Sem Bannon, é possível iniciar uma nova fase entre o Vaticano e os EUA

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09 Janeiro 2018

A publicação do livro Fire and Fury [Fogo e fúria] produziu uma ruptura entre “o homem sombrio” e o presidente. Agora, no Vaticano, veem uma maior possibilidade de diálogo.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada no sítio L’HuffingtonPost.it, 08-01-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Por uma daquelas coincidências quase inacreditáveis das quais a História se encarrega, o teste de colisão que levou Steve Bannon a bater contra o presidente estadunidense Donald Trump por ocasião da publicação do livro Fire and Fury: Inside the Trump White House [Fogo e fúria: dentro da Casa Branca de Trump] se sobrepôs temporariamente ao tradicional discurso de início do ano do papa ao Corpo Diplomático credenciado junto à Santa Sé.

Steve, “o Bárbaro” (que, em agosto de 2017, já teve que deixar o seu cargo de estrategista da Casa Branca), só agora parece definitivamente posto de lado. Entre as consequências mais relevantes, há também a de que a sua saída de cena pode abrir uma fase nova, ou pelo menos uma perspectiva diferente, nas relações entre os Estados Unidos e o Vaticano, entre Trump e Francisco.

Apologeta da escuridão e do mal, defensor, por assim dizer, do lado sombrio da Força, parafraseando a saga Star Wars (“A escuridão é boa... Dick Cheney, Darth Vader, Satanás. Isso é poder”, ele chegou a declarar sem embaraços ao Hollywood Reporter em novembro de 2016), seguidor do fascista esotérico Junius Evola, havia sido justamente Bannon quem apontou o dedo contra o Papa Francisco e o Vaticano, alavancando um grupo de ultraconservadores, a começar pelo cardeal Raymond Burke (patrono da Ordem de Malta, supervisionada pelo papa), impulsionando, no seu país, uma “nova guerra santa” e o Muslim ban, e alimentando em Roma as teses dos chamados “sedevacantistas” (que defendem que foi um complô dos democratas estadunidenses que levou à renúncia de Bento XVI, o único pontífice legítimo), dos cardeais “duvidosos” e assim por diante.

A queda do “homem sombrio” de Trump (descrito por muitos como um Tigelino, teórico do suprematismo branco e do apocalipse social), para a diplomacia vaticana em tempos de Papa Francisco, poderia ser uma forte assistência, quase providencial, se se levarem em consideração as frentes de guerra abertas no mundo (do Oriente Médio à Coreia) e as preocupantes condições do planeta (recordados por Francisco no seu discurso dessa segunda-feira).

Em agosto, quando Bannon deixou o cargo de estrategista-chefe, o historiador italiano Alberto Melloni tuitou: “Um antigo ditado dizia ‘quem come papa pena’. O estrategista do assédio contra Francisco caiu na sua estratégia”.

E, talvez, não seja coincidência que a saída da Casa Branca tenha ocorrido pouco depois de um famoso artigo escrito na revista La Civiltà Cattolica (que, como se sabe, tem o placet da Secretaria de Estado) a quatro mãos por dois dos mais credenciados intérpretes do pensamento do Papa Francisco, o diretor, Pe. Antonio Spadaro, e Marcelo Figueroa, pastor presbiteriano e diretor da edição argentina do L’Osservatore Romano.

Naquela ocasião (15 de julho de 2017), Spadaro e Figueroa acusaram os católicos estadunidenses ultraconservadores de terem feito uma aliança com os evangélicos que apoiaram Trump, construindo uma espécie de “ecumenismo do ódio”. No artigo, Bannon era citado explicitamente como um defensor de uma “geopolítica apocalíptica”, que invoca uma espécie de Armageddon sobre esta terra entre o Bem e o Mal, explorando os sentimentos religiosos em função de uma forte polarização política, com uma leitura literal da Bíblia muito semelhante àquela feita pelos jihadistas do Alcorão.

Mas, já no fim de maio, quando ocorreu a visita de Trump ao papa, Bannon não estava presente na delegação e havia voltado mais cedo para Washington, enquanto o papel de poder suave em relação à Santa Sé foi desempenhado por Ivanka Trump, usando tons muito diferentes do que os de Bannon, especialmente sobre a questão dos imigrantes e dos últimos.

Agora que o presidente – com a publicação do livro Fire and Fury – pôde provar diretamente na sua pele do que “o Bárbaro” é capaz, isso talvez possa abrir uma brecha na sua visão das coisas e “uma possibilidade de maior diálogo também com a Santa Sé”, comentam alguns no Vaticano.

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