Quais são as opções para o Papa Francisco na saga da Ordem de Malta?

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12 Janeiro 2017

Uma comissão papal está investigando a demissão de Albrecht von Boeselager, uma figura sênior na Ordem de Malta, acusado de apoiar uma organização na distribuição de preservativos em Myanmar.

A reportagem é de Christopher Lamb, publicada por The Tablet, 10-01-2017.

O Grão-Mestre Matthew Festing e o Cardeal Raymond Burke, patrono da ordem, têm argumentado que a demissão de Boeselager do cargo de grão-chanceler estava de acordo com a vontade da Santa Sé, mas o principal diplomata do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, disse a Festing, posteriormente, que o Papa não queria que ninguém fosse demitido.

Com isso, o experiente diplomata papal, o Arcebispo Silvano Tomasi, foi chamado pelo Papa para a investigação e sua equipe deverá apresentar um relatório até o final de janeiro.

O líder dos cavaleiros disse que não vai cooperar com a comissão papal usando o argumento de que eles são uma entidade soberana e ainda afirmam que nenhum membro da ordem pode dar evidências que contradigam a decisão do Grão-Mestre de demitir Boeselager.

Mas a questão é que os cavaleiros são uma ordem religiosa católica que conta com membros eleitos: o que quer que sua constituição diga sobre soberania, sobre as questões da vida religiosa eles respondem à Roma, em última instância. Este ponto foi destacado pelo Arcebispo Tomasi, que declarou que Boeselager foi demitido por "desobediência", o que, portanto, requer que superiores religiosos esclareçam o procedimento.

Além disso, Boeselager contesta vigorosamente o processo por trás de sua demissão, enfatizando que nunca quebrou o dogma da Igreja sobre a contracepção.

Esta sucessão de eventos demonstra a resistência que Francisco está enfrentando dentro do Vaticano e representa um conflito entre sua visão compassiva do catolicismo e a versão rígida e baseada em regras do Grão-Mestre e do Cardeal Burke.

Então, quais são as opções disponíveis para o Papa na resolução do problema?

1. Readmitir Boeselager e propor uma reconciliação dentro da ordem. Este é o resultado ideal para Francisco, que deseja que a Comissão restabeleça a unidade entre os cavaleiros. O problema é que o Grão-Mestre dificilmente aceitaria o retorno de Boeselager.

2. Nomear um comissário externo. Isso colocaria todos os aspectos religiosos da Ordem sob a autoridade do Vaticano, que se separaria do trabalho de caridade da ordem e de suas relações diplomáticas com os Estados. A Santa Sé analisaria a vida religiosa dos cavaleiros para garantir que estivesse de acordo com as normas da Igreja. Isso também restringiria o poder do Cardeal Burke, cujo papel tem sido representar o Papa perante os cavaleiros: com a presença de um comissário, haveria alguém em posição de superioridade em relação a Burke. Este cenário exigiria que Festing renunciasse.

3. Dispensar o Grão-Mestre e seus aliados dos votos religiosos. Se Festing se recusar a renunciar, o Vaticano poderia dispensá-lo de seus votos de pobreza, castidade e obediência, o que impossibilitaria sua continuidade na posição. De acordo com as regras da ordem, o Grão-Mestre deve ser um religioso solenemente professado, assim como os cavaleiros que detêm papéis de liderança da organização. Mas, dos 14.000 ou mais membros da ordem, apenas 50 fizeram estes votos. Dispensar alguns desses cavaleiros dos votos não teria um grande impacto sobre a vida da ordem e também poderia abrir o caminho para reformar a vida religiosa dentro da ordem dos cavaleiros.

4. Transferir o Cardeal Burke. O Papa transferiu o cardeal dos Estados Unidos - um de seus críticos mais notáveis - para cuidar da ordem, a fim de que ele não concorresse ao cargo equivalente no Supremo Tribunal da Igreja. Mas Francisco poderia decidir que Burke não tenha comunicado sua vontade à ordem e, portanto, deva ser transferido novamente. O risco aqui é torná-lo mártir e aumentar ainda mais as tensões internas da Igreja.

5. Não fazer nada. Há sempre a opção de ter uma comissão e deixá-la em banho-maria. O problema é que a vontade do Papa e do Vaticano foram ignoradas na questão de Boeselager. Por isso, não fazer nada pode deixar quem os desafiou cantando vitória.

Finalmente, também está na alçada do Papa romper relações diplomáticas entre a Santa Sé e a ordem, excluir os cavaleiros ou anular a sua constituição - sendo que as três ações seriam como apertar o botão para o lançamento de uma bomba. A questão é que o Papa tem opções, e será fascinante ver seu próximo passo.

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