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01 Março 2017

O Cristianismo nasceu em meio a graves conflitos entre Igreja e Estado, e já há o precedente entre os bispos de que às vezes é preciso escolher o Evangelho e não o direito civil. Parece que estamos na iminência de uma era como essa novamente, caso as Igrejas católicas tenham que se posicionar sobre as deportações em massa oferecendo santuário aos imigrantes.

O artigo é de Charles C. Camosy, professor de Teologia e Ética Social da Universidade Fordham, em artigo publicado por Crux, 24-02-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O Cristianismo nasceu em meio a fortes resistências às leis do Estado. Como diz o conhecido ditado de Tertuliano, "o sangue dos mártires é a semente da Igreja".
A tradição de colocar o Evangelho à frente do respeito às leis do Estado pode significar que em breve as Igrejas tornem-se santuários para os refugiados, pessoas perseguidas na região, e até mesmo pessoas que já criticaram a prática.

Hoje, no entanto, a maior parte das culturas ocidentais seculares não reconhece o conceito legal de Santuário, o que poderia constituir uma violação direta ao direito secular. Mas vimos, recentemente, bispos católicos declarando que certas leis eram injustas e até mesmo preparando os fiéis para uma possível desobediência civil quando as questões morais ficarem graves demais.

Por exemplo, em resposta ao ato do Affordable Care, que normatiza que hospitais, universidades e outras instituições católicas violem suas consciências, os Bispos dos EUA disseram o seguinte:

"Uma lei injusta não pode ser obedecida. Diante de leis injustas, não se deve buscar acomodação, principalmente recorrendo a palavras equivocadas e práticas enganosas. Se enfrentarmos hoje a perspectiva de leis injustas, os católicos dos Estados Unidos, em solidariedade aos nossos concidadãos, devem ter a coragem de não obedecê-las. Nenhum estadunidense quer isto. Nenhum católico aprova isto. Mas se acontecer conosco, temos de desarmá-la como dever de cidadão e obrigação da fé".

Quando Obama foi eleito pela primeira vez, havia o receio de que ele mantivesse sua promessa de campanha de aprovar o "Freedom of Choice Act" (FOCA), uma lei que forçaria hospitais católicos a realizar abortos. Os bispos católicos também disseram que se recusavam a obedecer a lei FOCA.

Dom Paul Loverde, de Arlington, Virginia, por exemplo, foi contundente ao desafiar a lei: "eu diria: 'não, eu não vou fechar o hospital, você vai ter que me prender, vá em frente. Você vai ter que me arrastar para fora, vamos. Eu não vou fechar este hospital, não vamos realizar abortos e você pode me colocar para fora'".

Foi a atitude correta. Os cristãos devem acreditar que "mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (Atos 5:29) e fazer com que as nossas ações reflitam esta crença.

O aborto é uma questão diretamente relacionada à missão central do Evangelho de proteger e acolher os mais vulneráveis e marginalizados, mas há muitas outras - como a dos imigrantes e refugiados.

O Papa Francisco disse, com razão , que temos uma séria "responsabilidade moral" e o "dever" de acolher e ajudar essas populações. Talvez por saber das preocupações dos políticos conservadores e populistas, o argumento de Francisco preserva algumas das mais antigas tradições da Igreja e as opiniões dos seus antecessores na cadeira de São Pedro.

É um erro categórico colocar no mesmo saco "não participar da morte de uma criança vulnerável antes do seu nascimento" e "recusar-se a participar da deportação de um imigrante vulnerável", como graves e semelhantes rejeições ao Evangelho?

Considere o Bispo Daniel Flores, de Brownsville, Texas, que atua na fronteira entre o Texas e o México, que se depara com as questões da imigração de maneira diferente da maioria de nós. Em uma entrevista que fiz com ele aqui, Flores comparou abertamente a gravidade de ambas as questões:

"Em alguns casos, especialmente considerando mães e crianças da América Central e as deportações em algumas partes do México, estamos colocando [imigrantes ilegais] em grave risco de morte. Para mim, apoiar o envio de um adulto ou criança de volta a um lugar onde ele ou ela está marcado para morrer, onde as leis não são respeitadas e vive-se em colapso social, é uma cooperação formal com um mal intrínseco. Não é diferente de levar alguém para uma clínica de aborto."

O atual governo já aumentou as deportações, e muito. Mas agora nós sabemos que os EUA têm portarias com "novas e amplas políticas de deportação" - políticas que, aparentemente, devem aumentar drasticamente a capacidade de aplicação da lei para mandar pessoas ilegais de volta aos lugares de onde saíram.

Outras congregações foram mais rápidas que os católicos ao disponibilizar espaços santuários para essas populações vulneráveis.

Mas o cardeal Joseph Tobin, recém-nomeado pastor de 1,5 milhão de católicos na arquidiocese de Newark, Nova Jersey, tem dito o que eu acredito que muitos fiéis católicos já suspeitavam há algumas semanas: as políticas atuais em relação a imigrantes e refugiados estão em desacordo com os claros ensinamentos das escrituras de acolher os vulneráveis que vêm de fora.

Pode tornar-se necessário, se as igrejas católicas querem viver os mandamentos do Evangelho, aproveitar o momento para proporcionar refúgio.

Mas sejamos claros sobre o que isso significaria. Jessica Vaughan, diretora de políticas públicas do Centro de Estudos sobre Imigração, lembra-nos de que isto seria ilegal e paróquias ou dioceses estariam se arriscando a sofrer processos e multas.

"Espero que não chegue a este ponto", disse ela.

Mas se chegar, os católicos - e principalmente seus líderes - devem preparar-se para sofrer as consequências. Talvez a crise atual encontre bispos católicos que, em resposta a possíveis ameaças legais para a proteção das pessoas em situação irregular na sua diocese, digam: "Se nos prenderem, tudo bem".

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