Igreja Universal estreia no metro quadrado mais caro do país

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10 Julho 2017

Foram 15 minutos de pregação para que o demônio fosse embora da vida dos dez fiéis que erguiam as mãos em louvor na altura dos ombros e depois sobre a cabeça, na quinta (6). Vem o pedido de dízimo. Então, o pastor fala por cerca de 40 minutos sobre a importância do sacrifício.

Ele mostra o vídeo de uma fiel que doou o ouro roubado do próprio filho, que era traficante e estava preso.

A reportagem é de Mariliz Pereira Jorge, publicada por Folha de S. Paulo, 09-07-2017.

O moço se regenerou. Seria mais um culto na Igreja Universal do Reino de Deus, não fosse o novo endereço um dos metros quadrados mais caros do Brasil, o Leblon.

Nem o bairro escapou da profusão de placas de aluga-se e vende-se que tomou o Rio. Mas isso não parece ter sido problema quando a Universal decidiu que era hora de expandir seus domínios na região mais glamourosa da cidade.

O antigo inquilino era o restaurante Fronteira, que não conseguiu renovar o contrato de aluguel (R$ 80 mil, mais R$ 2.000 de condomínio e R$ 8.000 de IPTU). Após seis meses de portas fechadas, a igreja do bispo Edir Macedo e do prefeito Marcelo Crivella fechou negócio num valor estimado em R$ 50 mil mensais.

O espaço tem 630 m² e ocupa loja e sobreloja de um prédio na avenida Ataulfo de Paiva. No piso inferior, o cheiro é de obra fresquinha, com cadeiras perfiladas que devem acomodar até 200 pessoas. Tem ar condicionado, filtro de água e placa que pede para que os presentes desliguem celulares. No andar superior, auditório e escola bíblica.

Não fossem o terno, a verve religiosa e o fato de conduzir um culto dentro de uma igreja, o jovem em frente à audiência poderia ser confundido com qualquer outro filho de família tradicional do Leblon, daqueles que batem ponto no Brigite's para tomar dry martinis, ver e ser visto.

Na plateia, apenas dois homens. A maioria das mulheres é de senhorinhas com roupas muito simples, cabelos presos em coques com grampos ou piranhas, bolsas surradas nos ombros. Elas sentam espalhadas, o que aumenta a sensação de vazio.

Na primeira fila, uma jovem loira de salão, bem vestida, ostenta uma bolsa da marca francesa Goyard (cerca de R$ 4.500). Longe do palco, um casal com cara e figurino de quem deixou as pranchas de surf do lado de fora.

Assim que o contrato foi firmado a vizinhança torceu o nariz, principalmente os moradores do prédio My Rose, que abriga o imóvel da Universal. Diziam: vai descaracterizar o bairro, vai ter multidão na porta, vai ter gritaria. Por enquanto reina a paz.

Os cultos seguem sem movimento, com exceção dos domingos, quando chegam ônibus com fiéis trazidos da periferia da cidade, segundo o porteiro do My Rose, José Soares Lima, 65. Ele diz que os novos vizinhos não têm incomodado, que nunca teve nada contra, mas frequenta outra igreja, a católica, localizada a uma quadra de distância.

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