Lembrança do teólogo argentino Rafael Tello no centenário de seu nascimento. Onde a fé tem uma cor especial

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14 Agosto 2017

"Tello sempre foi um bom filho da Igreja. Não lembro jamais ter lido ou ouvido nada dele contra a Igreja. Ele a considerava sua mãe. Seu legado vai continuar a mostrar-nos os caminhos do Espírito para a sempre nova tarefa da evangelização em que estamos envolvidos" escreve Jorge Mario Bergoglio, atual Papa Francisco, em artigo publicado por L'Osservatore Romano, 8-10-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Um perfil espiritual. Para comemorar o primeiro centenário do nascimento do teólogo argentino Rafael Tello (1917-2002), publicamos o prefácio do livro de Enrique Ciro Bianchi, "Introduzione alla teologia del popolo. Profilo spirituale e teologico di Rafael Tello" (Bologna, EMI, 2015) escrito por Jorge Mario Bergoglio. Trata-se da mensagem que o arcebispo de Buenos Aires proferiu em 10 de maio de 2012 na Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidad Católica Argentina para apresentar a edição original do livro. (Jorge Mario Bergoglio)

Eis o texto.

A história tem suas ironias. Esta é a primeira vez que venho à Faculdade de Teologia (não me formei aqui). E venho para apresentar um livro sobre o pensamento de um homem que foi afastado por esta Faculdade. Coisas da história. Deus sabe como corrigir os erros: a mesma hierarquia que em determinado momento considerou oportuno afastá-lo, agora afirma que seu pensamento é válido. Mais do que isso, é base da obra evangelizadora na Argentina. Quero agradecer a Deus por isso.

O livro que hoje apresentamos tem, em minha opinião, duas preciosas características que merecem ser destacadas. Primeiro, nos ajuda a compreender teologicamente as maneiras próprias pelas quais o nosso povo mais humilde expressa sua fé. E, por outro lado, dá-nos a oportunidade de entrar em contato com o pensamento de um teólogo que foi um dos mais prolíficos da nossa Igreja argentina, mas que ainda não recebeu o devido reconhecimento. A partir dessas duas ideias quero apresentar algumas reflexões.

Antes de qualquer coisa, é preciso lembrar que a fé é sempre uma graça, um dom de Deus imerecido de nossa parte. Deus derrama continuamente o seu amor sobre nós e é isso que nos torna cristãos. Traduzindo para nosso dialeto local lunfardo: Deus nos primerea, nos antecipa, sempre nos antecipa, nos ama primeiro, nos procura primeiro, nos espera primeiro. E isso é pura graça. Como diz a Escritura: "Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou" (1 João, 4, 10).

Neste quadro vive a fé, e neste quadro vive a fé do nosso povo humilde. É aquele amor que nos dá força, esperança e alegria nas nossas vidas cotidianas. A fé é a nossa resposta a esse amor, é encontrar um lugar seguro em Deus, é entrar em comunhão com o mistério de um amor que nos supera e nos envolve. E Deus concede abundantemente essa graça, e de maneira especial, entre os pobres. Ela a dá a todos, mas aos pobres de maneira especial. O próprio Jesus admira-se por essa predileção divina quando ele diz: "Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos (Mt 11, 25).

De uma perspectiva histórica, o nosso continente latino-americano é marcado por duas realidades: a pobreza e o cristianismo. Um continente com muitos pobres e muitos cristãos. Isto faz com que em nossas terras a fé em Jesus Cristo assuma uma cor especial. As procissões acompanhadas por multidões, a veneração fervorosa de imagens religiosas, o profundo amor pela Virgem Maria e tantas outras expressões de piedade popular são um testemunho eloquente. O documento de Puebla expressa essa compreensão, afirmando que a encarnação do Evangelho na América produziu uma "originalidade histórico-cultural" (cfr. Documento de Puebla, 446). Em cinco séculos de história, em nosso continente, foi se desenvolvendo uma nova forma cultural de viver o cristianismo, o cristianismo encontrou uma nova cara.

Quando nos aproximamos de nosso povo com o olhar do bom pastor, quando não vimos para julgar, mas para amar, descobrimos que esta forma cultural de expressar a fé cristã ainda permanece viva entre nós, especialmente entre o nosso povo mais pobre. Apenas isso, livre de qualquer idealismo sobre os pobres, de qualquer pauperismo teológico. É um fato. É uma grande riqueza que Deus nos deu. Aparecida deu um passo à frente em reconhecê-lo. Se antes falava-se de religiosidade popular (o termo ainda está em uso), Paulo VI deu um passo à frente e disse: seria melhor chamá-la de piedade popular. Aparecida deu outro passo à frente e a chamou de espiritualidade popular.

