Três chamadas de Jesus

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07 Julho 2017

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus capítulo 11,25-30 que corresponde ao 14º Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

O evangelho de Mateus recolheu três chamadas de Jesus que temos de escutar com atenção como seus seguidores, pois podem transformar o clima de desalento, cansaço e aborrecimento que por vezes se respira em alguns setores das nossas comunidades cristãs.

«Vinde a mim todos os que estão fatigados e oprimidos, e Eu os aliviarei».

É a primeira chamada. Está dirigida a todos os que vivem a sua religião como uma carga pesada. Não são poucos os cristãos que vivem oprimidos pela sua consciência. Não são grandes pecadores.

Simplesmente foram educados para ter sempre presente o seu pecado e não conhecem a alegria do perdão contínuo de Deus. Se se encontram com Jesus irão sentir-se aliviados.

Há também cristãos cansados de viver a sua religião como uma tradição gasta. Se se encontram com Jesus aprenderão a viver confiando num Deus Pai. Descobrirão uma alegria interior que hoje não conhecem. Seguirão Jesus não por obrigação, mas por atração.

«Carregai o Meu jugo, porque é suportável, e a minha carga, leve».

É a segunda chamada. Jesus não sobrecarrega ninguém. Pelo contrário, liberta o melhor que há em nós, pois nos propõe viver fazendo a vida mais humana, digna e sã. Não é fácil encontrar um modo mais apaixonante de viver.

Jesus liberta de medos e pressões, não os introduz; faz crescer a nossa liberdade, não nossas servidões; desperta em nós a confiança, nunca a tristeza; atrai-nos para o amor, não para as leis e preceitos. Convida-nos a viver fazendo o bem.

«Aprendei de mim, que sou simples e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas vidas».

É a terceira chamada. Temos de aprender de Jesus a viver como Ele. Jesus não complica a vida. Torna-a mais clara e simples, mais humilde e mais sã. Oferece descanso. Não propõe nunca aos seus seguidores algo que Ele não tenha vivido. Por isso pode entender as nossas dificuldades e os nossos esforços, pode perdoar nossa falta de jeito e nossos erros, animando-nos sempre a levantar-nos.

Temos de centrar os nossos esforços em promover um contato mais vital com Jesus nas nossas comunidades, tão necessitadas de alento, descanso e paz. Entristece-me ver que é precisamente o seu modo de entender e de viver a religião que conduz não poucos, quase inevitavelmente, a não conhecer a experiência de confiar em Jesus. Penso em tantas pessoas que, dentro e fora da Igreja, vivem «perdidas», sem saber a que porta chamar. Sei que Jesus poderia ser para elas a grande notícia.

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