'Juventude e Democracia' debate direitos humanos

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Por: Diego Henrique da Silva e Paula Nishizima | 16 Maio 2017

Na noite de quarta-feira (10/05), a biblioteca do Colégio Estadual Polivalente, no bairro Boqueirão, em Curitiba (PR), abrigou o segundo encontro do projeto 'Juventude e Democracia', promovido pelo CEPAT, com o objetivo de debater a relação da juventude com os direitos humanos.

A oficina foi mediada pelos educomunicadores do coletivo Parafuso Educomunicação, Diego Henrique da Silva, Juliana Cordeiro e Paula Nishizima. Os(as) adolescentes foram divididos em equipes, responsáveis por dialogar sobre o que são direitos humanos a partir de perguntas geradoras sobre cinco grandes temas: Família, Educação, Trabalho, Preconceito e Violência. "Que situações de discriminação e preconceito percebemos na escola, na família e no trabalho?", "o que consideramos ser um trabalho digno para o(a) jovem?", e "a quem deve ser garantido o direito à educação?" foram alguns dos questionamentos lançados aos(às) adolescentes e jovens.

Jovens debatem sua realidade iluminados pelo tema dos direitos humanos (Foto: Diego Henrique da Silva)

"É muito importante o tema ser abordado, pois o mundo hoje em dia está distorcido, muitos pensam que direitos humanos são só para quando o indivíduo é preso ou dá alguma 'mancada'. Os direitos humanos são de todos e para todos, em todo momento devemos estar cientes dos nossos direitos", reforça Letícia Bandeira, estudante do Colégio Polivalente.

Principais desafios da juventude

Contando com a participação de um grupo heterogêneo (com idades entre 16 e 24 anos), foram também diversos os apontamentos feitos pelas equipes. Alguns comentários fizeram menção a como a família pode, por vezes, carregar preconceitos que entram em conflito com a identidade do(a) jovem; como as desigualdades sociais geram disparidades no ensino formal, não só nas escolas (o que se reflete na infraestrutura, qualidade do material escolar etc.), mas também no acesso à universidade (impedindo jovens de atingir posições de liderança pela falta de estudo, por exemplo); e como as mulheres ainda precisam enfrentar dupla jornada de trabalho pela falta de participação de seus companheiros nas tarefas domésticas e cuidado com filhos(as) pequenos(as).

Outra dificuldade apontada pelos(as) participantes é a cultura adultocêntrica, na qual crianças, adolescentes e até mesmo jovens têm suas opiniões desconsideradas ou mesmo ignoradas por pessoas mais velhas. "O jovem e o adolescente normalmente são vistos como rebeldes ou desocupados, principalmente quando resolvem se engajar em algum assunto tabu. Além do mais, creio que esse problema não parta apenas de adultos para jovens, mas também de jovem para jovem", comenta a estudante Nicoly Alpinhaty Barbosa, que participou da oficina.

Apesar dos muitos desafios para a garantia plena de direitos humanos, a coordenadora do projeto e assistente social Viviane de Lara Matos, do CEPAT, faz uma avaliação positiva sobre a discussão da temática com o público jovem. "Acredito no potencial dos adolescentes e jovens. Percebi que aqueles que ficaram até o fim do encontro possuem um despertar ou uma sensibilidade para os objetivos do projeto. Aqueles que saíram (antes do fim da atividade) nos demandam outras formas de abordagem e aproximação, mas estou certa que esses adolescentes e jovens possuem seu protagonismo", reflete.

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