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24 Março 2017

Que desconfortáveis "deveres de casa" deixa-nos esta estimulante e participativa Jornada da memória e do compromisso? Diria que uma dupla tomada de consciência. A primeira é que não se pode ser cidadão sem conhecer o passado, mesmo nos seus aspectos mais dolorosos e obscuros, como os relacionadas com os crimes e massacres da máfia. Uma sociedade sem memória é uma sociedade irresponsável, como o é uma sociedade que recorda somente por convenção ou recorrência no calendário.

A opinião é de Luigi Ciotti, padre italiano, referência na Itália por sua luta intransigente contra a máfia e que, a poucos dias, foi novamente ameaçado de morte. Luigi Ciotti conta com o apoio decidido e explícito do Papa Francisco na sua luta. O artigo é publicado por La Stampa, 22-03-2017. A tradução é de Ramiro Mincato.

Memória viva, civil, compartilhada é somente aquela que gera mudança, que define as condições para não repetir os mesmos erros e para se rebelar contra as injustiças do passado. Um juiz probo como Bruno Caccia não morreu para ter uma placa ou palavras de circunstância, mas por um ideal de democracia que cabe a nós realizar. E assim, a Jornada termina nesta noite e recomeça de novo amanhã, e novamente depois de amanhã, porque o empenho pela democracia é um compromisso para toda a vida: a nossa e a dos outros.

O segundo legado é a consciência de que as máfias não são apenas um fato criminoso, mas acima de tudo, social, cultural e político. Que goza de cumplicidade e proteção, por um lado, e falta de sentido cívico e indiferença para com o bem comum por outro. Não podemos esperar de contrastá-las se antes não derrotarmos a máfia dentro de nós que se chama corrupção.

A corrupção é a antessala da máfia, e é uma praga que se manifesta agora no entrelaçamento cada vez mais estreito entre crime organizado, política e economia. Quebrar esse entrançado é tarefa da política, mas também nossa. Servem trabalho, escola, serviços sociais, serve uma sociedade mais fiel à Constituição. Mas serve, em primeiro lugar, um despertar das consciências e uma maior responsabilidade de cada um de nós. E, sobre isso, esta Jornada nos deu muitas razões de esperança.

Os verdadeiros protagonistas em Locri, e em 4000 lugares da Itália, foram os jovens. Sua presença, sua atenção, seu olhar limpo são a nossa maior responsabilidade. Não podemos mais iludi-los ou agradá-los com atenções que não levem a oportunidades concretas de trabalho e de vida. Seria pior que um erro, seria suicídio. Serão, de fato, os jovens, hoje excluídos do futuro, que nos fornecerão as coordenadas do futuro, que apontarão o caminho para um mundo mais humano e mais justo.

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