CPI da Funai: Relatório pede indiciamento de lideranças indígenas, religiosas, antropólogos, procuradores e técnicos

Revista ihu on-line

Giorgio Agamben e a impossibilidade de salvação da modernidade e da política moderna

Edição: 505

Leia mais

Pier Paolo Pasolini Um trágico moderno e sua nostalgia do sagrado

Edição: 504

Leia mais

A ‘uberização’ e as encruzilhadas do mundo do trabalho

Edição: 503

Leia mais

Mais Lidos

  • Aqueles cardeais "de periferia" escolhidos pelo papa. Artigo de Andrea Riccardi

    LER MAIS
  • Entidades pró-direitos humanos repudiam ação de Alckmin e Doria na Cracolândia

    LER MAIS
  • Agamben: profanar a Democracia Representativa

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

19 Maio 2017

Em uma reunião marcada por discussões tensas, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) 2 aprovou o relatório do deputado Nilson Leitão (PSDB-MT). O documento de 3.385 páginas pede, entre outros pontos, o indiciamento de mais de 90 pessoas, entre lideranças indígenas, religiosas, antropólogos, procuradores da República, técnicos da Funai e do Incra e defensores dos direitos dos povos originários, por supostos crimes cometidos durante o processo de demarcação de terras indígenas. O ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também está na lista dos pedidos de indiciamento.

A reportagem é de Débora Brito e Luciano Nascimento, publicada por Agência Brasil, 17-05-2017.

O relatório também traz, entre as proposições, a reanálise da demarcação de terras indígenas e dos procedimentos administrativos em andamento no Ministério da Justiça. O documento pede ainda a proposição de um projeto de lei para regulamentar o Artigo 231 da Constituição, que trata da demarcação de terras indígenas.

Ainda faltam votar os destaques. Em razão do início da Ordem do Dia em plenário, o presidente do colegiado, deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), suspendeu a sessão. “Ela está suspensa e voltará com a votação do segundo destaque”, disse.

Críticas

Desde ontem (16), quando teve início o processo de discussão que antecede a votação do parecer, os deputados da oposição tentaram adiar a votação e criticaram duramente o relatório. O texto, segundo eles, atende aos interesses da bancada ruralista e age com parcialidade, com a intenção de “criminalizar os índios e seus apoiadores, especialmente aqueles que atuam pela demarcação dos limites das áreas indígenas”, disse o deputado Nilto Tatto (PT-SP). Após a apresentação do parecer do relator, a oposição tentou novamente adiar a votação, por meio de requerimentos de adiamento. Entretanto, todos foram rejeitados.

“Por tudo o que acompanhamos aqui fica claro que o relatório será aprovado por essa comissão, o que é muito triste”, disse a deputada Eliziane Gama (PPS-MA), que ao lado de Tatto apresentou voto em separado com críticas ao relatório. “O texto do relator tem encaminhamentos preocupantes de normas legais, sem obedecer critérios. Vamos questionar a constitucionalidade desse relatório. Entendemos que não há um embasamento legal e constitucional suficiente para entender que este relatório seja legal”, acrescentou.

No discurso de defesa de seu parecer, Nilson Leitão admitiu que o relatório pode ter falhas e é “discutível”. Mas, negou que tenha a intenção de indiciar alguém e argumentou que “a CPI não indicia ninguém”, apenas encaminha procedimento de ação administrativa para que os órgãos competentes possam tomar as providências sobre a conduta suspeita dos investigados.

Depois de críticas da oposição, Leitão afirmou que vai retirar da lista de indiciados o nome de um servidor que já morreu. O relator disse ainda que, ao contrário da proposta inicial em que havia a possibilidade de extinção da Funai, seu parecer recomenda a reestruturação do órgão. A sugestão inicial era pedir à Presidência da República a criação de uma Secretaria Nacional do Índio, que assumiria as atribuições da Funai.

Leitão retirou também do relatório a sugestão de indiciamento do presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho, mas manteve a sugestão do indiciamento do secretário-executivo do Cimi, Cleber César Buzatto, e do conselheiro Roberto Antonio Liegbott. Os pedidos atingem pessoas que atuam nos estados da Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A sessão foi marcada por troca de acusações e ofensas entre os deputados oposicionistas e integrantes da chamada bancada ruralista. O deputado Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) se exaltou após ter tido a palavra interrompida pelo presidente da comissão, deputado Alceu Moreira. Aos gritos, Rodrigues pediu que seu tempo fosse respeitado de acordo com o regimento, o que motivou novo bate-boca entre os membros da comissão.

CPI

A CPI da Funai foi instalada sob justificativa da necessidade de investigação de casos de fraudes e desvios ocorridos no processo de demarcação de terras conduzido pela Funai e o Incra. A comissão é composta, em sua maioria, por integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária, a chamada bancada ruralista.

O texto também é fortemente criticado por entidades que atuam na defesa dos direitos indígenas. As lideranças comunitárias avaliam que o pedido de indiciamento é equivocado e visa criminalizar os agentes que atuam de forma contrária aos interesses econômicos dos ruralistas. “A votação deste relatório coincide com a violência crescente contra povos indígenas, quilombolas e reforma agrária. Nos últimos tempos temos visto massacres de trabalhadores rurais no Mato Grosso, aos índios Gamela no Maranhão, a líderes quilombolas em Minas Gerais e no Pará”, disse a deputada Janete Capiberibe (PSB-AP).

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Instituto Humanitas Unisinos - IHU - CPI da Funai: Relatório pede indiciamento de lideranças indígenas, religiosas, antropólogos, procuradores e técnicos