Evento extremo em São Francisco de Paula: as escolas de meteorologia não podem assumir a função dos gestores públicos. Entrevista especial com Vagner Anabor

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Por: Patricia Fachin e João Vitor Santos | 16 Março 2017

Depois da ocorrência de um evento extremo, como a microexplosão que ocorreu na região serrana de São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul, no último final de semana, a questão mais urgente a ser discutida não é que tipo de fenômeno ocorreu, mas se seria possível prevê-lo e o que poderia ser feito antecipadamente, adverte o meteorologista Vagner Anabor à IHU On-Line. “A sociedade gaúcha precisa avançar nessa discussão, porque sempre que acontece um evento desses, a discussão se concentra nisto, ou seja, em se perguntar que tipo de evento ocorreu. Mas essa discussão não traz o retorno necessário para a nossa comunidade. O que traria retorno é uma discussão acerca do que seria preciso fazer para prever e antecipar esse tipo de fenômeno”, avalia. Segundo ele, a pergunta central a ser feita no Rio Grande do Sul é: “Por que ainda não temos um serviço de previsão do tempo que seja capaz de prever esses fenômenos?”

Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, Anabor informa que do ponto de vista tecnológico e científico já há recursos para prever esses eventos com antecedência, mas falta, no estado gaúcho, uma “organização política e governamental que destine recursos para esse tipo de investimento”. E alfineta: “Assim como as escolas de medicina não saem às ruas curando os pacientes, a escola de meteorologia não pode assumir um papel que é, basicamente, dos gestores públicos estaduais e municipais”. Ele frisa que as duas escolas de meteorologia existentes no estado formam a maioria dos “recursos humanos em meteorologia na América do Sul”, no entanto, critica, “não conseguimos, seja por entraves administrativos ou políticos, encontrar um canal para que esse conhecimento seja implementado”.


Vagner Anabor | Foto: UFSM

Vagner Anabor é graduado em Meteorologia pela Universidade Federal de Pelotas - UFPel, mestre em Sensoriamento Remoto pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e doutor em Física pela Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, onde atualmente leciona nos cursos de graduação e pós-graduação em Meteorologia.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Como o senhor descreve e compreende o fenômeno que atingiu São Francisco de Paula no último domingo? É possível identificar de que tipo de fenômeno se trata?

Vagner Anabor - Sem dúvida nenhuma é possível, sim, identificar esse fenômeno. Mas o caso é que a análise para identificação desse fenômeno dependeria do envio de uma equipe do laboratório de meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM até a região de São Francisco de Paula, para se fazer uma análise de campo. Então, teríamos que paralisar todas as atividades desenvolvidas no laboratório durante uma semana para fazer um levantamento de campo e realizar a análise desse evento. Alguns indícios mostram que esse evento pode ser uma microexplosão.

Mas eu gostaria de destacar, principalmente, que a sociedade gaúcha precisa avançar nessa discussão, porque sempre que acontece um evento desses – e houve uma série de eventos ao longo dos últimos anos no Rio Grande do Sul –, a discussão se concentra nisto, ou seja, em se perguntar que tipo de evento ocorreu. Mas essa discussão não traz o retorno necessário para a nossa comunidade. O que traria retorno é uma discussão acerca do que seria preciso fazer para prever e antecipar esse tipo de fenômeno. Seria possível prever esse tipo de evento? Por que ainda não temos um serviço de previsão do tempo que seja capaz de prever esses fenômenos?

IHU On-Line - Por que ainda não existe esse serviço no Rio Grande do Sul? Quais são os desafios para se investir nesse sistema de alerta no Sul do país?

Vagner Anabor – Na verdade nós avançamos muito nessa área, e somos referência no Brasil no que diz respeito ao monitoramento de tempo severo. Formamos, na Universidade Federal de Santa Maria, nos cursos de graduação, mestrado e doutorado, meteorologistas extremamente capazes de prever esse tipo de fenômeno. Mas o que acontece é que esses meteorologistas vão trabalhar nos serviços de previsão do tempo nos estados de São Paulo, como no Centro Nacional de Prevenção de Desastres - Cemaden, no Centro Estadual do Paraná, no Centro Estadual de Santa Catarina etc. Inclusive, as pessoas também não sabem, mas o Sistema de Proteção da Amazônia - Sipam é 70% composto de meteorologistas gaúchos, e o Centro do Paraná é 100% composto por meteorologistas gaúchos, ou seja, existem 20 pessoas trabalhando no Centro do Paraná, e todos são gaúchos. No Centro de Santa Catarina, todos os meteorologistas, com exceção de um paranaense, são gaúchos, formados no Rio Grande do Sul.

