Antes do massacre, deputado federal chamou povo Gamela de “pseudoindígenas”

Revista ihu on-line

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Hans Jonas. 40 anos de O princípio responsabilidade

Edição: 540

Leia mais

Mais Lidos

  • Bispo brasileiro diz que ordenará mulheres ao diaconato se papa permitir

    LER MAIS
  • “A ética do cuidado é um contrapeso ao neoliberalismo”. Entrevista com Helen Kohlen

    LER MAIS
  • Irmã Dulce, símbolo de um Brasil que está se esquecendo dos pobres. Artigo de Juan Arias

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

03 Maio 2017

Massacre com repercussão internacional, o ataque ao povo Gamela no Maranhão, no domingo, foi antecedido da fala intolerante de um deputado federal a uma rádio. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) contou no mesmo dia que o deputado Aluísio Guimarães Mendes Filho (PTN-MA) – que foi guarda-costas de José Sarney quando ele era presidente do Senado – deu entrevista contra os Gamela na sexta-feira. Ele chamou os Gamela de “pseudoindígenas”.

A reportagem é publicada por De Olho nos Ruralistas, 02-05-2017.

Dezenas de jagunços atacaram os indígenas com facões, paus e armas de fogo no povoado de Bahias, no município de Viana (MA). Uma das vítimas teve as mãos cortadas com facão. 

Aluísio Mendes foi guarda-costas do presidente José Sarney e secretário de Estado de Segurança Pública no Maranhão durante a gestão de Roseana Sarney. Ele começa a entrevista após o apresentador insistir que os Gamela são pessoas “que se passam por índios”. Mendes previu uma tragédia e disse que iria responsabilizar todas as autoridades que se omitiram. Referindo-se, principalmente, à Fundação Nacional do Índio (Funai), que seria, segundo o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, um órgão “inoperante”.

A entrevista na íntegra, divulgada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pode ser ouvida aqui, após o décimo minuto.

O deputado disse que avisou Serraglio – antigo colega da bancada ruralista – que haveria uma tragédia. Durante a entrevista, ele conta que expôs ao ministro uma situação “gravíssima”: a Companhia Energética do Maranhão pretende passar uma linha sobre a área indígena, “com tudo pronto, todas as licenças ambientais concedidas, e esse grupo de pessoas que se dizem proprietárias da área indígena estão evitando e vão prejudicar mais de 600 mil pessoas”.

Aluísio Mendes contou que iria à região no sábado com uma equipe da Polícia Federal. É nesse momento que ele chama os Gamela de “pseudoindígenas”. De Olho nos Ruralistas não identificou o deputado chamando os indígenas de arruaceiros, como foi divulgado – a palavra “arruaça” aparece antes, na fala de um morador da região. Outro fala em “vandalismo”, sem ser contestado pelo parlamentar.

Nunes encerra a entrevista pedindo que o povo não aja com violência, pois o conflito seria resolvido de forma pacífica e ordeira. Mas diz que a população “ordeira e trabalhadora” da região estava sendo “ameaçada” pelos indígenas.

Eleito pela primeira vez em 2014, pelo PSDC, o mineiro Aluísio Mendes declarou possuir R$ 2 milhões em bens. Ele informava ser servidor público federal – era agente da Polícia Federal. Dono de duas casas e três apartamentos, não tinha nenhum bem rural. Foi da base política da presidente Dilma Rousseff e, no ano passado, votou contra o impeachment. Ele apoiou também os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2014, o UOL informava que Mendes, como secretário de Segurança, “comandou a arapongagem” no Maranhão.

O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, emitiu uma nota nesta segunda-feira, cobrando informações do Ministério da Justiça sobre o caso e pedindo a punição dos responsáveis: “Toda vida é preciosa e merece o mais absoluto respeito, por isso minha repulsa por qualquer ato de violência”.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Antes do massacre, deputado federal chamou povo Gamela de “pseudoindígenas” - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV