A demanda de energia e o crescimento das fontes renováveis até 2035

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25 Fevereiro 2017

"As energias renováveis devem apresentar as maiores taxas de crescimento, contribuindo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A participação das renováveis no mix energético deve passar de 3% em 2015 para 10% em 2035. As energias renováveis deverão quadruplicar até 2035, a uma taxa de 7,6% ao ano, impulsionada pela expansão contínua da energia limpa, especialmente da China e pela queda nos custos de energia solar e eólica", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 24/02/2017

Eis o artigo.


O relatório anual Energy Outlook de 2017, da BP, mostra que a demanda global de petróleo continuará a crescer até a década de 2035, mesmo considerando que as frotas de veículos elétricos devem se expandir e o processo de transição energética de baixo carbono ganha força em todo o mundo.

Mesmo com a diminuição da demanda global, a presença de combustíveis fósseis – petróleo, carvão mineral e gás deverão continuar a ser as fontes dominantes de energia que alimentam o mundo, mas passarão de 85% em 2015 para 75% em 2035.

Entre os combustíveis fósseis, o gás será o combustível de maior crescimento, aumentando a participação no mix energético, devendo superar o carvão, para ser a segunda maior fonte de combustível até 2035. O petróleo deve continua a crescer, mas em ritmo menor, diminuindo sua participação relativa na matriz energética. O mesmo deve acontecer com o carvão, que deverá atingir o seu pico em meados da década de 2020.

As energias renováveis devem apresentar as maiores taxas de crescimento, contribuindo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A participação das renováveis no mix energético deve passar de 3% em 2015 para 10% em 2035. As energias renováveis deverão quadruplicar até 2035, a uma taxa de 7,6% ao ano, impulsionada pela expansão contínua da energia limpa, especialmente da China e pela queda nos custos de energia solar e eólica.

Enquanto alguns ambientalistas veem estes números com otimismo, as previsões da BP indicam que as emissões de gases de efeito estufa (GEE) ainda devem crescer 13% até 2035, número que supera em muito os objetivos climáticos estabelecidos no Acordo de Paris. Para cumprir os acordos internacionais, as emissões precisam cair em 30% até 2035, constata o relatório da petroleira BP.

O crescimento da produção de energia solar e a venda de carros elétricos tem aumentado muito. O gráfico abaixo, de Robert Rapier (do site Forbes, 05/02/2017) mostra que a venda de veículos elétricos aumentou 8 vezes em cinco anos nos Estados Unidos.


Assim, mesmo considerando que a transição energética está acelerada em algumas áreas, o ritmo de mudança é ainda lento para reverter as emissões de gases de efeito estufa. O mundo vai continuar aumentando as emissões de GEE, o que provoca o aumento da concentração de CO2 na atmosfera e o aumento do aquecimento global. Por sua vez, o aquecimento global provoca a acidificação dos oceanos e a elevação do nível do mar. Todas as áreas costeiras do mundo estão ameaçadas. O impacto em termos econômicos e sociais pode ser dramático e, até mesmo, provocar o colapso da civilização, se não houver mudanças mais profundas no metabolismo entrópico do modelo hegemônico “Extrai-Produz-Descarta”.

Referência:

BP Energy Outlook, 2017 edition

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