Papa inicia viagem ao Chile com visita surpresa ao 'bispo dos pobres'

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16 Janeiro 2018

O Papa Francisco ainda nem chegou ao Chile e já está abalando as estruturas em sua visita de três dias, a apenas poucos dias de uma visita semelhante ao Peru, ao acrescentar uma parada não programada para visitar o túmulo de um prelado local considerado "bispo dos pobres".

A informação é publicada por Crux, 15-01-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Pouco antes de o avião papal transportando Francisco partir para Santiago, a capital chilena, por volta das 08:30 de segunda-feira, um porta-voz do Vaticano anunciou que no caminho do aeroporto até a residência onde vai ficar, hoje, mais tarde, Francisco vai fazer um desvio até a paróquia de San Luis de Beltrán, no bairro Pudahuel, para visitar o túmulo do bispo Enrique Alvear Urrutia, falecido em 1982.

Logo após sua eleição, em março de 2013, Francisco expressou o desejo de liderar uma "Igreja pobre para os pobres", e, no contexto do Chile, poucas figuras simbolizam esse objetivo melhor que Alvear, cujo lema episcopal foi: "Cristo me enviou para evangelizar os pobres".

Em uma viagem em que o reconhecimento de Francisco às vítimas da ditadura militar do Chile de Augusto Pinochet nos anos 70 e 80 tem ficado subjacente, o tributo a Alvear é significativo, pois o prelado chileno era conhecido por sua oposição a violações dos direitos humanos nos anos de regime militar, enfrentando ameaças de detenção e de morte para defender as vítimas.

Nascido em 1916, Alvear foi o oitavo de 11 filhos de uma família profundamente católica. Estudou na Pontifícia Universidade Católica do Chile e foi ordenado sacerdote em 1941, dedicando-se a servir aos pobres. Tornou-se bispo de San Felipe em 1964 e, mais tarde, bispo auxiliar de Santiago durante a última década de sua vida.

Entre outras coisas, participou do Concílio Vaticano II (1962-65) e teve um envolvimento profundo com a Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (CELAM), ambos paixões pessoais também de Francisco.

Na noite em que os militares chilenos na ditadura de Pinochet depuseram o presidente Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, e assumiram o controle do país, contra os conselhos dos próprios assessores e conselheiros, Alvear apresentou-se em prisões para questionar sobre a situação das pessoas que haviam sido presas em “batidas” realizadas como parte do golpe.

Mais tarde, Alvear tornou-se propriedade da grande Villa Grimaldi, uma das maiores prisões e centros de tortura operados pela polícia secreta do Chile na ditadura de Pinochet. Isso fez com que ele se tornasse uma figura de desconfiança aos olhos do regime e de seus apoiadores mais fervorosos, e, em certa altura, foram implantadas bombas em seu escritório, no que, na época, foi amplamente considerada uma tentativa de intimidá-lo a calar-se.

Depois de sua morte, a Agrupación de Familiares de Detenidos Desaparecidos, do Chile, uma organização que reúne os familiares das pessoas que desapareceram na ditadura de Pinochet, prestou homenagem a ele.

"Nunca conseguiríamos expressar-lhe em palavras o quanto nós o amamos, o quanto nós o respeitamos. Só ao dizer seu nome, nosso coração bate com alegria e se enche de uma doçura calorosa, essa alegria que nos faz conhecer seus serviços inabaláveis a serviço das pessoas em sofrimento", dizia a homenagem. "Pelo que nos deu, pelo que nos ensinou, obrigada por ser tão maravilhosamente terreno."

Uma causa de beatificação foi aberta para Alvear em março de 2012, pelo cardeal Ricardo Ezzati, de Santiago, com um dos colegas jesuítas de Francisco, o padre chileno Jaime Correa Castelblanco, nomeado delegado episcopal do projeto.

Francisco estará no Chile até o final da quinta-feira, quando vai para o Peru antes de partir para Roma, na noite de domingo, onde chega no final da tarde de segunda-feira, 22 de janeiro.

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