Kátia Abreu, Duarte Nogueira, Padilha: os ruralistas da delação da Odebrecht

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20 Dezembro 2016

A delação de Claudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, abala a República ao mencionar diretamente Michel Temer, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o presidente do Senado, Renan Calheiros. Os três são ruralistas. Padilha e Calheiros são proprietários de terra. Temer já foi. Mas a lista também tem personagens conhecidos mais especificamente pela relação com esse setor.

A reportagem é de Alceu Castilho, publicada por De olho nos ruralistas, 16-12-2016.

À frente desses nomes estão a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) e o deputado federal Duarte Nogueira (PSDB-SP, ex-secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, prefeito eleito de Ribeirão Preto e um dos postulantes à sucessão do governador Geraldo Alckmin). Entre outros latifundiários, como o ministro derrubado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e o senador Eunício de Oliveira (PMDB-CE). Boa parte dos nomes é do PMDB.

Trata-se apenas de um aperitivo. O próprio ex-diretor da empreiteira diz que quem negociava com a bancada ruralista era o diretor de relações institucionais da Odebrecht Agroindustrial, Amaury Pekelman. Ele ainda não fez delação. Mas é mencionado por Melo Filho – ao falar de doação para Duarte Nogueira – como quem fazia trabalho similar a ele no Congresso.

Kátia Abreu

O ex-diretor mencionou Kátia Abreu para mostrar “como às vezes somos abordados por pessoas com quem não temos relação, mas que muitas vezes esses agentes políticos se acham no direito de proceder como querem apenas em razão de possuir mandato eletivo”. Ela disse que falara com Marcelo Odebrecht, e que o empreiteiro prometera ajudá-la. Marcelo desmentiu. Mesmo assim, a empresa fez uma doação de campanha:

– Sei que o apoio foi realizado porque José Carvalho Filho intermediou o encontro entre Mário Amaro [diretor-presidente da Foz Saneatins, controlada pela Odebrecht Ambiental], DS de Fernando Reis [presidente da Odebrecht Ambiental] e a pessoa indicada pela senadora. Não sei precisar o valor, mas o relato serve de ilustração de fatos que ocorrem em Brasília”.

Segundo o delator, Marcelo Odebrecht reuniu-se com ela quando era ministra da Agricultura, durante o governo Dilma Rousseff. Estavam presentes o próprio Melo Filho e o presidente da Odebrecht Agroindustrial, Luiz de Mendonça.

Exatamente nesse ponto, durante a delação, o ex-diretor fez questão de pontuar que outras pessoas da Odebrecht mantinham agenda própria no Congresso. E encabeça a lista com Pekelman, da Odebrecht Agro. “Assim como ocorre em outras empresas do grupo, esta empresa possui equipe dedicada a relações governamentais para assuntos em Brasília e nos Estados”, afirmou.

Procurada por O Globo, Kátia Abreu – que presidiu por muitos anos a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) – foi sucinta: “Não existe a menor possibilidade de haver uma menção negativa a meu respeito”.

Segundo Melo Filho, o deputado Duarte Nogueira solicitou em 2014 um pedido de reforço de contribuição financeira. “Encaminhei o assunto a Amaury Pekelman, que já havia feito contribuição e me disse que iria proceder com o reforço solicitado”, relatou. “Em 2014 foi realizada doação eleitoral no valor total de R$ 300 mil”

Os Líderes 

O delator contou na Justiça que todos os assuntos que tratou no Congresso se iniciaram por meio de Romero Jucá (PMDB-RR). “Na maioria das vezes, não tratava com mais ninguém”. O senador – conhecido por suas várias facetas – tem muita força no setor de mineração, mas também no universo ruralista. Ele foi presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), com histórico hostil aos povos indígenas.

Jucá agia em nome próprio e do grupo político que representava, formado por Renan Calheiros, Eunício Oliveira e membros do PMDB”, afirmou. Calheiros e Oliveira, só para reforçar, senadores ruralistas.

Na Câmara as relações “institucionais” eram capitaneadas por Temer e pelo atual braço-direito do presidente não eleito, Eliseu Padilha (PMDB-RS). Definido pelo delator como “preposto de Temer”, Padilha teve, na semana passada, bens de sua fazenda no Mato Grosso confiscados durante uma operação contra crimes ambientais. Dezoito armas foram encontradas no local – embora a imprensa tenha destacado o confisco de cabeças de gado. Ele também é acusado de grilagem.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima recebeu vários pagamentos. O delator conta que ele era o principal elo de comunicação entre o político e a Odebrecht. Foi por meio de Geddel que Melo Filho se aproximou de Moreira Franco – mais um ministro de Temer – e de Eliseu Padilha. “No ano de 2006, a pedido de Geddel, foram realizados pagamentos por meio de contribuições oficiais e também pagamentos não declarados via Caixa 2”, contou o delator.

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