Conservadores criticam casamento improvisado celebrado pelo Papa a bordo de avião

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22 Janeiro 2018

Parece que a lua de mel, se é que se pode chamar assim, acabou.

Um dia depois de o Papa Francisco aparecer em todas as manchetes por celebrar um casamento de um casal de comissários de bordo, a cerca de 11.000 km de altura, sobrevoando o Chile, observadores católicos conservadores questionaram a legitimidade do Sacramento improvisado na sexta-feira e advertiram que isso poderia baratear a preparação do casamento pela Igreja no futuro.

A reportagem é publicada por Crux, 20-01-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

"Sabe o que é um ‘matrimônio’ caindo de maduro para ser anulado?”, tuitou o blogue tradicionalista Rorate Caeli. "É um matrimônio que parece ter sido celebrado por um capricho, em um avião, cujo celebrante não pode sequer ter certeza se ambas partes são devidamente batizadas".

Para quem não acompanhou as notícias, na quinta-feira, o Papa Francisco celebrou o que segundo o Vaticano foi o casamento doutrinária e canonicamente legítimo de Paula Podest e Carlos Ciuffardi, comissários de bordo da LATAM, voo 1250, que levou o Papa, sua delegação e a imprensa de viagem de Santiago até a cidade de Iquique, ao norte do Chile.

Como disse o sorridente casal a jornalistas após o fato - e depois de servir o café da manhã -, eles esperavam apenas conseguir uma bênção do Papa. Eles disseram-lhe que haviam casado civilmente em 2010, mas que os planos de casar na Igreja foram por água abaixo por causa de um terremoto.

Quando Carlos Ciuffardi disse isso, o Papa se propôs a casá-los ali mesmo, em partes para motivar outros casais a realizar o matrimônio na Igreja em um momento em que cada vez mais casais estão simplesmente indo morar juntos.

"Ele me disse que é um fato histórico, que nunca antes um Papa casou alguém a bordo de um avião", disse ele a repórteres, no compartimento de trás do avião.

O efeito da cena surreal - pelo menos temporariamente - foi de dar um alívio a Francisco depois de sua visita ao Chile ter sido dominada por um escândalo de abuso sexual na Igreja.

O canonista Ed Peters, consultor do Supremo Tribunal do Vaticano, mas crítico frequente de Francisco, questionou sobre se uma série de leis da Igreja foi respeitada, como a exigência de que o casal passe por aconselhamento pastoral e que a Igreja comprove que não havia obstáculos para o matrimônio.

Em um post num blogue, após a sexta-feira, ele observou uma notícia de dezembro da mídia chilena dizendo que o casal estava à espera de um casamento no ar, celebrado por Francisco, sugerindo que a surpresa causada pela cerimônia não foi tão surpreendente assim. Carlos Ciuffardi disse que repórteres chilenos tinham sugerido isso antes do fato, mas insistiu que ele e Paula queriam apenas uma bênção papal, e que nada foi confirmado até estarem a bordo do avião.

O blogueiro conservador Phil Lawler ponderou que os sacerdotes podem ter mais dificuldade em tentar preparar casais católicos para o matrimônio de forma adequada agora que Francisco havia aberto o precedente papal de completar o processo entre a decolagem e aterrissagem.

"Ele pede que eles reflitam com seriedade sobre seu compromisso? Não!", escreveu Lawler no Catholic Culture. "Ele questiona sobre os anos de convivência do casal? É evidente que não. Ele ouve suas confissões? Provavelmente não. Planeja uma cerimônia digna? Nem um pouco."

Claro, os pessimistas acenam da blogosfera anglo-saxã, que está entre as que mais criticam Francisco, principalmente em relação a matrimônio.

Francisco tem causado controvérsias sobre sua abertura cautelosa à permissão a católicos divorciados e que casaram novamente no civil de receber a comunhão. Portanto, qualquer questão relativa ao matrimônio é particularmente sensível.

No The Tablet, um jornal britânico mais liberal, o correspondente do Vaticano, Christopher Lamb, sugeriu que as núpcias no ar eram parte da "mudança de paradigma" que Francisco está tentando imprimir na Igreja.

“Não é que o Papa esteja fazendo pouco caso da necessidade de regras, para o direito canônico ou para questões burocráticas, mas garantindo que seja priorizada corretamente", escreveu. "Para o Papa, essas coisas devem apoiar a propagação do Evangelho, e não se tornarem os espinhos que crescem e estrangulam as sementes na parábola do semeador."

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