De uma perspectiva histórica, se olharmos para estes cinco séculos de história, veremos que a espiritualidade popular é um caminho original ao longo do qual o Espírito Santo conduziu e continua a conduzir milhões de nossos irmãos. Não se trata apenas de manifestações de religiosidade popular que temos de tolerar, trata-se de uma verdadeira espiritualidade popular que deve ser reforçada de acordo com suas próprias peculiaridades.

Depois de Aparecida não podemos mais tratar a piedade popular como a Cinderela da casa. Vejam como isso é notável: na preparação do documento de Aparecida, três ou quatro dias antes da votação final, o documento tinha recebido 2440 emendas que deveriam ser resolvidas dentro daquele prazo. No entanto, o capítulo sobre a espiritualidade popular, recebeu apenas duas ou três observações, de cunho meramente estilístico e secundário. Foi respeitado exatamente da forma como fora redigido pela comissão, que refletia todo o episcopado que lá estava presente. Este é um sinal.

Não é a Cinderela da casa. Eles não são aqueles que não entendem, aqueles que não sabem. Fico sentido quando alguém diz: "Aqueles, temos que educá-los". Sempre nos persegue o fantasma do Iluminismo, aquele reducionismo ideológico-nominalista que nos leva a desconsiderar a realidade concreta. E Deus quis falar-nos através de realidades concretas. A primeira heresia da Igreja é a gnose, que já criticava e condenava o apostolo João. Mesmo hoje em dia podem surgir posições gnósticas frente a esse fato da espiritualidade ou piedade popular.

Sobre o tema da piedade popular nos últimos tempos existem dois pilares insuperáveis, a que devemos recorrer como fontes: Evangelii nuntiandi (que, como exortação apostólica sobre a evangelização ainda não foi superada em seu conjunto) e Aparecida. É preciso fazer referência a essas fontes.

Aparecida retoma e atualiza para a realidade do nosso continente o ensinamento de Paulo VI na Evangelii nuntiandi. Recomendo a vocês lerem os pontos em que se trata do tema, ou seja, do 258 ao 265. Cada uma dessas passagens merece uma meditação cuidadosa. Afirma, por exemplo: "Nossos povos se identificam particularmente com o Cristo sofredor, olham-no, beijam-no ou tocam seus pés machucados, como se dissessem: Este é “o que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Muitos deles golpeados, ignorados despojados, não abaixam os braços. Com sua religiosidade característica se agarram no imenso amor que Deus tem por eles e que lhes recorda permanentemente sua própria dignidade. Também encontram a ternura e o amor de Deus no rosto de Maria. Nela vem refletida a mensagem essencial do Evangelho". (Documento de Aparecida, 265).

Também: "A piedade popular é uma maneira legítima de viver a fé, um modo de se sentir parte da Igreja e uma forma de ser missionários; onde se recolhem as mais profundas vibrações da profunda América. É parte de uma ‘originalidade histórica e cultural’ dos pobres deste continente, e fruto de ‘uma síntese entre as culturas [dos povos indígenas] e a fé cristã’”(264).

Uma última citação, muito importante: "Não podemos rebaixar a espiritualidade popular ou considerá-la um modo secundário da vida cristã, porque seria esquecer o primado da ação do Espírito e a iniciativa gratuita do amor de Deus" (263).

A piedade popular é o desdobramento da memória de um povo. É essencialmente deuteronômica. Não podemos compreendê-la sem um enquadramento deuteronômico. E aquela memória se desdobra de diferentes formas. Monsenhor Tavella, Arcebispo de Salta nos anos 1940, contava uma anedota. Um dia ele entrou na catedral e viu um índio que rezava em intensa concentração diante do Senhor dos Milagres. Tavella cumpriu o seu ofício e o índio continuava lá, quieto. No final, o bispo ficou curioso e esperou para ver o que aconteceria. Teve que esperar bastante até o índio terminar. Então ele se aproximou. "A bênção, padrecito", falou imediatamente o índio. Dom Tavella lhe perguntou: "O que você estava rezando?". "O catecismo, padrecito", respondeu o índio. Era o Catecismo de São Turíbio (século XVI). A memória de um povo.

