Quem são os mais propensos a sofrer com a automação do trabalho?

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13 Julho 2017

A Quarta Revolução Industrial se apresenta diante de nossas portas como uma mudança de paradigma que modificará para sempre diferentes âmbitos da vida humana como a conhecemos agora, no entanto, há muitos setores populacionais que são especialmente sensíveis às modificações que envolvem. Neste caso, as mulheres e os menos preparados podem sofrer um pouco mais que os homens.

A reportagem é de Ruy Alonso Rebolledo, publicada por El Economista, 11-07-2017. A tradução é do Cepat.

Desde a invenção das máquinas simples até os últimos desenvolvimentos no mundo da robótica, o ser humano sempre recorreu às vantagens que a tecnologia acarreta para facilitar uma imensa quantidade de tarefas. Se além de facilitar as tarefas, se utiliza menos tempo e de maneira mais eficiente e mais barata, qualquer líder empresarial não hesitaria em tomar a decisão de adquirir essa vantagem. No entanto, seria necessário pensar em quais seriam os custos no capital humano ou as externalidades de incluir um robô em algum processo da companhia.

Na história da humanidade foram poucas as ocasiões nas quais as mudanças tecnológicas deram um giro completo ao paradigma, para reestruturar quase todas as atividades humanas como consequência direta. No século XVII, a máquina a vapor mudou completamente os meios de produção industrial, modificando para sempre o conceito de indústria e, portanto, o de economia. É justamente um evento similar o que estamos enfrentando.

O problema é que existem grupos que sentirão em maior medida as mudanças que esta revolução tecnológica gerar. A automação das indústrias ameaça a existência de milhares de trabalhos ao redor do mundo e, segundo um relatório do Institute for Spatial Economic Analysis (ISEA), as mulheres e os menos preparados academicamente são os mais propensos a perder seu trabalho em favor das máquinas autônomas.

Um dos problemas com o trabalho feminino é que como sociedade não fechamos por completo a lacuna de gênero no trabalho e as condições não são as mesmas para homens e mulheres. Há países que diariamente se aproximam da meta, no entanto, há muitos outros, incluído o México, que levarão mais de 100 anos.

Para além da lacuna de gênero, o que torna as mulheres um dos fatores demográficos mais sensível aos efeitos negativos da automação são alguns dos postos de trabalho que comumente desempenham.

Uma página web chamada willrobotstakemyjob calculou que, nos próximos anos, 97% dos operadores de caixa perderão seus empregos em favor de máquinas. Nos Estados Unidos, 73% dos empregos de operadores de caixa são ocupados por mulheres.

Os trabalhadores latinos e afro-americanos são 25% e 13% mais propensos, respectivamente, a perder seu emprego que os trabalhadores brancos, diante da iminente automação.

No entanto, o fator que mais influenciará na perda de empregos frente à automação das indústrias provém do nível de preparação acadêmica. Pessoas com menos estudos enfrentam um risco quase seis vezes maior de perder o seu trabalho do que aqueles com um doutorado, pois possuem mais probabilidades de trabalhar em postos menos complexos e mais fáceis de automatizar.

No relatório, enfatiza-se que a nova tecnologia provavelmente também dará lugar a novos tipos de emprego, substituindo alguns dos empregos perdidos. No entanto, com as novas formas de emprego, não há garantia de que estes novos formatos proporcionem meios de subsistência bem remunerados aos grupos demográficos mais vulneráveis.

Na medida em que a tecnologia se torna mais sofisticada, o uso da Inteligência Artificial (AI) continuará crescendo rapidamente nos próximos anos. No momento, tem se criado um buraco importante em muitas facetas da vida cotidiana, tanto na das pessoas como na das empresas, onde as aplicações cada vez são mais variadas.

A Quarta Revolução Industrial será uma nova maneira de organizar os meios de produção, colocando em marcha fábricas inteligentes, capazes de se adaptar com maior facilidade às necessidades e aos processos de produção, bem como a uma utilização mais eficiente dos recursos. Até agora, a base da estratégia empresarial havia sido a clássica cadeia de valor, que une produtores de matérias-primas e fabricantes, para por sua vez se conectarem com distribuidores até chegar aos consumidores, por meio de uma infraestrutura comercial bem estabelecida, caracterizada por um conjunto estável de transações.

O aumento da tecnologia permite aos atores se conectar fora dessa cadeia de valor para oferecer produtos e serviços mais eficientes e eficazes. Isto reduzirá a importância das economias de escala e as divisões convencionais do trabalho.

O Fórum Econômico Mundial estima que a mudança será tão imensa que já nos próximos 15 anos permitirá agregar 14,2 trilhões de dólares à economia mundial e mudará por completo o mundo do emprego, atingindo indústrias de todo o planeta.

Não obstante, os riscos para as economias são muito latentes. Um relatório do Instituto Global McKinsey fez uma lista com os países mais propensos a sofrer as consequências da automação do trabalho. A China possui 395 milhões de empregos em risco de desaparecer por causa da automação, seguida por Índia, com 235 milhões de empregos, e Estados Unidos, em terceiro lugar, com 60 milhões de empregos com potencial de desaparecer pelas máquinas. O México é o nono país, entre aqueles que foram considerados pelo estudo do McKinsey, a correr maiores riscos de automação do trabalho.

Para preparar a população de uma nação para enfrentar as consequências da automação industrial, é necessário lhe oferecer melhor preparação acadêmica e acabar com a lacuna de gênero. Devido às vantagens que a tecnologia oferece, a lógica empresarial ditará que se modifiquem os paradigmas de trabalho atual.

Segundo o Barômetro Global de Inovação - 2016, da General Electric (GE), 70% dos empresários possuem expectativas positivas sobre a adoção da tecnologia que a Quarta Revolução Industrial irá trazer. Trata-se de uma nova era econômica marcada pelos avanços em tecnologias, que se basearão em sistemas ciber-físicos (engenharia genética e as neurotecnologias) que combinam infraestrutura física com software, sensores, nanotecnologia, tecnologia digital de comunicações (sistemas de IoT, Internet of Things) e inteligência artificial.

Não tem mais volta. Em alguns anos, a tendência será mudar para os processos automatizados, e devemos nos preparar o mais rápido possível para não sofrer os estragos. Portanto, você pode acessar willrobotstakemyjob para saber qual é o risco que existe de perder seu emprego para um robô (a página está em inglês, é necessário saber o nome da profissão nesse idioma para obter resultados).

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