noção de hierarquia não está presente na oikonomia trinitária dos primeiros séculos da Igreja cristã, pelo menos do ponto de vista dos Concílios Ecumênicos, que traduzem oficialmente aquilo que pode ser denominado como Ortodoxia”.

 

 O texto está organizado da seguinte forma:

1- O Pseudo-Dionísio e sua importância na idade Média

2- Agamben relendo o Pseudo-Dionísio 

Gerson Leite de Moraes. Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul (1999), graduação em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie/SP (2006). Mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas/SP (2003), Doutorado em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/SP (2008) e Doutorado em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas/SP - UNICAMP (2014). Atualmente é Professor Doutor Adjunto I da Universidade Presbiteriana Mackenzie/SP.

Daniel Nagao Menezes. Possui graduação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, especializações em Direito Constitucional e Direito Processual Civil ambos pela PUC-Campinas, Especialização em Didática e Prática Pedagógica no Ensino Superior pelo Centro Universitário Padre Anchieta, Mestre e Doutor em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Professor do Programa de Pós-Graduação em Direito Político e Econômico da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pós-doutorando pela Universidade São Paulo. Membro do CIRIEC-Brasil.

Para acessar o texto: clique aqui

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