Camarões. O bispo de Bafia teria sido assassinado

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09 Junho 2017

“Um dos médicos que fizeram a autopsia me confidenciou que um braço e uma perna de dom Jean-Marie Benoît Balla estavam quebrados e que os órgãos genitais foram mutilados. Com estes elementos podemos descartar terminantemente a hipótese do suicídio”. As palavras com que o diretor do jornal L’Anecdote explicou à Radio France Internationale as últimas revelações sobre o caso de dom Balla, bispo camaronês de Bafia que desapareceu e cujo corpo sem vida foi encontrado no dia 02 de junho passado, não deixam lugar a dúvidas.

A reportagem é de Luca Attanasio, publicada por Vatican Insider, 08-06-2017. A tradução é de André Langer.

No momento, não há nem versões nem declarações oficiais por parte dos investigadores, assim como da hierarquia católica, mas os rumores de um possível plano para eliminar Balla são cada vez mais reais.

O corpo do religioso, logo depois de ser encontrado, foi levado à capital Yaoundé para a autopsia. O exame foi encomendado a uma equipe de médicos do qual fez parte também o perito designado pela Conferência Episcopal de Camarões. De acordo com as primeiras revelações, os sinais encontrados no cadáver de Balla indicariam tortura, além de excluir a primeira hipótese do suicídio.

“Francamente – explicou, em uma entrevista concedida por telefone ao Vatican Insider, o padre García Fernando, superior provincial dos Xaverianos de Camarões –, eu nunca aceitei que Balla tivesse tirado sua vida. É um acontecimento extremo para todos, muito mais para um bispo. Pareceu-me imediatamente uma manobra para desacreditar a Igreja e para fazer circular rumores inquietantes. Também no caso da morte do padre Jean Armel (o jovem reitor do Seminário de Santo André, cujo corpo sem vida foi encontrado no próprio quarto duas semanas antes da morte de Balla, ndr.) imediatamente falaram em suicídio. Mas posso garantir-lhes que falei com uma das irmãs que trabalha ali e ela me disse que na noite anterior o padre Jean tinha se sentido mal. No seu caso, estou certo de que se tratou de uma morte natural. No caso do bispo de Bafia, podemos falar, sem dúvida, de homicídio”. Por que, então, o bispo de Bafia teria sido assassinado? Quem poderia se beneficiar desacreditando a Igreja com a divulgação de falsas notícias?

“Provavelmente os próprios círculos – responde o padre García. Aqui em Camarões, há muitas realidades, movimentos ambíguos que procuram prejudicar a Igreja. Grupos muito fortes vinculados ao poder ou sociedades secretas como a Ordem da Rosa Cruz. A morte de Balla segue sendo um mistério. Não lembro que tenha realizado campanhas públicas ou que tenha lançado batalhas em nível nacional que justifiquem uma oposição tão violenta”.

“Eu creio mais na pista interna da Igreja católica e em suas conexões com grupos de poder no governo – acredita um jornalista camaronês que prefere não ser identificado por razões de segurança. Neste momento, há muita tensão em nosso país e posso dizer com certeza que estamos diante de verdadeiras “faidas” [disputas] dentro da Igreja e entre a Igreja e o poder político. Na minha opinião, devemos buscar nesses ambientes os motivos do homicídio de Balla”.

A investigação judicial, que começou um dia após o cadáver ser encontrado no Rio Sanaga, terá que esclarecer o caso e oferecer respostas a muitas perguntas em aberto (ainda circulam algumas teorias sobre um suposto tráfico envolvendo ambientes de pederastia aos quais Balla teria se oposto contundentemente).

Enquanto isso, em um país ainda abalado por esta história dramática, chega a notícia de uma nova morte nos ambientes eclesiais: a de outro sacerdote. Ndi Augustin foi encontrado sem vida no dia 07 de junho em seu quarto em Nguti, departamento de Kupe-Manengumba, na região sul-oriental anglófona de Camarões. “Pela manhã, não veio tomar café – declararam pessoas próximas ao sacerdote ao sítio cameroon.net; fomos atrás dele e encontramos o seu cadáver”.

É a terceira morte em três semanas. E nos três casos eram sacerdotes católicos.

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