A sociedade gaúcha não discute a urgência de criar um centro de monitoramento meteorológico no estado

Diante disso, identificamos um problema: a sociedade gaúcha não discute a urgência de criar um centro de monitoramento meteorológico no estado. Antes de existir a “civilização” no Rio Grande do Sul, essa região já sofria esse tipo de tempestades e eventos extremos. Nós temos registros históricos, na Universidade Federal de Santa Maria, dos primeiros imigrantes italianos que comentavam acerca desse tipo de tempestades. Mas por que não evoluímos? Essa é uma questão que precisa ser discutida na sociedade gaúcha.

IHU On-Line - Mas por que não se evolui?

Vagner Anabor – Precisaríamos ter uma organização política e governamental que destinasse recursos para esse tipo de investimento, porque em termos de desenvolvimento tecnológico e de conhecimento, estamos muito bem preparados: temos uma extensiva gama de publicações nacionais e internacionais na área, e estudamos em detalhes esses fenômenos. Então, temos as ferramentas que são utilizadas para detectar esse tipo de fenômeno e as ferramentas para fazer essa previsão, e elas já são de domínio público desde meados dos anos 1980. Agora, nós somos uma escola, e assim como as escolas de medicina não saem às ruas curando os pacientes, a escola de meteorologia não pode assumir um papel que é, basicamente, dos gestores públicos estaduais e municipais.

IHU On-Line – O senhor faz uma crítica às gestões do estado do RS, que nunca investiram num sistema de monitoramento meteorológico. Nos demais estados do país, qual é o grau de investimento em sistemas de alerta? Há sistemas eficientes em outras regiões?

Vagner Anabor – Os sistemas de monitoramento existem em outras regiões, mas no Brasil como um todo, o Sistema Nacional de Meteorologia carece de investimentos, assim como nos estados. Apesar disso, existem alguns exemplos de extremo sucesso: o Nordeste possui a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos – Funceme, um órgão estadual do Ceará para a previsão meteorológica, que funciona desde os anos 1980 e desenvolve um trabalho fantástico na mitigação da seca e no gerenciamento de recursos hídricos naquela região. Como a água é um bem valioso para eles, desenvolveram esse sistema, e lá, também, metade da equipe de trabalho é composta por meteorologistas que saíram da região Sul do Brasil.

Experiências de sucesso

Esse trabalho de mitigação da seca permitiu, por exemplo, que o Nordeste viabilizasse a transferência da indústria do vinho do Sul do Brasil para lá, e o monitoramento dessas áreas de irrigação, assim como o gerenciamento das águas, está totalmente ligado à Funceme.

Mais próximo do RS, o estado catarinense possui o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina - Ciram, vinculado à Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina - Epagri, que seria equivalente à Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária - Fepagro no RS. Na Epagri há um setor de meteorologia que tem aproximadamente 15 meteorologistas trabalhando no monitoramento 24 horas por dia, sete dias por semana. Eles monitoram os radares de Santa Catarina, as imagens de satélite e a rede de observação, porque o estado de Santa Catarina desenvolveu uma rede própria de observação. Então, eles complementaram as falhas do Instituto Nacional de Meteorologia – Inmet, com estações financiadas pelo próprio estado.

Além disso, eles também fazem um trabalho fantástico no monitoramento e alerta de cheias no Vale do Itajaí. Nas últimas enchentes que ocorreram na região, fizeram alerta das cheias com quase uma semana de antecedência. Com isso foi possível, em termos de mitigação de impactos, reduzir os impactos econômicos para o comércio e para a população civil, porque as pessoas puderam tomar providências, ou seja, esse monitoramento evitou, inclusive, a perda de vidas. Portanto, é possível saber com alguns dias de antecedência se vai ocorrer uma precipitação intensa na região, e os modelos meteorológicos são altamente capacitados para fazer isso: nós conseguimos fazer uma previsão do tempo de alto nível, que tem acima de 90% de acerto para uma previsão para os próximos três dias.

IHU On-Line - Há um diálogo entre a escola de meteorologia da UFSM, especialistas em meteorologia e o poder público para instituir um sistema ou um centro estadual de monitoramento no Rio Grande do Sul?

Vagner Anabor – Nós já realizamos duas ou três reuniões com a Secretaria do Meio Ambiente do RS, que atualmente faz o gerenciamento das águas no estado. Essa conversa está evoluindo e esperamos que no futuro tenhamos um resultado positivo dessa energia que tem sido investida, tanto por parte da Secretaria do Meio Ambiente quanto da UFSM, por parte do grupo de meteorologia. Mas essas tratativas precisam ser aceleradas e é evidente que esse é um problema urgente para o estado do RS. No futuro espera-se que a solução desse problema avance, principalmente porque estamos numa região do globo que possui algumas das tempestades mais severas do mundo.