Uma lembrança pessoal de piedade popular. Por dois anos fui o confessor na residência de Córdoba. A residência da Companhia, em Córdoba, está localizada em pleno centro, ao lado da universidade. Ali se confessam estudantes universitários, professores e pessoas dos bairros mais populares que quando vêm para o centro aproveitam para se confessar por que o padre do bairro não tem tempo para as confissões no domingo, já que precisa rezar uma missa atrás da outra. E notei que entre as pessoas do povo havia pessoas que se confessavam "bem". Não faziam perder tempo. Diziam o que havia a ser dito. Nunca falavam nada que não fosse pecado. Não se gabavam. Falavam com grande humildade. Um dia perguntei a um deles de onde ele vinha. Era de Traslasierra. A memória catequética de dom Brochero. Um povo que se expressava bem no sacramento da reconciliação (fico feliz de recordar esse episódio hoje, o dia em que em Roma foi reconhecido o milagre do cura Brochero, então, se Deus quiser, no próximo ano o veremos beato). A piedade popular flui da memória de um povo e - repito - é preciso interpretá-la dentro de um quadro deuteronômico.

A Igreja fez uma opção preferencial pelos pobres, e isso deve nos levar a conhecer e apreciar as suas formas culturais de viver o Evangelho. É bom - e é necessário - que a teologia se ocupe da piedade popular, é o "precioso tesouro da Igreja Católica na América Latina", afirmou o Papa Bento XVI inaugurando a Conferência de Aparecida.

Padre Tello oferece um pensamento teológico sólido que pode nos servir de base para apreciar essa espiritualidade em suas verdadeiras dimensões. É isso que propõe o livro que estamos apresentando. Ele tem o mérito de oferecer uma reflexão sobre a articulação entre a fé cristã e as diversas culturas. O Padre Bianchi não se estende tanto em descrever as várias expressões da espiritualidade popular, mas procura mais uma base teológica desta última. O ponto de partida é pensar o homem como um ser social por natureza. Ninguém pode viver totalmente isolado, todos os atos das pessoas ocorrem em um ambiente histórico que os condiciona, a obra concreta é marcada pela cultura em que ela ocorre. Na dinâmica da história, o homem cria a cultura e a cultura influência o homem. Nas palavras de João Paulo II: "O homem é simultaneamente filho e pai da cultura onde está inserido” (Fides et Ratio, 71).

Neste ponto a fé não faz exceção. A fé sempre se expressa culturalmente. A criança aprende com os pais, os professores, os catequistas e o ambiente. Como eu falava no começo, a fé é, acima de tudo, uma graça divina. Acrescentaremos agora que também é um ato humano, e, portanto, um ato cultural. Portanto, podemos falar de uma forma cultural de aprender e de expressar a fé. Por isso, pode-se dizer - como afirma Tello - que tudo que o nosso povo pobre expressa em sua piedade popular brota de uma verdadeira fé, e que desta fé também brota uma atitude cristã perante a vida.

Quando, como Igreja, nos aproximamos dos pobres para acompanhá-los, constatamos - além das enormes dificuldades diárias – que vivem com um sentido transcendente da vida. De alguma forma o consumismo ainda não os escravizou. A vida visa algo que vai além desta vida. A vida depende de Alguém (com A maiúscula) e esta vida precisa ser salva. Tudo isso está no âmago de nosso povo, mesmo que seja incapaz de formulá-lo em termos conceituais.

O significado transcendente da vida que vemos no cristianismo popular é a antítese do secularismo que se espalha nas sociedades modernas. É um ponto-chave. Se quiséssemos falar em termos antagônico-agressivos, diríamos que a fé do nosso povo é uma bofetada nos comportamentos secularizantes. Por isso, pode-se dizer que a piedade popular é uma força ativamente evangelizadora que possui em seu âmago um antídoto eficaz frente o avanço do secularismo. Aparecida exprime-se com palavras similares: "A piedade popular, (...) no ambiente de secularização que vivem nossos povos, continua sendo uma poderosa confissão do Deus vivo que atua na história, e um canal de transmissão da fé” (264).

A Igreja é chamada a acompanhar e fertilizar incessantemente essa maneira de vivenciar a fé de seus filhos mais humildes. Nessa espiritualidade existe um "rico potencial de santidade e de justiça social" (Documento de Aparecida, 262) do qual precisamos nos valer para a Nova Evangelização. Como diria o próprio Tello: o cristianismo popular deve ser reforçado com uma pastoral popular.

