“Deus faz com que cresçam suas flores mais belas no meio das pedras mais áridas”, prega Francisco

Revista ihu on-line

Gênero e violência - Um debate sobre a vulnerabilidade de mulheres e LGBTs

Edição: 507

Leia mais

Os coletivos criminais e o aparato policial. A vida na periferia sob cerco

Edição: 506

Leia mais

Giorgio Agamben e a impossibilidade de salvação da modernidade e da política moderna

Edição: 505

Leia mais

Mais Lidos

  • Outra carta dos quatro cardeais ao Papa. Agora pedem uma audiência

    LER MAIS
  • O que resta do padre?

    LER MAIS
  • ‘Temos um pacote do veneno tramitando no Congresso Nacional’, alerta procuradora

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

20 Abril 2017

O cristianismo “não é tanto nossa busca em relação a Deus – uma busca, na verdade, quase incerta –, mas, melhor dito, a busca de Deus em relação a nós”. Foi o que disse o Papa Francisco, durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 19 de abril de 2017, na qual enfatizou que “não é uma ideologia, não é um sistema filosófico, mas um caminho de fé, que parte de um evento testemunhado pelos primeiros discípulos de Jesus”, e “nasce da ressurreição” de Jesus que, concluiu o Papa, “está aqui na praça, conosco, vivo e ressuscitado”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 19-04-2017. A tradução é do Cepat.

Jorge Mario Bergoglio refletiu sobre a ressurreição de Jesus Cristo, da forma como é narrada por São Paulo na Carta aos Coríntios, para prosseguir com seu ciclo de catequese sobre a “esperança cristã”: “Falando aos cristãos - disse aos fiéis reunidos na Praça São Pedro -, Paulo parte de um dado incontestável, que não é o resultado de uma reflexão de um homem sábio, mas um fato, um simples fato que interveio na vida de algumas pessoas. O cristianismo nasce daí. Não é uma ideologia, não é um sistema filosófico, mas um caminho de fé que parte de um evento, testemunhado pelos primeiros discípulos de Jesus”. Este “é o fato: morreu, foi sepultado, ressuscitou, apareceu. Ou seja: Jesus está vivo. Esta é a liga da mensagem cristã”. “Se, efetivamente, tudo tivesse acabado com a morte, Nele teríamos um exemplo de dedicação suprema, mas isto não poderia gerar nossa fé. Foi um herói? Não, morreu, mas ressuscitou. Porque a fé nasce da ressurreição. Aceitar que Cristo morreu, e morreu crucificado, não é um ato de fé, é um fato histórico. Ao contrário, crer que ressuscitou, sim. Nossa fé nasce na manhã da Páscoa”.

São Paulo, ressaltou o Papa Francisco, “faz uma lista das pessoas às quais Jesus apareceu ressuscitado”, e o “último da lista (como o menos digno de todos) é ele próprio, Paulo, que falou sobre si mesmo “como um aborto”. Paulo usa esta expressão porque sua história pessoal é dramática: ele – recordou o Pontífice argentino – não era um clérigo, era um perseguidor da Igreja, orgulhoso das próprias convicções, sentia-se um homem feito, com uma ideia do que era a vida com seus deveres. Neste marco perfeito, sabia tudo. Um dia acontece o que era absolutamente imprevisível: o encontro com Jesus ressuscitado, no caminho de Damasco. Ali, não havia só um homem que caiu ao solo, havia uma pessoa agarrada por um evento que lhe inverteu o sentido da vida. O perseguidor se converte em apóstolo. ‘Porque eu vi a Jesus vivo, eu vi a Jesus ressuscitado’. Este é o fundamento da fé de Paulo, dos demais apóstolos, da Igreja, de nossa fé. Que belo – disse o Papa – pensar que o cristianismo, essencialmente, é isto! Não tanto nossa busca em relação a Deus – uma busca, na verdade, quase incerta –, mas, melhor dito, a busca de Deus em relação a nós. Jesus nos tomou, agarrou-nos, conquistou-nos para já não nos deixar. O cristianismo é uma graça, é surpresa, e por este motivo pressupõe um coração capaz de admiração. Um coração fechado, um coração racionalista, é incapaz de admirar e não pode compreender o que é o cristianismo, porque o cristianismo é graça e se percebe, encontra-se na admiração do encontro. E então, ainda que sejamos pecadores, e todos nós somos, se nossos propósitos pelo bem ficam só no papel ou se, vendo nossa vida, percebemos que somamos muitos fracassos..., na manhã de Páscoa podemos fazer como essas pessoas das quais fala o Evangelho: ir ao sepulcro de Jesus, ver a grande pedra movida e pensar que Deus está realizando para mim, para cada um de nós, um futuro inesperado. Ir ao nosso sepulcro, todos temos um pouquinho dentro. Ir ali e ver como Deus é capaz de ressurgir dali. Aqui, há felicidade, alegria e vida, onde todos pensávamos que havia só tristeza, derrota e trevas. Deus faz com que cresçam suas flores mais belas no meio das pedras mais áridas. Ser cristãos – recordou o Pontífice – significa não partir da morte, mas do amor de Deus por nós, que derrotou a nossa persistente inimiga. Deus é maior que tudo, e basta só uma vela acesa para vencer a mais obscura das noites”.

Nestes dias de Páscoa, concluiu Francisco, “levemos este grito ao coração. E se nos perguntam o porquê de nosso sorriso dado e de nosso compartilhar paciente, então podemos responder que Jesus ainda está aqui, que continua vivo entre nós. Está aqui, na praça, conosco – disse Francisco, entre os aplausos dos fiéis -, vivo e ressuscitado”.

Ao final da Audiência, o Papa saudou, entre outros, aos decanos da Arquidiocese de Munique, acompanhados pelo cardeal Reinhard Marx, e dirigiu uma saudação cordial aos peregrinos de língua árabe, “em especial aos que provêm do Egito”, para onde viajará no final de abril, e do Oriente Médio: “Queridos irmãos e irmãs, Jesus Cristo nossa esperança ressuscitou, exorto-lhes a ver constantemente Aquele que venceu a morte e nos ajuda a acolher os sofrimentos como preciosa ocasião de redenção e de salvação”.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Instituto Humanitas Unisinos - IHU - “Deus faz com que cresçam suas flores mais belas no meio das pedras mais áridas”, prega Francisco