A região da Bacia do Prata - Norte da Argentina, Sul do Paraguai, PR, SC e RS -,  só perde, na intensidade das tempestades, para o grande corredor de tornados nos Estados Unidos

Comparativamente, nas Américas, a região da Bacia do Prata, que abrange o Norte da Argentina, o Sul do Paraguai, o PR, SC e RS, só perde, na intensidade das tempestades, para o grande corredor de tornados nos Estados Unidos. Então, as tempestades que ocorrem aqui são tão intensas quanto as que ocorrem nos EUA, embora aqui haja uma frequência de tornados um pouco menor do que lá. Em compensação, temos outros eventos, associados à cheia, ao granizo e aos ventos intensos, como o que ocorreu agora na região de São Francisco de Paula, que merecem atenção.

Pouco se fala, mas esse evento que provocou todos esses danos em São Francisco de Paula foi causado pela mesma tempestade que causou enchentes em Santa Maria e, se não me engano, em mais de 10 cidades no RS, que ficaram em alerta. Isso demonstra que esse fenômeno teve uma abrangência não só na região serrana, mas atingiu, com outros impactos, outras áreas do estado.

IHU On-Line - Quais são as tecnologias mais utilizadas para prever esses eventos? Quais são os institutos de referência no país nessa área?

Vagner Anabor – Os institutos com que temos contato, nos estados de Santa Catarina e Paraná, fizeram investimentos pesados na compra de radares meteorológicos: compraram radares meteorológicos que custam de três a quatro milhões de reais, e que trazem um benefício fantástico para o monitoramento das condições do tempo. Esses radares permitem não só emitir alertas para as condições severas de tempo, mas permitem também, em um longo prazo, fazer estimativas de uma precipitação em uma grande área. Com isso é possível mapear, por exemplo, para fins agrícolas, as chuvas que ocorreram em uma área ampla, num raio de 250 quilômetros, com bastante precisão. Essas técnicas de aplicação de radar são conhecidas e nós treinamos as pessoas diariamente nas aulas para fazer isso.

Além disso, existe uma rede de observação meteorológica no Brasil, que é mantida pelo Inmet, que alimenta modelos de previsão de tempo. Nós também dominamos todas essas técnicas, temos um supercomputador e fazemos previsões em escala regional, na qual desenvolvemos previsões desses fenômenos de tempo severo com até um dia de antecedência. Então, a tecnologia para isso já existe. Agora, a implementação e a transferência disso para um sistema estadual depende de uma mobilização. Nós precisamos, juntamente com a sociedade gaúcha, entender quais são os mecanismos para que ocorra a transferência, a implementação e a criação desse centro estadual, onde essas tecnologias que estamos criando e exportando para fora do Rio Grande do Sul possam ser aplicadas em benefício da sociedade gaúcha.

IHU On-Line - É possível estimar quantos fenômenos severos ocorrem no Brasil em um ano?

Vagner Anabor – Na região Sul do Brasil, a rede de detecção do Instituto Nacional de Meteorologia, através do trabalho de uma aluna da UFSM, Vanessa Ferreira, fez uma climatologia desses eventos. O trabalho demonstrou que nos últimos 11 anos ocorreu uma média, no Rio Grande do Sul, de 90 a 100 eventos de grande intensidade. Ou seja, esses eventos são muito frequentes e atingem quase toda a região do Sul do país, e ocorrem de quatro a cinco eventos no RS por ano. Podemos citar casos emblemáticos como o dito “tornado” que ocorreu em Antônio Prado, em 2003, que atingiu uma creche e matou crianças. Há dez anos São Francisco de Paula também foi atingida por uma grande tempestade, e neste ano a cidade é atingida novamente. Também ocorreu um evento significativo de destruição por ventos na região de Canela, e em Xanxerê ocorreu um tornado que cruzou a cidade em 2015.

A climatologia global que fizemos usando os dados observados demonstra que no RS, em cerca de vinte dias por ano, ocorrem eventos que têm características que podem produzir tempestades e eventos similares a tornados. Isso não quer dizer que vão ocorrer 20 tornados por ano no estado, mas que as condições meteorológicas permitiriam tempestades que poderiam ter um poder de destruição equivalente ao de um tornado. Além disso, durante 60 a 70 dias, há possibilidade de ocorrer o que chamamos de tempo severo, ou seja, chuvas intensas em curtos períodos de tempo, ventos intensos e a ocorrência de granizo.

80 a 90% das ocorrências registradas pela Defesa Civil estão relacionadas a algum tipo de evento meteorológico: deslizamento causado por chuvas intensas, enchentes e alagamentos, vendavais

Ainda sobre a frequência da ocorrência desses eventos, fizemos um levantamento dos dados da Defesa Civil, e o que observamos é que 80 a 90% das ocorrências registradas pela Defesa Civil estão relacionadas a algum tipo de evento meteorológico: deslizamento causado por chuvas intensas, enchentes e alagamentos, vendavais, ou seja, todos esses eventos acabam gerando grandes gastos de contenção do desastre ocorrido, sem falar nos impactos que geram para a vida das pessoas. No caso de São Francisco, por exemplo, talvez as mesmas pessoas ou famílias que foram atingidas há dez anos, tenham sido atingidas novamente no último final de semana.

