Tradição jesuíta de ensino

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03 Novembro 2017

“A Companhia de Jesus desenvolveu seu propósito educativo no chamado Documento dos 4Cs, argumentando que há uma busca pela excelência humana dos estudantes, formando homens e mulheres, conscientes, competentes, compassivos e comprometidos; assim, a excelência acadêmica, dimensão fundamental de um colégio da Companhia, situa-se no contexto de uma formação integral para a excelência humana. O Padre Sosa é enfático ao afirmar que esta excelência humana integral é o que dá o último sentido à excelência acadêmica”, escreve Carlos Ayala Ramírez, professor do Instituto Hispânico da Escola Jesuíta de Teologia, Universidade de Santa Clara, EUA, em artigo publicado por ALAI, 31-10-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Eis o artigo.

Como já se sabe, a palavra "tradição" significa o que é passado ou entregue de uma geração para outra. Evidentemente, entrega-se o que é considerado valioso para colocá-lo a produzir, dependendo das circunstâncias de tempo, lugares e pessoas. No que diz respeito à tradição inaciana de ensino, o que se recebe não é simplesmente um método didático, mas uma pedagogia que leva a uma forma de saber e de proceder, a um modo de ensinar e aprender. Pois bem, há alguns dias, o Congresso Internacional de Delegados da Educação da Companhia de Jesus foi realizado. O evento, realizado no Rio de Janeiro, reuniu delegados provinciais de educação e as redes regionais que apoiam o trabalho educativo pré-secundário e secundário, entre outros. Um dos principais objetivos do encontro foi refletir sobre as fronteiras educacionais atuais no caminho da renovação educacional.

Nesta linha, cabe destacar o discurso do Superior-Geral dos Jesuítas, Arturo Sosa, intitulado "Uma pedagogia a serviço da formação de um ser humano reconciliado com seus semelhantes, com a criação e com Deus". Destacamos três aspectos de sua mensagem: entender a tradição inaciana de ensino como uma memória inspiradora e não como um peso paralisante; cultivar a educação que se abre para a compreensão do mundo em que vivemos; e lidar com os desafios atuais apresentados pela educação voltada para o futuro.

Em primeiro lugar, falando dos momentos fundacionais e de renovação, o Superior-Geral recordou que, originalmente, a Companhia criou um modelo educacional enraizado na tradição humanista do Renascimento, convencida de que, ao educar o caráter das pessoas, em função do bem comum, uma tarefa apostólica importante era realizada. Logo, explicou que com o Concílio Vaticano II e a formulação da missão da Companhia, elaborada nas Congregações Gerais 31 e 32, os colégios jesuítas foram profundamente renovados. Aquela tradição humanista foi atualizada profeticamente pelo Pe. Arrupe e pelo Pe. Kolvenbach, ao indicar que o propósito da educação jesuíta devia ser "o de formar homens e mulheres para os outros e com os outros".

Posteriormente, a Companhia desenvolveu este propósito educativo no chamado Documento dos 4Cs, argumentando que há uma busca pela excelência humana dos estudantes, formando homens e mulheres, conscientes, competentes, compassivos e comprometidos; assim, a excelência acadêmica, dimensão fundamental de um colégio da Companhia, situa-se no contexto de uma formação integral para a excelência humana. O Padre Sosa é enfático ao afirmar que esta excelência humana integral é o que dá o último sentido à excelência acadêmica.

Em segundo lugar, referindo-se ao trabalho do educador e, em particular, às instituições de ensino da Companhia, o Superior-Geral afirma que é preciso ajudar as jovens gerações para se posicionarem diante do mundo e frente a Deus, para que possam projetar seu desenvolvimento pessoal e social, contribuindo para a construção de um mundo melhor. Nesse sentido, lança um olhar rápido sobre as realidades que precisam ser compreendidas e transformadas. A lista é muito concreta e dramática: milhões de pessoas que estão na condição de migrantes e refugiados, porque escapam de conflitos, desastres naturais ou da pobreza; a crescente desigualdade produzida pelo sistema econômico mundial que empobrece e marginaliza: a crescente polarização, o conflito, o fanatismo, a intolerância e a disposição para gerar atos de terror, violência e guerra; a crise ecológica que fatalmente danifica a casa comum, devido a um sistema de produção e consumo sem limites, que coloca em risco a sustentabilidade do planeta para as gerações futuras; a expansão de um habitat ou cultura digital que tornou possível a expansão da informação e da solidariedade, mas também gerou profundas divisões com a propagação viral de ódio e das notícias falsas; o enfraquecimento da política como busca pelo bem comum, o que tornou possível que líderes populistas cheguem ao poder, explorando o medo e a raiva dos povos.

Finalmente, frente a estas realidades e pensando em uma educação que olha para o futuro, o Superior-Geral menciona alguns desafios que os educadores e as instituições educacionais da Companhia desejariam ter enfrentado.

Neste sentido, incentiva que os centros educacionais jesuítas sejam espaços de pesquisa pedagógica e verdadeiros laboratórios de inovação didática dos quais possam surgir novos métodos ou modelos de formação, que implicam em explorar e aprender o que os outros fazem, e do que a ciência pedagógica propõe para um mundo caracterizado pela cultura digital. Mesmo assim, ele também disse que temos de continuar avançando na educação para a justiça, que esteja muito presente três aspectos: a importância de se aproximar dos mais pobres e marginalizados; a formação de uma consciência crítica e inteligente frente aos processos sociais desiguais; e uma atitude construtiva e dialogante que permita encontrar soluções.

Por outro lado, pede que as instituições ofereçam aos seus alunos uma formação de acordo com a dimensão ecológica da reconciliação; desenvolver uma cultura de proteção dos menores de idade e de pessoas vulneráveis; que proporcionem uma formação religiosa que abra a dimensão transcendental da vida, capaz de transformar indivíduos e povos; e que contribuam para a construção de uma "cidadania global", na qual os direitos e deveres se vinculam, além da própria cultura, dos nacionalismos e dos fanatismos políticos, ou religiosos, que impedem o reconhecimento da fraternidade radical.

Como podemos ver, os desafios são grandes, e para o Superior-Geral, a colaboração com os outros é a única maneira com a qual a Companhia de Jesus pode assumi-los de forma responsável.

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