Conheci Tello quando eu tinha dezessete anos. No Instituto Carmen Arriola de Marín. Durante um retiro que era oferecido aos jovens. Participei junto com meu irmão. Voltamos de trem. Falamos muito: havíamos comprado alguns livros e ele nos recomendara quais ler. Esse foi o meu primeiro encontro com Tello.

Mais tarde, o penúltimo ou terceiro último encontro ocorreu um mês após minha nomeação como arcebispo de Buenos Aires. Visitei-o em sua casa. Conversamos por um longo tempo. Por fim, ele me disse: "Quarracino devolveu minha licença, mas oralmente. Não tenho a confirmação no papel. Tu poderias cuidar disso?”. Claro que, no dia seguinte, garanti que recebesse o certificado assinado. Tive a alegria interior de realizar esse ato de reparação assinando as licenças ministeriais do padre Tello. Lembro-me muito bem desses dois encontros.

Quero render um ato de justiça à memória do Padre Tello. Foi uma pessoa admirável, um homem de Deus, enviado para abrir caminhos. Nenhuma pessoa que abre novos caminhos fica com o corpo isento de cicatrizes. Tello teve suas dificuldades, sofreu feridas, mas fez com que fossem cicatrizadas por sua mãe, a Santa Igreja. Como todo profeta, não foi compreendido por muitos de seu tempo. Suspeitado, caluniado, castigado, foi posto de lado e não escapou ao destino da cruz com que Deus marca os grandes homens da Igreja.

Hoje, nesta Faculdade que tanto deve ao seu ex-professor, quero fazer grata memória de sua vida, que foi um dom de Deus para a nossa Igreja. Trinta e três anos após sua aposentadoria e dez anos após sua morte, as suas marcas permanecem vivas nos seus discípulos e entre nós. Durante sua vida pública, ele generosamente dispensou a luz de sua sabedoria como professor desta Faculdade, perito teológico da Comissão Episcopal da Pastoral e incentivador de inúmeras iniciativas pastorais. Talvez a mais conhecida seja a peregrinação dos jovens a Luján, que ainda é realizada e é um dos eventos mais profícuos da vida de nossa Igreja.

Foi destinado a viver tempos difíceis. As agitações dos anos 1970 foram uma verdadeira prova de fogo para os operadores pastorais que trabalhavam nos setores populares. Naquele delicado contexto, Tello procurou fielmente cominhos para a libertação integral do nosso povo, vivenciando até o fim a novidade evangélica sem cair no reducionismo das ideologias. Não lhe dizem respeito as condenações nem as suspeitas das duas Instruções sobre a teologia da libertação emitidas pela Congregação para a Doutrina da Fé.

Hoje, com a perspectiva que nos permite a história, podemos dizer sem dúvida que a reflexão e pastoral que animavam o padre Tello destinavam-se a acompanhar a ação libertadora de Deus, evitando os extremos do ativismo secularizado e politizado, de um lado, e da resignação fatalista, do outro.

Ele procurava descobrir a ação salvadora de Deus no povo, e por isso abriu muitas das trilhas que hoje percorremos na nossa pastoral e soube fazer isso combinando o impulso profético com a adesão firme à sã doutrina eclesial. Impressionavam-me seu constante recurso, verdadeiro e próprio bastidor de seu pensamento, à Summa theologica. Numa época em que a Summa Theologica era posta de lado, em que aqueles que diziam ensinar com base na Summa Theologica eram considerados criaturas antediluvianas, enquanto ele constantemente mantinha essa obra como referência de seu pensamento. Compreendia, mais do que ninguém, a profundidade e originalidade de São Tomás de Aquino, reflexo da verdade evangélica, que é "mais afiada que qualquer espada de dois gumes" (Hebreus 4, 12).

Tello sempre foi um bom filho da Igreja. Não lembro jamais ter lido ou ouvido nada dele contra a Igreja. Ele a considerava sua mãe. Seu legado vai continuar a mostrar-nos os caminhos do Espírito para a sempre nova tarefa da evangelização em que estamos envolvidos. Teria sido uma lástima se, como Igreja, tivéssemos perdido a oportunidade de conhecer a teologia da evangelização para a América Latina que o padre Tello desenvolveu. Nesse sentido, o livro do padre Bianchi representa uma agravável novidade, pois oferece uma maneira proveitosa para nos associar à sua proposta.

Quero concluir agradecendo ao padre Bianchi por este trabalho, que é o fruto de um teólogo, de um filho fiel da Igreja e de um pastor. Três qualidades que o identificam. E quero desejar-lhe continuar a crescer nessa fecunda síntese de vida que, estou plenamente certo, será um bem para todos nós.

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