IHU On-Line - Esses eventos meteorológicos têm relação ou confirmam a tese de que estamos vivendo um período de mudanças climáticas e aquecimento global, ou eles ocorrem independentemente das mudanças climáticas?

Vagner Anabor – Os estudos de modelos climáticos mostram que as mudanças climáticas vão conduzir a região Sul do país, num horizonte de 150 anos, para uma situação de menor frequência de tempestades e chuvas, porém quando ocorrerem, será com maior intensidade.

Mas não podemos olhar somente para esse horizonte. Precisamos nos preparar para os fenômenos que já ocorriam antes de existir a civilização. Nesse sentido, no Sul do Brasil já ocorriam esses fenômenos intensos por conta das condições geológicas, por estarmos próximos das cadeias dos Andes, que favorecem o desenvolvimento de tempestades. Além disso, a umidade da região Amazônica também acaba provocando grandes tempestades na região Sul. Essas tempestades vão continuar ocorrendo e a climatologia mostra que elas ocorrerão no pico da primavera ou do verão, mas alguns eventos extremos também ocorrerão no inverno.

O que costumo dizer na academia é que precisamos considerar os estudos sobre mudanças climáticas, mas temos que estar alertas para a variabilidade climática, ou seja, para aqueles eventos do dia a dia. Se tivermos uma estrutura de preparo para contenção dessas tempestades que ocorrem no dia a dia, no horizonte da semana, com o passar do tempo estaremos mais preparados para enfrentar esse quadro de mudanças climáticas.

IHU On-Line - O senhor disse que o desenvolvimento desses eventos depende de fenômenos geológicos e climáticos, por exemplo. Apesar disso, a ação do homem no meio ambiente tem contribuído para o aumento desses eventos?

A hipótese antropogênica para o fenômeno de mudança climática e aquecimento global é a hipótese cientificamente mais bem apresentada até o momento

Vagner Anabor – A hipótese antropogênica para o fenômeno de mudança climática e aquecimento global é a hipótese cientificamente mais bem apresentada até o momento, e a emissão de gases do efeito estufa está tendo um impacto nessa questão do aquecimento global. Os gráficos de aquecimento mostram que depois da Revolução Industrial as temperaturas subiram de forma significativa, e o desmatamento também gera esse tipo de impacto. Os estudos mostram que se desmatássemos toda a região Amazônica, num primeiro momento haveria uma descarga significativa de umidade na atmosfera e isso geraria mais ocorrência de tempestades na nossa região. Então, essas questões ambientais sem dúvida alguma geram impactos, mas são impactos mais imediatos, que estão associados às transformações que causamos no local onde vivemos.

Como eu disse, a região Sul é historicamente atingida por esses fenômenos extremos, mas quando começamos a criar cidades que ignoram a ocorrência desses fenômenos, criamos as condições para a ocorrência desses desastres. Então, se você vive num local no qual se aumenta a permeabilidade do solo, ou seja, impede que a água penetre no solo, quando as tempestades ocorrem e encontram o solo permeável, rios desviados dos seus cursos ou canalizados, criam-se os ingredientes para construir um desastre. Do mesmo modo, quando se habita uma região de encosta de montanha, nas quais sempre ocorreram descargas e chuvas, se geram as condições para um desastre.

Cada construção nova deveria possuir caixas de contenção para conter os volumes de água decorrentes das chuvas, para que essa água não chegue toda de uma vez nos rios e cause as enchentes. No Vale do Sinos existe um problema sério de enchentes, mas esses impactos devem-se à forma como a urbanização vem se desenvolvendo.

Então, posso afirmar que nos próximos 50 anos vão continuar ocorrendo essas tempestades e chuvas e precisamos nos preparar para isso. Temos que aproveitar esse momento triste para a população de São Francisco de Paula para fomentar essa discussão de como vamos desenvolver um sistema que nos permita estar mais protegidos. No Rio Grande do Sul existem duas escolas de meteorologia, uma na Universidade Federal de Pelotas e outra na Universidade Federal de Santa Maria, e somos hoje o estado que mais forma recursos humanos em meteorologia na América do Sul, ou seja, superamos o número de recursos humanos formados em São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto não conseguimos, seja por entraves administrativos ou políticos, encontrar um canal para que esse conhecimento seja implementado. Então, precisamos trabalhar para isso, e a discussão precisa evoluir para esse ponto, para que com o nosso conhecimento possamos ajudar a construir esse sistema.

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