Divorciados e reformas: o apoio dos cardeais ao papa

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15 Fevereiro 2017

Se, na “barca de Pedro”, às vezes há marinheiros que “remam em sentido contrário”, como observava Francisco, mesmo assim existe uma Cúria e cardeais que apoiam os esforços do timoneiro.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 14-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Por isso, é um sinal importante – depois do caso dos cartazes antipapais – o fato de Óscar Maradiaga, coordenador do Conselho dos nove cardeais, ter aberto a reunião nessa segunda-feira, 13, agradecendo o pontífice com uma declaração solene: “Em relação a recentes acontecimentos, o Conselho de Cardeais expressa pleno apoio à obra do papa, assegurando, ao mesmo tempo, adesão e sustento plenos à sua pessoa e ao seu magistério”.

Em um ápice de resistências mais ou menos rudes e explícitas, outro sinal vem do cardeal Francesco Coccopalmerio, presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, que, na manhã desta terça-feira, 14, apresentou um livro dedicado a Il capitolo ottavo della Esortazione apostolica post sinodale Amoris Laetitia [O oitavo capítulo da exortação apostólica pós-sinodal Amoris laetitia] (Ed. Lev), ou seja, às páginas do papa que incluem as aberturas aos divorciados em segunda união e que atraíram as críticas mais duras nos ambientes conservadores: começando pelas dubia” públicas de quatro cardeais.

O texto é notável porque vem de um canonista vaticano de referência e refuta, de acordo com aquilo que o direito prevê e em cerca de 50 páginas densas, as objeções recorrentes. Coccopalmerio explica que a exortação “contém com absoluta clareza todos os elementos da doutrina sobre o matrimônio em plena coerência e fidelidade ao ensinamento tradicional da Igreja”. E demonstra, com o texto em mãos, que a Igreja pode admitir aos sacramentos “os fiéis que se encontram em união não legítima, que, porém, cumpram duas condições essenciais: desejam mudar tal situação, mas não podem implementar o seu desejo”.

É preciso avaliar o “bem possível”, as condições concretas, os atenuantes, os condicionamentos que impedem, por exemplo, viver “como irmão e irmã”. No fundo, há a “hermenêutica da pessoa”, no sentido de que “Francisco avalia a realidade através da pessoa”, escreve Coccopalmerio: “Pode-se afirmar com consciência segura e tranquila que a doutrina, no caso, é respeitada”.

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