Papa Francisco telefonou para o celular de uma vítima de abuso sexual

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11 Fevereiro 2017

- Olá, Rufino.

- Sim, quem fala?

- O Papa Francisco.

Há poucas horas, enquanto estava na porta do Colégio Holy Cross, em San Fernando, onde estavam seus filhos, Rufino Varela atendeu o celular e teve a conversa anterior com o Papa Francisco. Segundo a reconstrução de Varela, Francisco o telefonou para se solidarizar pelo abuso sexual que sofreu em sua casa e no Colégio Newman.


No Facebook, Varela anunciou o telefonema do Papa


A reportagem é de Nicolás Cassese, publicada por La Nación, 09-02-2017. A tradução é do Cepat.

O caso de Varela ocorreu há cerca de 40 anos, mas se tornou conhecido recentemente, no dia 30 de dezembro do ano passado, quando foi publicado por La Nación. Varela, então, relatou como foi abusado durante quatro anos (quando tinha entre 11 e 16 anos) por José Antonio Moreira, um capataz que trabalhava em sua casa. Também contou como confessou sobre esses abusos a Finnlugh Mac Conastair, o padre Alfredo, capelão do Newman, seu colégio.

O religioso, que morreu em 1997, não só não o ajudou, como também, ao se inteirar em confissão dos abusos que sofria em sua casa, levou-lhe a seu quarto – vivia no colégio, debaixo da capela –, fez-lhe baixar as calças, de bruços na cama, colocou-lhe um travesseiro na cabeça, deu-lhe dez açoites com algo que não viu, mas que acredita que era um cinto de coro, e pegou em seu órgão genital, enquanto lhe perguntava detalhes sexuais.

Segundo o relato de Varela, isto ocorreu em um dia de colégio de 1977, perto do meio-dia, quando tinha 12 anos e estava na sétima série. Varela silenciou o seu sofrimento durante décadas até que, no ano passado, fez contato com o Newman para que pedissem desculpas públicas pelo que lhe ocorreu. O colégio fez isto recentemente, depois que a nota foi publicada.

Segundo Varela, a comunicação com o Papa Francisco durou cerca de dez minutos e incluiu duas chamadas, a primeira caiu. Francisco lhe disse que havia recebido um e-mail de Paula Aranoa, a prima de Varela, que conhecia o caso. Telefonou para ouvi-lo e transmitir o seu apoio. “Está fazendo o correto. Saiba que rezo por você”, disse Varela, reproduzindo o que disse Francisco.

Varela lhe respondeu que já tinha conversado com Juan Carr, Esteban Bullrich, ministro da Educação do governo nacional, e Oscar Ojea, bispo de San Isidro, mas que estava impaciente já que “ninguém fazia nada”. Segundo Varela, Francisco pediu para que fosse paciente e continuasse falando com Ojea.

Desde que seu caso se tornou público, Varela iniciou uma campanha no Facebook para desenterrar e tornar visíveis outros abusos. Segundo seu depoimento, outras onze vítimas do padre Alfredo se comunicaram com ele para, em particular, compartilhar o seu caso. Varela postou vários desses depoimentos, evitando a fonte, em sua página no Facebook. O Papa Francisco pediu perdão pelos abusos sexuais cometidos por membros da Igreja e exigiu “tolerância zero” para esses casos.

O Colégio Cardeal Newman pediu desculpas públicas em dezembro sobre seu caso, o único que recebeu até o momento.

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