38 milhões de resíduos plásticos encontrados em ilha do Pacífico Sul não habitada

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19 Maio 2017

Ilha de Henderson, parte do arquipélago de Pitcairn, está coberta por 18 toneladas de plástico – a mais alta densidade de resíduos já registrado no mundo.

Um dos lugares mais remotos do mundo, um atol de coral não habitado, é também um dos mais poluídos.

Cientistas marinhos descobriram que a Ilha de Henderson, minúscula ilha no Pacífico Sul, possui a mais alta densidade de detritos antropogênicos já registrados no mundo, com 99,8% da poluição sendo de resíduos plásticos.

A reportagem é de Elle Hunt, publicada por The Guardian, 16-05-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

As quase 18 toneladas de plástico na ilha, que é a mais distante da presença humana, têm sido apontadas como uma prova cabal da extensão catastrófica, grotesca em que se encontra a poluição marinha.

Os pesquisadores do Instituto de Estudos Marinhos e Antárticos da Universidade da Tasmânia estimam existir quase 38 milhões pedaços de plástico sobre a ilha, que em conjunto somam 17,6 toneladas.

A maior parte dos resíduos – aproximadamente 68% – sequer está visível, com nada menos que 4.500 itens por metro quadrado enterrados a uma profundidade de 10 centímetros. Cerca de 13 mil novos itens chegam flutuando ao local diariamente.

Jennifer Lavers, que fez parte dos pesquisadores, contou ao The Guardian que o volume enorme de poluição plástica havia superados as expectativas.

“Já viajei para as ilhas mais distantes no mundo e independentemente de onde estive, de qual ano, em qual região do oceano, a história é geralmente a mesma: as praias estão repletas de exemplos da atividade humana. No entanto, achava que a remota ilha de Henderson desfrutaria de certa proteção. Mas errei completamente. A quantidade aqui me deixou sem palavras, e é por isso que me pus a documentar o caso com tantos detalhes”.

Lavers encontrou centenas de caranguejos vivendo no lixo, entre tampas de garrafas e frascos de cosméticos. Viu um deles vivendo dentro da cabeça de uma boneca.

“Foi muito grotesco”, disse ela. “É assim como me senti com todos estes caranguejos – não estamos dando a eles um lar. Estes materiais são velhos, quebradiços, afiados, tóxicos. Foi triste ver estes belos caranguejos perambulando por entre o lixo”.

A maior das quatro ilhas do arquipélago de Pitcairn, a Ilha de Henderson é um Patrimônio Mundial da Unesco e um dos poucos atóis do mundo cuja ecologia encontra-se praticamente intocada pelo homem.

A ilha exibe uma biodiversidade biológica marcante visto que cobre somente 3.700 hectares, com 10 espécies endêmicas de plantas e quatro espécies de aves terrestres. Até recentemente o seu isolamento desfrutava de uma proteção à maior parte das atividades humanas.

Lavers falou que os resultados do estudo provaram para ela que lugar algum no mundo está seguro da poluição plástica. “Todos os cantos do mundo já estão sendo impactados”.

Como aves marinhas e tartarugas, ilhas remotas servem como sentinelas para a saúde do ecossistema marinho em geral, “agindo como uma peneira ou armadinha, filtrando o oceano”, declarou.

O estado em que se encontra Henderson – “a ilha mais poluída, a mais remota do mundo todo” – é um indicativo da extensão do problema, e do nível “absolutamente alucinante” em que se encontra a produção de plásticos no mundo.

As 17,6 toneladas de resíduos plásticos na ilha de Henderson equivalem a apenas 1,98% segundo de produção anual, de acordo com o artigo – escrito por Lavers e Alexander Bond – publicado na revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences, segunda-feira.

“País algum está livre de responsabilidade: encontramos garrafas da Alemanha, contêineres do Canadá, acho que vi uma caixa de pescas feita na Nova Zelândia. O que isso nos diz é que todos temos uma responsabilidade aqui, e que temos de sentar e prestar atenção ao que está ocorrendo”.

Essa ameaça à biodiversidade posta pelos resíduos plásticos vem sob críticas na medida em que os resultados alcançados revelam a extensão do problema, com milhões de toneladas sendo lançadas anualmente nos oceanos.


Praia na ilha de Henderson aparentemente intocada, mas as suas praias estão repletas com toneladas de plástico.(Foto: Ron Van Oers/Unesco)

Em fevereiro, cientistas relataram níveis “extraordinários” de poluição tóxica na Fossa das Marianas, com resíduos plásticos facilitando a difusão de produtos químicos industriais a um dos lugares mais remotos e inacessíveis do planeta.

Na cúpula dos oceanos realizada no começo de março, a Indonésia comprometeu-se em alocar U$ 1 bilhão por ano na tentativa de reduzir a poluição com plásticos e outros produtos nos oceanos, estabelecendo uma meta de 70% a menos nos resíduos marinhos dentro de oito anos.

Laver afirmou que indivíduos e governos têm um papel a desempenhar na redução da quantidade de plásticos que poluem os oceanos, mas o mais importante era a urgência.

“Para mim, a poluição plástica marinha é a nova mudança climática, mas espero que não façamos os mesmos erros. Estamos discutindo sobre as alterações no clima, e se elas existem, o que está mudando, dentro de 40 anos... Não devemos aguardar por mais evidências científicas. Não devemos debater. O nível de resíduos plásticos nos nossos oceanos é absolutamente impróprio, e precisamos fazer algo já”.

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