Idiotas

Revista ihu on-line

Base Nacional Comum Curricular – O futuro da educação brasileira

Edição: 516

Leia mais

Renúncia suprema. O suicídio em debate

Edição: 515

Leia mais

Lutero e a Reforma – 500 anos depois. Um debate

Edição: 514

Leia mais

Mais Lidos

  • “O grande erro da esquerda é pensar que movimentos sociais são sempre bons", afirma Manuel Castells

    LER MAIS
  • Um milhão de crianças fora da escola: o absurdo do trabalho infantil no Brasil

    LER MAIS
  • Discurso da esquerda não dá a Lula a menor chance de fazer bom governo

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

31 Julho 2017

“Não se estudará nossa história sem concluir que esta foi a geração da grande e irreparável ilusão política, prenúncio de sabe-se lá o que virá”, escreve Luís Fernando Verissimo, escritor, em crônica publicada por Zero Hora, 31-07-2017.

Eis o texto.

“Idiota” já foi um elogio. No seu sentido original grego, significava uma pessoa privada (não, não uma pessoa WC, você sabe o que eu quero dizer). Alguém que tinha seus próprios valores e seus próprios caprichos (daí “idiossincrasia”) independentemente dos valores públicos e das convenções sociais. Com o tempo, passou-se a enfatizar o contraste entre o privado, o fechado em si, e o público, e “idiota” era o que não participava da vida comunitária, por deficiência ou por escolha. Como não participava da vida comunitária, era um ignorante.

Vem daí o sentido moderno de simples, burro ou desligado. Mas durante muito tempo, na Grécia, “idiota” era o que não se interessava pelo zelo coletivo, desdenhava da política. O oposto do cidadão. A primeira vez que se xingou alguém de “idiota” foi para criticar sua omissão política, já que era na participação política que o homem se distinguia dos servos e dos bichos – e das mulheres, diga-se de passagem.

Corta para o Brasil atual. “Idiota”, lhe dirá qualquer eleitor desencantado, é quem se deixa levar pela política e pelos políticos. Houve um momento na história recente da humanidade em que “idiota” perdeu seu sentido grego de infenso à política e ganhou seu sentido moderno de ludibriado pela política. No Brasil, a política nos fez todos de idiotas. A última esperança de participação política consequente e promessa de virtude cívica foi a do PT, que também desencantou eleitores e simpatizantes. Fora da fugaz esperança representada pelo PT, tivemos uma sucessão de “blefes” que foram minando nossa crença na política e nos políticos, a ponto de hoje você dizer que “é tudo ladrão” e ninguém contestar a frase reducionista.

Não se estudará nossa história sem concluir que esta foi a geração da grande e irreparável ilusão política, prenúncio de sabe-se lá o que virá. Assim como a falta de calorias vai nos imbecilizando, a privação política vai nos idiotizando. Há quem pense que a solução é resgatar o sentido original da palavra para poder dizer que é idiota no bom sentido, o sentido de quem só se interessa pela administração do próprio umbigo.

Nota tipo nada a ver: de onde virá a palavra “blefe”? Meu palpite, sem nenhuma base etimológica, é que vem de bluff, que na linguagem universal do pôquer significa apostar como se tivesse uma boa mão sem ter nada. Uma definição da classe política brasileira.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Idiotas - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV