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14 Setembro 2017

Reforma ou revolução? Eis a dúvida, hamlética, recorrente. Que marcou a modernidade. E que talvez ainda marca o presente.

A reportagem é de Piergiorgio Cattani, publicada por Trentino, 13-09-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Muitas vezes, para os revolucionários, existem dois tipos de inimigos: o regime contra o qual nos levantamos e o adversário interno, isto é, o reformista, o moderado. Os dois polos se repelem. Quantas vezes essa contraposição se repetiu! No entanto, dentro da reforma, pode haver a semente de uma revolução mais duradoura em relação aos incêndios efêmeros das sublevações mais conhecidas e violentas.

Um dado une os dois fenômenos históricos: tanto os movimentos de reforma quanto os revolucionários nascem de um jeito e acabam de outro. Parte-se de uma idealidade bem definida voltada a instaurar um novo sistema baseado na justiça e na igualdade e, como objetivo, o desenvolvimento integral, até mesmo a felicidade do indivíduo. Acaba-se, muitas vezes, depois de violências inenarráveis, em uma simples mudança do pessoal que gere o poder.

Os exemplos poderiam se multiplicar. A Revolução Francesa, tendo passado da revolta da Bastilha ao poder jacobino, até chegar a Napoleão. A russa, liderado pelos moderados anticzaristas e que, depois, se curvou em sentido comunista pelos bolcheviques. A deposição do último imperador chinês sancionou o nascimento de uma república nacionalista, por sua vez, depois de quase 40 anos de devastação, derrubada pela revolução maoísta. Também no Irã o aiatolá Khomeini deu uma guinada islâmica a uma revolução composta e certamente não exclusivamente religiosa.

As reformas, no entanto, têm tempos mais longos para desdobrar os seus efeitos. E o que dizer da Reforma mais conhecida que abalou a cristandade, a de Martinho Lutero? O monge agostiniano certamente não tinha a intenção de fazer uma revolução, um termo que devia entrar na história da humanidade com a obra astronômica de Copérnico (De revolutionibus orbium caelestium), publicada algumas décadas depois da afixação das 95 teses na porta do castelo de Wittenberg.

Lutero tinha começado como reformista, talvez radical. Não havia previsto o cisma. Porém, a história seguiu, quase inexoravelmente, em uma direção precisa. A reforma gerou consequências realmente revolucionárias.

Passaram-se 500 anos desde aquele 1517. Menos conhecido é outro fato ocorrido no mesmo ano: com a bula Ite vos, do Papa Leão X, os frades franciscanos foram divididos em duas “famílias”, os Observantes e os Conventuais. Poucos anos depois, nasciam os capuchinhos. Pode-se dizer que se concluía definitivamente a temporada revolucionária inaugurada por Francisco de Assis e que tivera uma força disruptiva em nível religioso, eclesial, cultural, econômico, social.

Reforma e revolução: a história humana e a política perpassam, através de dramas epocais, essas duas palavras. Elas são unidas por um fato curioso, isto é, que muitas vezes acontecem no mês de outubro.

A reforma de Lutero, a revolução bolchevique, mas também o fim do império chinês (começado com a revolta de Wuchang em 10 de outubro de 1911) e também a proclamação por parte de Mao Zedong da República Popular da China, no dia 1º de outubro de 1949.

Em suma, “tudo acontece em outubro”. Assim intitula-se o percurso formativo sobre “Reforma e Revolução”, promovido pela Associação Oscar A. Romero e pela revista Il Margine, em colaboração com a editora Il Margine. Durante seis sábados deste segundo semestre de 2017 (o último de setembro, os quatro de outubro, o primeiro de novembro), palestrantes de nível nacional [italiano] se alternarão em uma série de encontros que conduzirão entre os conceitos de reforma e revolução.

Entre as figuras mais conhecidas, estão o filósofo e estudioso de mística Marco Vannini e Ettore Cinnella, o maior estudioso italiano da revolução russa. Paolo Prodi falava de um “pôr-do-sol” da revolução, pelo menos como a conhecemos até agora. Mas outros fenômenos globais podem desencadear novas agitações e subversões capazes de inverter a (des)ordem mundial.

Por isso, um encontro específico será dedicado ao tema das migrações, com Vincenzo Passerini e Giacomo Zandonini, repórter trentino que, há anos, ocupa-se dessa questão, com viagens de campo.

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